Entrevista

"Juventude tem todo o apoio do Executivo"

Arcângela Rodrigues |

O Conselho Nacional da Juventude é uma plataforma das organizações juvenis bastante representativa e é o espaço privilegiado para dialogar.

Kikas Machado realçou que houve um grande avanço em relação às associações juvenis
Fotografia: José Cola

Kikas Machado, director nacional para a Política da Juventude do Ministério da Juventude e dos Desportos, que teceu estas considerações em entrevista ao Jornal de Angola, a propósito do dia 14 de Abril, adiantou que “o  país é quase totalmente representado por jovens, logo não é possível a camada jovem não estar representada em todas as instituições”.

Jornal de Angola- A juventude angolana tem recebido  a devida atenção por parte do Executivo e demais órgãos do poder, nomeadamente a Assembleia Nacional?

Kikas Machado - Sim. A juventude angolana tem todo o apoio do Executivo. Se olharmos para os resultados definitivos do censo populacional, que mostram   que a maior parte da população angolana é constituída por jovens, neste sentido uma grande  atenção do Executivo vai para este segmento da população.

Jornal de Angola – Pode falar do Plano Nacional da Juventude?


Kikas Machado
- A aprovação do Plano Nacional de Desenvolvimento para a Juventude é um instrumento criado pelo Executivo no qual constam medidas e políticas de apoio ao desenvolvimento da juventude. Em 2013, para materializar a Constituição e o Plano Nacional de Desenvolvimento para a Juventude foram realizados, por iniciativa Presidencial, encontros de auscultação social para a juventude a nível nacional onde os jovens participaram e apresentaram as suas preocupações e contribuições.

Jornal de Angola- Os ajustes feitos ao Plano Nacional de Desenvolvimento para a Juventude para fazer frente ao contexto actual altera em grande medida o inicialmente proposto. Fale-nos do Programa Operacional adaptado ao Plano Nacional de Desenvolvimento da Juventude.


Kikas Machado
- O Plano Nacional de Desenvolvimento para a Juventude 2014-2017 é um projecto muito ambicioso. Como devem imaginar o país é um mosaico de cultura por isso as expectativas dos problemas dos jovens também diferem.

Jornal de Angola – Quer dizer que as expectativas constam de um programa?


Kikas Machado
– Sim. Por constar tudo num documento surgem vários desafios como o programa de médio prazo, que está sujeito a alterações que a sociedade vive, particularmente do ponto de vista económico. É um programa transversal e enquanto as actividades do Executivo continuarem a ser executadas  as expectativas dos jovens vão ser realizadas neste sentido. É preciso sublinhar que o programa está a ser executado por vários departamentos ministeriais. Como o plano é a médio prazo, realizamos  planos operacionais, cujo objectivo é cobrir períodos curtos com acções imediatas.

Jornal de Angola- A situação da crise económica tem reflexos na situação politica interna. Que atenção tem merecido da Direcção Nacional da Juventude?


Kikas Machado
- Enquanto Direcção Nacional da Juventude cabe a nós fazer estes ajustes e propor ao ministro da Juventude e Desportos ideias e soluções, que respondam às situações do momento, isto é, reajustando o Plano, criar medidas mais objectivas e mudanças de abordagem dos problemas. No quadro do Plano de Desenvolvimento para a Juventude a principal preocupação dos jovens é o emprego e a formação profissional.

Jornal de Angola – Qual é a importância dos centros de formação profissional?


Kikas Machado
- Dados do sistema de monitoria e controlo revelam que a nível do país existem mais de 500 centros de formação profissional desde públicos a privados e neste momento estão a ser feitas recolhas dos dados do ano passado. Ainda dentro do quadro do Plano de Desenvolvimento para a Juventude foi criado, também, o Instituto Angolano da Juventude, que é um instrumento do Executivo ligado aos jovens.

Jornal de Angola- Qual é o verdadeiro alcance de intervenção da Direcção Nacional da Juventude na aprovação de políticas para a juventude?


Kikas Machado
- Quem propõe ao titular do poder Executivo as políticas da juventude é o Ministério da Juventude e Desportos. A Direcção Nacional da Juventude é um órgão interno que apoia o ministro da Juventude e Desportos para melhor enquadrar e desenvolver as políticas e programas da juventude. Com o surgimento do Instituto Angolano da Juventude ficamos mais completos, hoje a arquitetura da política de ­Estado para a juventude inclui o Ministério da Juventude e Desportos, o Instituto Angolano da Juventude, o Conselho Nacional da Juventude e as organizações juvenis. É através destes que dialogamos para actualizar permanentemente os programas para a juventude.

Jornal de Angola -A juventude angolana está devidamente representada a  nível das diferentes instituições?


Kikas Machado
– Sim. Porque o nosso país é quase totalmente representado por jovens, por isso é impossível os jovens não estarem representados em todas as instituições.

Jornal de Angola - Que relações existem entre as diferentes organizações juvenis partidárias no quadro da Direcção Nacional da Juventude?


Kikas Machado
- Em relação às associações juvenis nós fizemos um avanço muito grande a nível do Estado angolano que é o nosso Conselho Nacional da Juventude,  uma plataforma das organizações juvenis bastante representativa e é o espaço privilegiado onde todas as organizações juvenis, incluídas   as organizações politicas, podem dialogar e chegarem de forma consolidada ao Ministério da Juventude e Desportos para dar tratamento às questões de politicas públicas do Estado para a juventude. Embora tenham uma dinâmica diferente, procuramos sempre solucionar as questões da juventude, quer políticas ou não, por igualdade, de modo a promover o equilíbrio entre as diferentes forças do sector da juventude. É no quadro do Conselho Nacional da Juventude que  incentivamos o diálogo permanente com as organizações juvenis e politicas, particularmente aquelas que têm os seus partidos representados na ­Assembleia Nacional. Neste âmbito, em 2014 foi criado um programa denominado   que visa reforçar a capacidade institucional das organizações.

Jornal de Angola - Angola tem uma juventude participativa. O que se pode e deve fazer para incentivar ainda mais a participação da juventude?


Kikas Machado
- O exercício da cidadania e da participação devem ser feitas no quadro do associativismo juvenil. Continuamos a trabalhar para o surgimento de mais organizações juvenis e ao mesmo tempo consolidar o reforço e a capacidade de intervenção das que existem actualmente. O Plano Nacional de Desenvolvimento para a Juventude tem como um dos seus apoios dedicados a participação política e cívica da nossa juventude. Os jovens têm um posicionamento activo aos assuntos do estado. Este ano, para a Jornada Abril Jovem, as acções são desenvolvidas em torno do lema  “Os desafios, as responsabilidades dos jovens e a solidariedade”.

Jornal de Angola - As iniciativas de apoio ao auto-emprego e ao empreendedorismo têm tido o devido seguimento por parte dos organismos responsáveis pela execução desses programas?


Kikas Machado
- Absolutamente. Actualmente existem vários sectores da sociedade a trabalharem nas questões do auto-emprego e do empreendedorismo. Da nossa parte a partir do sistema de monitoria e controlo da juventude avaliamos e direccionamos os jovens, além de termos programas do sector através do Instituto Angolano da Juventude encaminhado. Hoje temos instituições bancárias, Organizações Não-Governamentais e sindicatos que trabalham com empreendedorismo na vida prática dos jovens e estão a dar um grande contributo ao auto-emprego dos jovens e a minimizar as carências dos jovens.

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