Entrevista

Joana Ferreira e os nossos pés

Helma Reis

Joana Ferreira é podóloga e trabalha na Clínica Sagrada Esperança. Em entrevista ao Jornal de Angola fala das principais doenças que podem afectar os nossos pés e como tratá-las ou evitá-las. A escolha dos sapatos é fundamental.
E os diabéticos devem ter cuidados redobrados para não fazerem infecções nos pés.

Fotografia: Jornal de Angola

Qual é o problema mais comum nos pés ou nas unhas?
Os problemas mais comuns são as micoses nas unhas, que têm uma grande facilidade de contaminação através de instrumentos que não são esterilizados adequadamente. Em segundo lugar estão as lesões por agentes mecânicos que são os chamados calos e calosidades, muito comuns em consequência de algumas deformidades notáveis como os joanetes, dedos em garra, que são causados por uso de sapatos inadequados. Essas deformidades ocorrem porque alteram a área de atrito na sua marcha ou mesmo quando as pessoas estão paradas. Isso faz com que cresça uma camada espessa e forma-se o calo. Existem muitos casos de unhas encravadas e que chegam aqui em estado muito avançado tornando mais complicado e doloroso o tratamento.

Que cuidados Básicos devemos ter com os pés?
De uma forma geral, os cuidados são mais para o corte de unhas, na medida em que cada pessoa tem o seu tipo de unha, umas têm curvatura normal e outras têm a curvatura anormal. Quando a curvatura é anormal as pessoas podem ficar com as unhas encravadas. O corte das unhas deve ser feito de forma recta. Entre os dedos, não deve ser posto creme para não ocorrerem fungos e infecções.

A escolha dos sapatos é essencial para manter a boa saúde dos pés?
É sem dúvidas essencial a escolha dos sapatos. O salto alto provoca cansaço e deformação dos pés. As pessoas devem perceber que o salto alto pode ser usado, mas não de forma continua. É muito importante o uso de sapatos adequados.

A troca frequente de sapatos é uma boa opção para prevenir doenças?
Não é a troca frequente de sapatos que vai prevenir doenças. O que não deve ser feito é partilhar sapatos com outras pessoas. Tudo porque, se a outra pessoa tiver micoses, pé de atleta e outras doenças, pode passar a doença a quem usar os seus sapatos. A troca de sapatos é importante no caso de pessoas diabéticas, para não permitir que o pé ganhe formas muito específicas. Os diabéticos quando têm problemas mais graves, precisam de sapatos com solas de borracha e o resto em pele para que não haja costuras que causem danos aos pés.

Quando é que devemos procurar um podólogo?
De uma forma geral, quem não tiver um problema específico deve fazer uma visita espaçada como forma de prevenção. No caso de pessoas com doenças devem procurar o podólogo com regularidade e sempre que tenham dor, alguma mancha, formigueiros, deformações e pequenas feridas. É importante actuar a tempo porque podem surgir problemas mais graves.  

Até que ponto a podologia é vantajosa para doentes com diabetes?
É essencial a intervenção de um podologista no pé diabético. Ainda existem pessoas que não dão muita importância ao podólogo, mas se não tiverem cuidados especiais podem ser os próximos amputados. Nós interferimos muito nesta parte porque somos responsáveis pela prevenção. Há pouca informação sobre a existência destes serviços no país, mas de uma forma geral têm aparecido casos de unhas encravadas, verrugas e paralisia infantil. Embora seja um serviço novo o registo diário é de cinco novos casos.

Existe risco de transmissão?
O nosso corpo é capaz de resistir a infecções fúngicas, mas ocasionalmente quando as condições são propícias, os fungos desenvolvem-se e atacam a nossa pele, originando o pé de atleta. É mais frequente o contágio em locais como piscinas e balneários públicos, ou através do uso de toalhas mal lavadas ou contaminadas. O ambiente quente, húmido, fechado e escuro que algum calçado proporciona é favorável ao desenvolvimento dos fungos, como é o caso das sapatilhas ou ténis de desporto.

Quais são os sintomas do pé de atleta?
Normalmente os sintomas são comichão, dor, maceração, descamação e gretas interdigitais, secura e ou fissuras nos bordos laterais dos pés, inflamação e vermelhidão da pele. Se a pele não for tratada pode continuar a abrir fissuras e rachas, podendo levar a um grande desconforto, dor e um cheiro desagradável. Uma das complicações mais frequentes do pé de atleta é o contágio do fungo nas unhas, que pode ocorrer se o problema não for tratado. Esta alteração nas unhas chama-se onicomicose e leva à alteração da cor, trajecto, espessura e formato da unha.

Como prevenir o pé de atleta?
Existem hábitos que devem fazer parte do nosso dia-a-dia para prevenir o aparecimento das micoses, como lavar os pés todos os dias, com água e sabão neutro, secar os espaços entre os dedos, sem esfregar ou irritar a pele, assim como observar diariamente os pés para detectar precocemente alguma alteração da pele e unhas. Quem transpira muito dos pés, deve usar um pó que controle a transpiração. As pessoas devem observar os pés regularmente e tratar o pé de atleta precocemente para evitar a sua expansão.

O que é o pé de atleta?
O pé de atleta, também conhecido por tinha do pé, é uma infecção comum do pé causada por fungos denominados dermatófitos. Estes fungos podem ser encontrados em diferentes lugares, dentro de casa ou ao ar livre, sendo particularmente comuns em ambientes quentes e húmidos, tais como piscinas, duches, balneários e outras instalações desportivas. O pé de atleta é uma infecção que afecta principalmente as pessoas do sexo masculino.

Quais são os factores de risco?
Os fungos que provocam o pé de atleta concentram-se muitas vezes em locais húmidos e abafados. Existem certos locais que são propícios à transmissão dos fungos. São sítios onde andamos descalços como piscinas, duches, balneários.
 
Qual é o grupo de maior risco?
O pé de atleta pode aparecer em qualquer pessoa e em qualquer idade. No entanto, há grupos em que é mais frequente o aparecimento desta infecção como os desportistas, idosos com problemas circulatórios, o uso de pantufas, camas muito aquecidas, pessoas que caminham muito, operários que trabalham com calçado fechado.

Porque razão o diabético está mais vulnerável às infecções nos pés?
Existem vários tipos de pé diabético e dentro destes existem pessoas que têm uma redução da sensibilidade devido a um mau fluxo do sangue. Nesse caso os diabéticos estão mais expostos a lesões. Como há um baixo fluxo de sangue, o organismo não consegue fazer uma boa cicatrização, porque os vários sinais e sintomas que advêm de uma pessoa diabética são catastróficos. Portanto é muito mais difícil a cicatrização num diabético do que numa pessoa saudável.

Quais são os sintomas de um pé diabético?
Geralmente são alterações de pele e da sua textura, a unha branca e com manchas tem os pés frios devido a débil circulação do sangue que também esta associado com uma baixa de tensão dos sinais do pulso nos membros inferiores.

O que é o pé diabético?
É uma infecção fúngica que acaba por atingir a pele, e é associada com comichão, descamação da pele e odor.

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