Entrevista

Executivo está atento aos antigos combatentes e veteranos da pátria

Victorino Joaquim e Fula Martins |

O presidente de direcção da Liga de Veteranos de Guerra de Libertação de Angola (Livega), tenente-general Cristóvão Quina, garantiu que a defesa da dignidade dos antigos combatentes e veteranos constitui uma preocupação constante da instituição.

Fotografia: José Cola|Edições Novembro

Em que contexto histórico surge a Livega?

A Livega surge no âmbito de libertamos o país e sermos independentes. E conseguimos, devido ao sacrifício de muitos nossos compatriotas.

Inicialmente, quais eram os propósitos da instituição?

Havia a necessidade de aglutinar os antigos combatentes de modo a garantir, efectivamente, a sua participação efectiva na sociedade civil e atribuir-lhes o reconhecimento pelo empenho e patriotismo à causa justa do povo angolano. Mas, devo aqui reforçar que a defesa da dignidade dos antigos combatentes do MPLA, UNITA e da FNLA constitui uma preocupação constante da instituição, bem como o contínuo processo de recenseamento e controlo para uma melhor planificação. Os propósitos continuam a ser os mesmos: trabalhar para ajudar os antigos combatentes sem nenhuma discriminação.

Com que apoios a instituição conta actualmente?

Somos parceiros estratégicos do Executivo no processo de reintegração social dos antigos combatentes e respectivas famílias. Prova disto, todas as questões relativas à mitigação dos problemas que se colocam aos antigos combatentes são conduzidos com a colaboração governamental. O processo de inclusão, inserção e reintegração social dos associados exige um trabalho aturado e uma planificação concertada das instituições do Estado e não só.

Quantos associados controlam a nível nacional?

Actualmente, contabilizamos 5.049 associados, oriundos do MPLA, da UNITA e da FNLA. Importa referir que estamos representados em todas as províncias do país, embora se reconheça que as condições não sejam ideais do ponto de vista das infra-estruturas.

Pode  descrever os tipos de projectos que estão em execução para a melhoria da condição dos antigos combatentes?

Os tipos de projectos que estão em execução para a melhoria da condição dos antigos combatentes são vários. Desde a reabilitação de residências para antigos combatentes, nas diversas províncias, ao projecto de formação profissional, pesca, agricultura e assistência social às viúvas e seus familiares.

Em que províncias os projectos são mais visíveis?

Temos inúmeros projectos em fase de dinamização devido à conjugação do trabalho conjunto com os governos provinciais. Os mais visíveis estão localizados nas províncias de Benguela, Cabinda, Cuanza-Sul, Huambo, Namibe e Uíge. Em resumo, são diferentes projectos em execução um pouco por todo o país para os antigos combatentes, associados da Livega.

A integração dos beneficiários aos projectos obedece a algum critério específico?

A nível do campo, não existem muitos requisitos. A integração dos beneficiários aos projectos obedece a alguns critérios específicos. Neste particular, aqueles que não são antigos combatentes, descendentes e viúvas dos antigos combatentes não podem beneficiar deste projecto e também estão a merecer um critério para a sua inscrição.

E em relação à aquacultura?

Em relação ao projecto de aquacultura, ainda não foi implementado devido à exiguidade de verbas. Tão logo nos sejam disponibilizadas as verbas, o projecto vai arrancar. É um projecto em carteira que aguarda pela sua execução.

A questão educacional tem merecido o devido acompanhamento?

Inicialmente, tem merecido o devido acompanhamento, sobretudo pelo Ministério dos Petróleos.

Para quando o início do programa habitacional?

Tão logo o Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, órgão no qual estamos inseridos, autorize, arrancamos com o programa de reabilitação de residências dos antigos combatentes, descendentes e viúvas.

Porque é que a condição de vida dos antigos combatentes ainda impõe muitos desafios?

São de facto muitos os desafios. Entre eles, está a morosidade no pagamento dos subsídios. Acontece que o Executivo disponibilizava os valores para o pagamento dos antigos combatentes, mas só aqueles que tomavam conhecimento recebiam, enquanto os que tomavam conhecimento tardio ficavam sem esse subsídio. A condição de vida dos antigos combatentes não pode continuar em risco, porque foram eles que cumpriram com a sublime missão de combater e libertar o país do jugo colonial.

E quanto às reformas?

Para evitar essa questão, vamos cadastrar e, tão logo concluirmos, vamos trabalhar com a direcção do ministério no sentido de inserir aqueles guerrilheiros que não conseguiram entrar no sistema. Todos reformados procuram produzir o suficiente para auto-alimentar-se.

Existe um prazo para que isso seja feito?

Estamos a trabalhar, na verificação dos processos individuais dos associados com vista a impedir a entrada dos aproveitadores que sempre estão à espreita. Todos os antigos combatentes são reformados e vitalícios.

  "A pátria sempre reconhece os seus melhores filhos"

Ao longo desses anos todos, tem sido satisfatório trabalhar em prol dos antigos combatentes?

Sim. Tem sido satisfatório o trabalho desenvolvido pela liga em prol dos antigos combatentes. Se bem que ainda falta muito para se fazer, para tirar da miséria e penúria em que se encontram muitos daqueles combatentes que perderam a sua juventude em prol do país.

O que pensa da construção de um monumento em homenagem aos veteranos de guerra?

A pátria sempre reconhece os seus melhores filhos e neste contexto é preciso destacar o Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Um monumento aos veteranos de guerra é sempre uma honra a memória de todos os que lutaram para defender o país da ocupação colonial.

O que têm feito para cedência de crédito aos antigos combatentes junto dos bancos comerciais?

O  Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, enquanto responsável pela execução de políticas do Executivo neste domínio, tem realizado um vasto programa de acções, do qual se destacam a reformulação e consequente adequação da legislação. Do programa, consta  a criação de condições para a promoção de iniciativas viradas para o mercado formal e informal de emprego através de micro e pequenos projectos individuais ou colectivamente organizados. Os apoios e assistência social, a criação de condições para acomodação dos antigos combatentes em situação de vulnerabilidade, são acções do programa estratégico criado pelo Ministério. Com o intuito de cumprir com os objectivos preconizados, a Livega presta apoio jurídico aos seus associados nas questões resultantes da sua actividade associativa e profissional, representa e defende os associados, bem como os seus dependentes e familiares junto dos órgãos  de soberania.

PERFIL

Cristóvão Quina "Kudya Kubanza"

É tenente-general das FAA na reforma.
Presidente da Liga dos Veteranos de Guerra de Libertação de Angola (Livega) desde a sua fundação em 1992.
Tem 71 anos de idade, é solteiro.
Fala português, francês, kikongo e lingala.
Nasceu no Negage, província do Uíje. O último livro que leu intitula-se ‘Nacionalista’ de João Pedro Ganga.

 

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