Entrevista

“Jornal de Angola” é pioneiro a inovar

Manuela Gomes |

As Edições Novembro celebram hoje o seu aniversário. Há 38 anos a empresa foi nacionalizada. Desde a semana passada, o Jornal de Angola, um dos títulos da empresa, passou a oferecer a tecnologia Realidade Aumentada, que permite activar conteúdos digitais através de um “smartphone” ou “tablet”.

Realidade Aumentada é uma tecnologia que permite activar conteúdos de forma digital através de um smartphone ou tablet bastando apontar para a imagem
Fotografia: M. Machangongo

A partir de um artigo identificado com o ícone, os leitores podem ver vídeos de espectáculos, discursos, músicas, filmes e até jogos.
Para melhor se perceber a dimensão e significado desta verdadeira revolução tecnológica, Hugo Silva, director criativo da Creative Step, empresa responsável pela introdução desta tecnologia no país, explica como tudo funciona.

Jornal de Angola - O que é a Realidade Aumentada?

Hugo Silva
- A Realidade Aumentada (RA) é uma tecnologia que permite activar conteúdos de forma digital, através de um smartphone ou tablet, como vídeos, fotos, weblinks, objectos 3D, músicas, panorâmicas e até jogos ou outro qualquer elemento que nos rodeia, como a página de um jornal, revista, símbolos, imagens, sinais, logótipos. Tudo isso de forma simples. Basta apontar o smartphone para a imagem com conteúdo em RA e descobrir tudo o que há para além daquilo que está impresso.

JA - Como funciona?

HS
- A RA é a possibilidade de aumentar a relação com a realidade que nos rodeia. Tudo depende da criatividade das soluções apresentadas para uma realidade pensada ao pormenor para cada cliente. A nossa missão é tornar a experiência de RA mais intensa e única para os utilizadores/leitores. Qualquer sector de actividade económica pode beneficiar desta tecnologia, aumentar a interactividade com os seus clientes e encontrar novas fontes de receita.

JA - Já existem empresas em Angola a utilizar essa tecnologia?

HS
- Já. O Jornal de Angola é um exemplo e em boa hora este diário reconheceu esta tendência de mercado. É com muito gosto que iniciamos esta parceria.

JA - Como se pode aceder?

HS
- A lógica de funcionamento é muito simples: basta fazer o download da nossa App gratuita Layar (disponível para iOS e Android na internet) e apontar para um elemento identificado com o logo AR da Layar. O que difere depois é o tipo de campanha e as soluções que desenvolvemos para cada cliente específico. É aqui que entra a nossa competência distintiva enquanto especialistas em marketing de RA. Entendemos cada projecto de forma individual e dedicada, e contamos com o apoio privilegiado da rede Layar, com presença em mais de 200 países e 38 milhões de downloads da aplicação realizados até agora.

JA - Quais são os custos de adesão?

HS
- Quando iniciámos este projecto, deparámo-nos com comentários e reacções do género “muito giro e interessante, mas deve ser caríssimo”. A missão da CreativeStep é democratizar a RA através de custos controlados e temos soluções de grande impacto a preços verdadeiramente competitivos. Temos a certeza que a questão dos custos não vai ser um entrave para as marcas nacionais adoptarem este tipo de soluções.

JA - Quais são as aplicações possíveis?

HS
- São inúmeras e não apenas de entretenimento, como se pode inicialmente pensar. A Realidade Aumentada já é utilizada hoje em dia nos mais diversos sectores de actividade económica, desde a saúde, como forma de apoio a cirurgias, reparação mecânica e industrial, no sector automóvel, promoção turística, restauração, bebidas, entre outros. E não estamos a falar de futurologia, existem soluções desenvolvidas para todas as áreas que mencionei. Além disso, a indústria dos serviços vai beneficiar grandemente com esta tecnologia, pois permite uma ligação directa e imediata com os utilizadores. Existem estudos que indicam um aumento de 85 por cento de probabilidades de compra ao visionar um conteúdo em Realidade Aumentada.

JA - Quais são as vantagens imediatas?

HS
- Posso destacar três grandes vantagens. Desde logo, uma redução drástica da distância entre as marcas, os seus produtos e serviços e o consumidor, e com isso a criação de relações directas e interactivas com os utilizadores. Além disso, temos o factor mobile - estatísticas recentes indicam que a maioria das pessoas passa cerca de 97 por cento do tempo em que estão acordadas com o telemóvel smartphone ao alcance da mão e todos nós utilizamos cada vez mais os nossos dispositivos móveis para muito mais do que as simples chamadas do dia-a-dia. A RA acompanha esta tendência, ao permitir agregar conteúdos digitais a elementos do mundo físico. É a ligação imediata do mundo físico ao digital. Tudo isto concentrado no único objecto que está quase sempre ao alcance da nossa mão. Por fim, a RA vem facilitar a vida de todos aqueles que a utilizam. Podemos ver um filme directamente na página, um conjunto de fotos e ainda fazer um link directo ao site de um dos anunciantes.

JA - Como surgiu em Angola?

HS
- Tivemos contacto com esta tecnologia há mais de dois anos. A nível mundial, estavam todos a dar os primeiros passos. Desde logo, percebemos o potencial desta nova tecnologia e investigámos ao máximo a sua viabilidade. Em Outubro do ano passado, fechámos uma parceria estratégica com a Layar e somos actualmente a empresa em Angola certificada para trabalhar com esta plataforma no mercado nacional. Desde então, temos tido uma excelente reacção por parte dos mais diversos sectores em relação às potencialidades que a RA oferece.

JA - Não é cedo para adoptar esta tecnologia no país?

HS
- De todo. Desde o ano passado que a venda de smartphones em Angola ultrapassou a venda dos telemóveis ditos tradicionais. Além disso, a democratização do acesso a dados (Internet) é hoje uma realidade, com a baixa sucessiva do preço dos pacotes. Depois, o angolano é dos povos africanos que mais rápido se adapta às coisas novas. Prova disso é que, desde a nossa entrada, o número de utilizadores activos não pára de crescer e já são mais de dez mil os angolanos que têm Layar instalada no smartphone ou tablet.

JA - Qual o impacto no marketing actual?

HS
- O impacto é enorme. Temos dados que demonstram que a RA já está a mudar a forma como as marcas interagem com os seus consumidores e, mais importante do que isso, a forma como os consumidores valorizam produtos e serviços que tenham RA. Os utilizadores não têm a noção de como daqui a mais dois, três anos, a RA vai fazer parte do seu dia-a-dia. Temos os grandes gigantes da indústria, como a Google, que estão já a apostar nesta tecnologia. Os famosos Google Glasses (Óculos Google), que vão ser uma realidade já este ano, permitem aplicar esta tecnologia, sendo a Layar uma das plataformas que já integram as suas funcionalidades.

JA - Pode explicar melhor o que são os Óculos Google?

HS
- Ainda este ano vamos poder, com esse dispositivo, ler o Jornal de Angola sem ter de apontar o smartphone para a página. Com os óculos da Google vamos poder ver esses conteúdos de forma automática assim que passamos a página. Só este empurrão por parte da Google vai significar muito em termos de consciência de mercado e adesão ao mundo da RA.

JA - O que podem esperar os leitores do Jornal de Angola?

HS
- Os leitores podem esperar, sobretudo, mais e melhor informação. Conteúdos mais completos e interactivos, pois agora têm a oportunidade de complementar a escrita com o imprimir interactivo, que abre um novo e diverso leque de soluções para os leitores, dar vida ao conteúdo estático com vídeos e fotos em slideshow, a possibilidade de realizar sondagens e fazer perguntas directas aos leitores, a­daptar e localizar conteúdos digitais em diferentes línguas, ligações directas a lojas online e sites dos anunciantes, promover partilhas com redes sociais, entre outros. É um verdadeiro novo mundo de opções e estamos muito entusiasmados por fazer parte desta revolução.

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