Entrevista

"Equilíbrio entre economia e ecologia é fundamental"

Manuela Gomes|

Angola realiza, de 26 a 29 de Maio, uma feira internacional sobre equipamentos, serviços e tecnologias ambientais. O vice-ministro do Ambiente, Syanga Abílio, pede às empresas nacionais para participarem na feira, porque é a melhor forma de contribuir para o desenvolvimento sustentável. O sector empresarial é chamado a combater situações que destroem o Ambiente: "devemos introduzir as melhores práticas na exploração mineira e petrolífera e de uma maneira geral na exploração e transformação dos recursos naturais", disse o vice-ministro em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola.

Syanga Abílio apela ao uso de tecnologias que não poluam a atmosfera
Fotografia: Adérito Cortez

Angola realiza, de 26 a 29 de Maio, uma feira internacional sobre equipamentos, serviços e tecnologias ambientais. O vice-ministro do Ambiente, Syanga Abílio, pede às empresas nacionais para participarem na feira, porque é a melhor forma de contribuir para o desenvolvimento sustentável. O sector empresarial é chamado a combater situações que destroem o Ambiente: "devemos introduzir as melhores práticas na exploração mineira e petrolífera e de uma maneira geral na exploração e transformação dos recursos naturais", disse o vice-ministro em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola.

Jornal de Angola - A primeira Feira Internacional do Ambiente em Angola, pode significar uma nova era?

Syanga Abílio -
Esta feira marca o início daquilo que podemos considerar a promoção do conhecimento e o uso das tecnologias ambientais, que são as que menos poluem e agridem o ambiente. Nesta feira pretendemos juntar as empresas fornecedoras de tecnologias e equipamentos às as empresas utilizadoras no ramo da Economia, da Energia, Agricultura, Águas e Indústria. As tecnologias ambientais no nosso país são ainda uma novidade, embora o mundo assista a um incremento do mercado das tecnologias ambientais.

JA - Angola está a crescer em termos de protecção do ambiente?

SA -
Nós somos um país em desenvolvimento. Estamos a crescer mas é importante pensarmos em tecnologias limpas, não basta sermos parte da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas e do Protocolo de Kyoto, embora em termos de poluição Angola seja insignificante comparando com a poluição mundial. Pensamos que as tecnologias ambientais representam uma oportunidade de negócios, porque são as empresas que conduzem as tecnologias e essas empresas uma vez localizadas em Angola podem desenvolver outras actividades, criando parcerias com empresas angolanas e gerarem mais empregos.

JA - O Ministério do Ambiente vai estar na feira?

SA -
O Ministério do Ambiente vai ter o papel de facilitador e promotor, junta os utilizadores e os fornecedores e cria também um ambiente de mercado e consciencialização. Vamos juntar cem expositores e de acordo com os sinais que estamos a receber este número tende a aumentar, tendo em conta o interesse que as empresas estão a manifestar. Há um grande interesse nesta feira.

JA - Além das tecnologias ambientais vão estar representadas na feira outras actividades?

SA -
À margem da feira vamos promover seminários sobre o ambiente. No nosso país temos materiais que não aproveitamos, como plástico, garrafas, madeira ou papel. Infelizmente, no nosso país ainda não temos a hábito de fazer a separação destes resíduos. É essa vertente que queremos promover: a utilização e reutilização de alguns materiais.

JA - Vão estar representadas empresas de que países?

SA -
Em termos de empresas estrangeiras temos pedidos do Brasil, Portugal, Suíça, Espanha e China. São esses países com que vamos contar para a feira. Mas prevemos que este número tende a aumentar, o que é uma mais valia para o nosso país.

JA - Como está Angola na área das tecnologias ambientais?

SA -
Angola está numa fase incipiente, ainda não é uma prática corrente o uso das novas tecnologias. As empresas que temos na área industrial usam tecnologias tradicionais e a sua substituição representa um custo elevado. O Ministério do Ambiente tem recebido informações sobre a existência de empresas em Luanda que produzem óleo alimentar e que no processo de fabricação há cheiros estranhos que incomodam a população. Penso que estão a usar tecnologias tradicionais pouco amigas do ambiente.

JA - O Ministério do Ambiente está a actuar nessas situações?

SA -
Hoje já existem no mercado tecnologias mais amigas do ambiente, que podem conviver com zonas habitacionais. O nosso apelo a essas empresas é que adoptem procedimentos e mecanismos que não provoquem problemas ao ambiente. Já existem tecnologias que respeitam o ambiente e a saúde humana.

JA - Há problemas de poluição sonora?

SA -
Também temos registado muitas queixas sobre poluição sonora dos geradores de luz eléctrica, que poluem a atmosfera e são muito ruidosos. Hoje também já existem máquinas e equipamentos que as pessoas podem adquirir. Existem geradores silenciosos. Temos de aderir a essas tecnologias para que todos tenhamos uma vida e um ambiente sadio.

JA - Que ganhos pode esta feira dar ao nosso país?

SA -
Os ganhos são sempre grandes. Sabemos que qualquer poluição provoca problemas à saúde pública. Uma melhor gestão dos resíduos e o seu tratamento podem produzir muitos ganhos à saúde pública e ao sector da economia. As empresas interessadas na feira podem no futuro instalar-se em Angola, criando parcerias e gerando mais empregos. De um modo geral os ganhos são muitos.

JA - Angola está a dar passos no caminho das tecnologias modernas?

SA -
Há muitas empresas estrangeiras interessadas em investir no nosso país. Nós vamos continuar a promover políticas ambientalistas que combatam a poluição e outras práticas que agridam o ambiente. Somos apologistas do equilíbrio que deve existir entre a economia e a ecologia. Se queremos crescer temos que crescer com as melhores práticas ambientais para não pagarmos amanhã uma factura muito elevada.

JA - A paz ajuda a promover políticas ambientais?

SA -
Nos anos de paz o Executivo tem feito muitas realizações na recuperação das nossas infra-estruturas, mas também está a criar condições para que o país se desenvolva e para fazermos um corte com o passivo ambiental resultante do conflito armado. Nessa altura era quase impossível controlar a indústria extractiva.

JA - Foram tomadas medidas correctivas?

SA -
Hoje estamos a estabelecer normas e procedimentos ambientais na exploração de inertes que não põem em perigo a vida das pessoas. Estamos a combater a poluição atmosférica porque tem graves consequências para a saúde. Temos que precaver estas situações introduzindo melhores práticas na exploração mineira, petrolífera, e de uma maneira geral na exploração de todos nossos recursos e na sua transformação.

JA - De que forma o Ministério do Ambiente tem actuado junto dos potenciais poluidores?

SA -
O Ministério do Ambiente tem estado a conduzir várias campanhas de educação e consciencialização ambiental. Estamos a desenvolver um árduo trabalho para as pessoas respeitarem os valores ambientais, mudarem comportamentos e hábitos para melhor protegerem e preservarem o ambiente. Estamos a educar também as empresas que exploram e transformam matérias-primas e as que vendem serviços.

JA – Poluem de igual maneira?

SA –
Claro que não. Às empresas que exploraram recursos e produzem bens e recursos estamos a fazer tudo para que usem tecnologias que vão ao encontro da protecção do ambiente. Hoje a nível mundial assistimos ao uso de tecnologias ambientais modernas porque é importante assegurar a vivência sadia na sociedade, já que estamos numa fase em que o desenvolvimento sustentável é um desafio mundial. Em 1992, na Conferência do Rio de Janeiro juntaram-se três pilares na questão do desenvolvimento sustentável: Ambiente, Economia e sector Social). O Ambiente toca várias áreas, é uma actividade transversal e é bom que todos os sectores se preocupem com a questão ambiental se de facto queremos garantir um desenvolvimento sustentável.

JA - Quanto vai ser investido para a realização da feira?

SA -
Temos um orçamento que ronda os 400 mil dólares para realização da feira. Este valor tende a aumentar, depende do interesse das empresas em participar.

JA - Estão a mobilizar as empresas nacionais?

SA -
Apelamos às empresas angolanas para participarem em força. O mercado não é só para as empresas estrangeiras. Hoje também já temos empresas angolanas que estão a desenvolver melhores práticas ambientais ainda desconhecidas e esta feira é uma oportunidade para mostrarem essas práticas. Dizemos às nossas empresas para aproveitem esta oportunidade. É importante que estejam presentes e que contactem com potenciais fornecedores de produtos que podem ser importantes para introduzir no nosso processo de fabricação e produção de forma a protegermos o ambiente.

Feira do Ambiente mostra tecnologias

A Feira Internacional do Ambiente em Angola vai mostrar equipamentos, serviços e tecnologias ambientais entre os dias 26 a 29 de Maio, em Luanda, nas instalações da Feira Internacional de Luanda (FIL) e é uma realização do Ministério do Ambiente e os seus parceiros.
A feira vai permitir a redefinição do posicionamento de Angola no contexto internacional onde ambiciona conquistar uma posição de destaque e de referência na área do ambiente.
O Ministério do Ambiente pretende, com a feira, identificar as tecnologias adequadas à protecção ambiental. Para isso, vão estar em exposição novos produtos, serviços e tecnologias ambientais, ao mesmo tempo que se pretende tornar a feira no ponto de encontro, em África, dos mais destacados profissionais, com o propósito de comunicar benefícios e partilhar boas práticas.
A feira conta com o apoio do Executivo e a participação de fornecedores de soluções, utilizadores de tecnologias, investidores de vários países, além de institutos académicos. Surge no seguimento da crescente aposta nas políticas ambientais que se reflecte no investimento de 2,2 milhões de dólares no sector e nos compromissos assumidos pelo Executivo a nível internacional com o Protocolo de Kyoto ou a Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.
A feira é o reflexo da importância crescente das tecnologias ambientais em Angola. A introdução de novos produtos, serviços e tecnologias ambientais vai funcionar como um grande estímulo à economia, através da criação de novas empresas e postos de trabalho.
Desta forma é aliada a melhoria ambiental à melhoria de qualidade de vida das populações, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Angola. Este é um dos principais objectivos do Ministério do Ambiente ao promover a feira.
A "Feira Ambiente Angola" é dirigida a um vasto conjunto de investidores, visando envolver os empresários nacionais e internacionais e a população angolana num mesmo objectivo: tornar Angola mais verde.     

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