Entrevista

Feira Mineira abre portas para reactivar o mercado

João Dias|

Após um interregno de três anos, a Feira Internacional de Minas de Angola (FIMA) volta a ser realizada, numa parceria da Feira Internacional de Luanda (FIL) com o Ministério da Geologia e Minas e da Indústria. A decorrer a partir de hoje, até ao próximo dia 25 do corrente mês, sob o lema "Pela diversificação da Economia o foco é: Relançamento do Sector Mineiro de Angola", pretende dinamizar um sector que sofreu um forte revés por causa da crise económica e financeira mundial.

Gestor da Feira Internacional de Minas
Fotografia: José Soares

Após um interregno de três anos, a Feira Internacional de Minas de Angola (FIMA) volta a ser realizada, numa parceria da Feira Internacional de Luanda (FIL) com o Ministério da Geologia e Minas e da Indústria. A decorrer a partir de hoje, até ao próximo dia 25 do corrente mês, sob o lema "Pela diversificação da Economia o foco é: Relançamento do Sector Mineiro de Angola", pretende dinamizar um sector que sofreu um forte revés por causa da crise económica e financeira mundial. O objectivo da FIMA é contribuir para a retoma da confiança dos investidores no sector, disse ao Jornal de Angola o gestor da FIMA, Francisco Sousa. Considerada a maior feira mineira da África Austral, tem como missão promover as potencialidades do país na exploração de diamantes, ouro, granito e rochas ornamentais, entre outros recursos.

Jornal de Angola - Qual é a importância desta feira para a economia nacional?

Francisco Sousa -
O impacto desta feira reside no facto de apelar à necessidade de relançamento e até fortalecimento do sector mineiro em Angola. Temos a missão de contribuir para este grande processo de relançamento do sector, já que concorre fortemente para a diversificação da economia e do próprio sector em si. O que pretendemos com a realização da Feira Internacional de Minas é mostrar que é possível, por via de parcerias e bons investimentos, tornar o segmento das minas numa alavanca dinamizadora da economia angolana. Quando falamos de minérios, fala-se mais de petróleo e diamantes. É bom que venhamos a falar de outros minérios e o país tem uma diversidade enorme, já que há também necessidade de diversificar o que o sector produz.

JA - Existem condições para se partir para esta direcção?

FS -
Temos muitas áreas inexploradas no momento. Por isso, é intenção do Ministério revitalizar o sector e ultrapassar os problemas decorrentes da crise no mais curto espaço de tempo. Este é um sector que precisa de parcerias fortes e sólidas. A realização de feiras do género e dirigidas ao sector têm este fim. Elas servem sempre para deixar um recado de que existem condições para investimento em Angola. Há mais de 80 empresas disponíveis para expor no recinto da FILDA, o que é para já um bom sinal.

JA - O que será exposto nesta feira?

FS -
Em termos de exposição de minérios, teremos não só diamantes mas também o ouro, fosfato, rochas ornamentais, areia e outros.

JA - A feira promete ser favorável a este sector?

FS -
Penso que sim. O quadro de inscrições já é revelador de que teremos o recinto e os stands muito bem preenchidos. É sinal de que as empresas que operam no sector começam a procurar repor os níveis de confiança abalados por força da crise económica e financeira mundial.
Esta terceira edição supera as anteriores, embora se realize após um interregno de três anos. O processo de relançamento depende, em certa medida, da retoma da confiança dos investidores. Daí haver necessidade de reiterarmos a mensagem de que é possível investir neste segmento em Angola, para que o sector dê os passos necessários para o seu crescimento. Depois da crise, houve uma quebra no crescimento. A feira pretende trazer o dinamismo de volta. Muitas empresas fecharam. Queremos que elas reabram e incentivem os investidores a voltarem a ter confiança.

JA - Há dinamismo e vontade da parte das empresas angolanas?

FS -
Claramente. Prova disso é que superámos os números de 2008, o que revela a vontade das empresas em se unirem para contribuírem para este segmento da economia. Temos tido uma boa resposta das empresas nacionais aos apelos da organização da FIMA. Um dos objectivos da feira é o de fortalecer as empresas nacionais a voltarem aos tempos de prosperidade do sector.
Cerca de 60 por cento das empresas participantes são angolanas. Isso é bom para o sector. Temos mostrado a importância das parcerias e desenvolver o sector de minas no país. Temos potencial e a resposta ao nosso apelo tem sido positiva.

JA - As empresas angolanas estão bem representadas?

FS -
Estamos bem neste sentido. Nesta edição, a maior parte das empresas expositoras são angolanas. Mas sabemos que elas têm sempre colaboração de empresas estrangeiras. O objectivo é reunir o máximo de empresas angolanas e fazê-las pensar que é possível investir e apostar num sector tão importante quanto outros para a economia. Queremos um sector bem constituído e arrumado.

JA - Como imagina o sector nos próximos anos?

FS -
O país está em fase de crescimento acelerado. As vias de acesso vão sendo reconstruídas. O sector tem de trabalhar nas perspectivas traçadas. Os portos estão abertos, os comboios vão assumindo o seu papel e as telecomunicações também. Há uma série de infra-estruturas muito bem preparadas, que vão suportar e até contribuir para o crescimento do sector. Com tudo isso, os resultados não podem ser outros, senão positivos. Com as condições criadas, o sector mineiro vai crescer com certeza. O novo Código Mineiro traz vantagens para o sector e o seu desenvolvimento, na medida em que vai facilitar o processo de investimento, tornando-o bastante competitivo.

JA - Há como evitar a exportação de matérias-primas no seu estado puro?

FS -
Este é um problema com que muitas empresas se debatem no país e em África. Esta feira vai delinear o que deve ser feito no futuro. Nesta feira, vamos reflectir estas questões, pois entendemos que é preciso mudar o rumo do sector. Por isso, vamos procurar trocar experiências e adoptar modelos de sucesso de uma para outras empresas.

JA - As empresas angolanas têm dado alguns passos neste sentido?

FS -
Relativamente a Angola, tem havido, até agora, um esforço do Executivo em fazer com que o sector mineiro melhore as suas performances. Pretende-se que se criem as condições para que não sejamos vendedores de simples matérias-primas. Precisamos que a nossa indústria se torne dona de toda a cadeia produtiva. Isso leva o seu tempo mas é possível. É preciso que existam investidores capazes de mobilizar e alavancar a actividade do sector. A intenção é tratar o mineral aqui. Desde a extracção até ao produto final que chega ao consumidor. Vamos mostrar que é possível dar estes passos internamente com o controlo da cadeia de produção.

JA - Há objectivos muito bem definidos para a FIMA?

FS -
Com a FIMA pretende-se ainda incentivar e promover o investimento com a reactivação e relançamento da produção diamantífera e do sector mineiro de Angola. A partilha de conhecimento, envolvendo membros das associações do sector e os seus agentes económicos e a apresentação à sociedade do plano estratégico para o sector são outros dos objectivos da realização da feira.

JA - A feira tem também uma dimensão pedagógica?

FS –
Aqui, as universidades são chamadas a participar a nível de visitas guiadas para que tenham uma ideia do que é o sector mineiro em Angola. Há convites para todas as escolas. Para esta feira, a organização reúne, em dois pavilhões, mais de 80 empresas expositoras, numa área bruta de seis mil metros quadrados. E tem como parceiros estratégicos a Endiama, Sodiam, Catoca e Ferrangol.

Lei de Minas


Com o novo Código Mineiro, o sector de minas em Angola tem criadas as condições para assistir ao aumento dos investimentos e estabelecimento de parcerias. A actual Lei de Minas tem notáveis vantagens face a anterior em muitos aspectos, com realce para os contratos, que eram celebrados para cada uma das fases de produção: prospecção, exploração e comercialização. 
Ao falar sobre a nova Lei de Minas, que espera por aprovação na especialidade, o ministro da Geologia e Minas e Indústria, Joaquim David, explicou que uma actividade mineira obedece a três fases, que passam pela prospecção, exploração e comercialização.
"A lei anterior proporcionava três contratos. Um de prospecção, um de exploração e outro contrato de comercialização. Isto quer dizer que quem fizesse a prospecção, não tinha a certeza se lhe davam o direito para os passos seguintes", lembrou, numa visita efectuada às inntalações e zonas de exploração da De Beers, na Lunda Norte. 
Esta nova lei, explicou, prevê um contrato único. "A empresa que faz a prospecção passa, à luz da nova lei, a ter o direito à exploração e à comercialização". 

Tempo

Multimédia