Entrevista

Ernesto Muangala ao "Jornal de Angola"

Joaquim Aguiar| Dundo

A província da Lunda-Norte comemora hoje 35 anos desde que foi elevada à categoria de província. O governador Ernesto Muangala está satisfeito com os resultados do programa de combate e em entrevista ao Jornal de Angola garantiu que hoje a Lunda-Norte é auto-suficiente em produtos agro-pecuários.

Governador Ernesto Muangala está satisfeito com os resultados no combate à pobreza na Lunda-Norte que hoje completa mais um aniversário
Fotografia: Benjamim Cândido

A centralidade do Dundo, com mais de cinco mil fogos, “é brilhante e verde”, disse o governador em entrevista exclusiva.

Jornal de Angola - Que avaliação faz do programa de combate à pobreza?

Ernesto Muangala -
Fazemos uma avaliação positiva na execução do Programa Municipal Integrado de Combate à Pobreza. A Lunda-Norte foi das províncias que mais se destacou em 2012, com 97 por cento na execução do programa, superada apenas pela província do Moxico. Melhoraram os serviços essenciais básicos, como a água, saúde, educação e energia.

JA - A produção agrícola está a aumentar?

EM -
Hoje a Lunda-Norte já não depende da República Democrática do Congo ou de outras províncias do país para o abastecimento das populações em bens alimentares. Produzimos muita mandioca e muito milho. Saem todos os dias toneladas de mandioca e fuba de bombô dos municípios de Capenda Camulemba e Xá Muteba para Malange e Luanda. A fazenda agro-pecuária da Cacanda está a produzir ovos, carne e hortícolas, abastecendo o mercado local e as outras províncias.

JA - O que representa a reabilitação das duas principais vias rodoviárias?

EM -
A Estrada Nacional 180 permite a ligação rápida entre Dundo,Lucapa, Saurimo e Luena. Com a Estrada Nacional 230, que liga a Malange, N’Dalatando e Luanda., os 1350 quilómetros que separam o Dundo da capital passam a ser percorridos em muito menos tempo. As duas vias ficam concluídas até ao final do ano.

JA - Quando fica concluída a Estrada Nacional 225?

EM -
A Estrada Nacional 225, entre Dundo, Cuilo,Caungula, Cuango e Xá Muteba, com 540 quilómetros, vai ser asfaltada pela primeira vez. Tem 11 pontes e 15 pontões que foram destruídos durante a guerra. A conclusão da reconstrução desta estrada é vital para o rápido desenvolvimento dos municípios do Cuilo, Caungula, Cuango e Xá Muteba.

JA - Como estão as obras no aeroporto do Dundo?

EM -
A primeira fase das obras de reabilitação do aeroporto do Dundo já foi concluída. Estão por iniciar os trabalhos da segunda fase, que incluem a intervenção na pista e o seu alargamento. Aspectos técnicos estão a condicionar a continuação dos trabalhos, na base do relatório da Empresa Nacional de Navegação  Aérea (ENANA) e do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAVIC) quanto à localização ou posicionamento dos dois edifícios em construção pela AAA no Dundo, destinados a hotéis e que ficam a menos de dois quilómetros da cabeceira da pista. Já convidamos o ministro dos Transportes e a administração da AAA para avaliarmos esta situação.

JA - Que acções concretas estão a ser realizadas para a juventude?

EM -
A maioria das acções contidas no Programa de Governação do MPLA está virada para a Juventude. Foi nessa base que o Governo Provincial da Lunda-Norte decretou 2013 como o Ano da Juventude. Realizamos em Abril o primeiro encontro provincial, auscultamos os jovens de todos os municípios e em conjunto identificamos as prioridades a serem executadas na Lunda-Norte até 2017. Vamos realizaremos pela primeira vez na nossa província a Feira Provincial de Emprego, com a  participação da ENDIAMA, e nossa parceira inseparável, departamentos ministeriais.

JA - Que avaliação faz da modernização da cidade do Dundo?

EM -
Fazemos uma avaliação positiva. Há melhorias no abastecimento de água. Até ao final do ano é uma das cidades de Angola com mais energia eléctrica e melhor iluminada, com a nova central térmica de 30 megawatts. A Cidade Verde e Brilhante tem 5004 apartamentos modernos, uma escola com 50 salas de aulas, um hospital com 100 camas, um infantário para 900 crianças. Estão em conclusão as obras de reabilitação e ampliação do Hospital Central do Dundo e do Sanatório de Sacavula. Construímos escolas e habitações sociais.

JA - A nova centralidade quando recebe os primeiros habitantes?

EM -
A nova centralidade aguarda pela conclusão dos sistemas de abastecimento de água e de energia eléctrica. Só depois é marcada a data da sua inauguração. O mais difícil ficou para trás, que foi construir, em três anos, a centralidade que nos orgulha a todos. Valeu o esforço de todos.

JA - Que avanços se registaram no sector produtivo?

EM -
Com a normalização dos preços dos diamantes no mercado mundial, sector diamantífero província da Lunda-Norte melhorou significativamente, se compararmos com os anos de 2008, 2009 e 2010. Aumentou a produção, diminuiu o desemprego, aumentou consideravelmente a quota financeira resultante dos nas províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico. A população da província da Lunda-Norte beneficia com as acções no sector diamantífero, com mais emprego e melhores condições sociais.

JA - Qual é a vantagem dos acordos assinados com o Cassai Ocidental?

EM -
Podemos destacar que pela primeira vez se registou a saída voluntária de 68.400 imigrantes ilegais, maioritariamente da RDC. A parte congolesa comunicou-nos muito recentemente que os seus dados apontam para mais de 90 mil cidadãos que abandonaram voluntariamente o território da Lunda-Norte. Este quadro permitiu que sejam abertos os postos fronteiriços de Itanda (Cambulo) e Tchissanda (Chitato).

JA - A fronteira da Lunda Norte tem alguma especificidade?

EM -
A fronteira da Lunda-Norte, com 770 quilómetros de extensão, não está oficialmente aberta. Os postos de Itanda e Tchissanda vão ser os primeiros.

JA - Que acções estão previstas para o futuro?

EM -
Este mês, vamos visitar Bandundu, a convite das autoridades desta província da RDC. Estamos a trabalhar com os nossos irmãos há pouco tempo. Começámos em Abril do ano em curso, quando foram assinados memorandos de cooperação, colaboração, troca de experiências nas áreas de saúde, educação e ensino superior, agricultura, geminação entre cidades e municípios. Estamos a demonstrar que na base do diálogo é possível o entendimento.

JA - Como reagiram as autoridades da RDC à saída voluntária dos seus cidadãos que viviam ilegalmente na Lunda-Norte?

EM -
As Autoridades congolesas agradeceram e louvaram o gesto de humanismo, irmandade e fraternidade das autoridades angolanas no repatriamento voluntário dos seus cidadãos, pelas condições logísticas e materiais criadas, ao ponto de permitirmos que imigrantes ilegais retornassem aos seus países de origem com os seus bens, incluindo automóveis, e recursos financeiros adquiridos na ilegalidade.

JA - O que pensa da greve dos professores e dos distúrbios no Cuango?

EM -
Na Lunda-Norte não há greve de professores. Registamos desde 27 de Maio a paralisação de aulas em algumas escolas primárias nos municípios de Chitato, Lucapa e inicialmente no Cuango. São pessoas identiticadas com o Simprof, mas ao serviço de forças políticas que no passado recente destruíram escolas, raptaram e mataram professores. Hoje querem aparecer como salvadores da pátria, mas hoje a realidade na Lunda-Norte é outra.

JA - A realidade é outra em que sentido?

EM -
As estradas nacionais e secundárias estão a ser reabilitadas, ganhamos uma nova e moderna centralidade comparada com a de Lu­anda, foram construídas escolas, hospitais, centros e postos de saúde, a província é sede da Reitoria da Universidade Pública Luegi A’Nkon­de, com as faculdades de Direito e de Economia. Temos escolas superiores no Dundo e Cuango. As ruas do Dundo, Nzaji e Lucapa estão a ser asfaltadas. A água potável e energia eléctrica já não são problemas para as populações. A pobreza foi combatida com a aposta na agricultura.

JA - Essa aposta está a dar resultados previstos?

EM -
Os resultados são excelentes. Aponto a Fazenda Agro-Pecuária de Cacanda, o Projecto Calonda no Lucapa, estudos e projectos para o cultivo de arroz no Nordeste, Cambulo e Capenda Camulemba, plantação de seringueiras ou borracheiras no Dundo e Lucapa, para servirem de alternativa ao período pós-diamantes. É assim desde 2008, quando foi aprovado o Programa de Curto e Médio Prazo para a Lunda-Norte. Estamos a preparar o futuro para os nossos netos e bisnetos, com mais trabalho, disciplina e rigor.

JA - E quanto aos acontecimentos do Cuango?

EM -
Em relação aos assassinatos de mulheres nas lavras do Cuango, trata-se de um assunto da Justiça. Há autores de actos do género no Cuango julgados e condenados e outros também serão julgados e condenados. Deixemos a Justiça trabalhar e que os políticos não interfiram no processo, não se precipitem em tirar aproveitamento político. Somos um Estado Democrático e de Direito, onde o princípio da legalidade, estabelecidos na Constituição, impera e, por isso,  acreditamos na Justiça.

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