Entrevista

Fundo Monetário destaca avanços

Filomeno Manaças |

Uma Missão do Fundo Monetário Internacional, liderada por Ricardo Velloso, esteve em Luanda entre 1 e 14 de Julho para as discussões associadas à Consulta de 2014 ao abrigo do artigo IV. 

Ricardo Velloso chefiou a missão de avaliação do desempenho da economia angolana
Fotografia: Dr

O chefe da missão do FMI manteve encontros com o ministro das Finanças, Planeamento, Economia, Governador do Banco Nacional, funcionários do Governo, parlamentares, representantes das empresas públicas e do sector privado. No último dia a missão manteve um encontro com o ministro das Finanças, Armando Manuel. O Jornal de Angola esteve à fala com Ricardo Velloso sobre os resultados da missão.

JORNAL DE ANGOLA - Que avaliação faz desta visita de trabalho do FMI?

Ricardo Velloso - Foi uma visita muito produtiva, estivemos aqui em Angola por uma período de duas semanas, analisando a evolução da economia no curto prazo e também as suas perspectivas a médio prazo.
Tivemos relações muito produtivas com as autoridades económicas do país, que estiveram muito abertas nas discussões com o Fundo Monetário Internacional, saímos daqui com uma impressão excelente do que está a ser feito e também sobre os planos para o futuro.
Angola é um país que está a investir muito na melhoria das suas infra-estruturas físicas e de capital humano e eu tenho certeza que isso trará frutos muito positivos no futuro.

JA - Em relação ao ambiente macroeconómico que encontrou, que leitura faz?

RV - É uma leitura muito positiva. Como todos sabem, a taxa de inflação está  a baixar  a níveis históricos. Há crescimento económico. Há algumas dificuldades este ano com o sector petrolífero, mas o sector não petrolífero tem tido taxas de crescimento relativamente importantes e projectamos que as acções devem continuar, dado que o plano do Governo continua a facilitar o clima de negócios, por exemplo, reduzindo os seus prazos para abertura de novas empresas no país.
Eu acho que saímos daqui com muito optimismo. As reservas internacionais do país também estão a um nível bastante adequado e isso é muito importante, especialmente para uma economia como a angolana que  ainda depende muito do petróleo como fonte de receita de exportação e também como fonte de financiamento do orçamento.

JA - Que significado tem o Artigo IV para as relações entre Angola e  FMI ?
/>RV - Isso representa um grande avanço. Como todos sabem Angola teve um programa de apoio financeiro de 2009 a 2012, um período de monitoramento ­­pós-programa que terminou há poucos meses. Isso é um regresso à relação mais normal do FMI com os seus países membros, como é o caso de Angola.
Essas consultas anuais são muito produtivas para a troca franca de opiniões construtivas. Nós nunca vamos saber tanto sobre Angola como os próprios angolanos. Nós trazemos a experiência de outros países, o que funciona bem e o que não funciona bem e Angola pode, dentro dessa troca de opiniões, usar as experiencias e não cometer, digamos assim, os mesmos erros que outros países cometeram.

JA - E quanto à transparência nas Finanças Públicas?

RV - Quanto à transparência nas Finanças Públicas, Angola tem avançado bastante. Há mais disponibilidade de informação sobre as empresas. O Banco Nacional de Angola tem melhorado muitíssimo em termos de governança e de comunicação do mercado. Nesta área o governo está a empenhar-se. Recomendamos, por exemplo, a continuidade da publicação de dados sobre o Orçamento, fazendo relatórios trimestrais, distribuindo por períodos mais previsíveis.

Artigo IV

Secção 1 . Obrigações gerais dos membros.

Reconhecendo que o propósito essencial do sistema monetário internacional é estabelecer um enquadramento que facilite as trocas de bens, serviços e capitais entre os países, que isso facilita um crescimento económico sólido e que um objectivo principal é o contínuo desenvolvimento das condições subjacentes estáveis para a estabilidade financeira e económica, cada membro compromete-se a colaborar com o Fundo e os outros membros para assegurar compromissos de trocas estáveis e a promover um sistema estável de taxas de câmbio. Em particular, cada membro deverá: procurar dirigir as suas políticas económicas e financeiras.

Secção 2. Acordos gerais de câmbios.

Secção 3. Vigilância dos acordos de câmbios.

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