Entrevista

Mário Silva fala da TCUL

João Dias|

Com o reforço das rotas urbanas e inter-provinciais, a construção de bases, capacitação de motoristas e criação dos serviços de bilhética, entre outros desafios, a TCUL vai cada vez se revelando pronta para responder as exigências actuais, a expansão da cidade de Luanda e o crescimento populacional.

Director-geral da TCUL garante que o plano de modernização está no bom caminho
Fotografia: JA

Com o reforço das rotas urbanas e inter-provinciais, a construção de bases, capacitação de motoristas e criação dos serviços de bilhética, entre outros desafios, a TCUL vai cada vez se revelando pronta para responder as exigências actuais, a expansão da cidade de Luanda e o crescimento populacional. Em entrevista ao Jornal de Angola, o Director Geral da TCUL, Mário Silva, fala dos desafios da empresa face aos novos tempos em que há o surgimento de novas centralidades, Campus Universitário e demais projectos. Com 2010 trabalhadores, a TCUL perspectiva oferecer um serviço de qualidade à população, numa altura em que conta com uma frota de 300 autocarros, que deve ser elevada para os 400 nos próximos tempos. Existe também a previsão de colocar à disposição dos passageiros autocarros de pequeno porte para fazer linhas curtas no centro da cidade.

Jornal de Angola – Como está a decorrer o processo de reestruturação da TCUL?

Mário Silva -
Estamos numa fase de reestruturação que iniciou em 2009 e com a conclusão prevista para finais de 2013. E está tudo a decorrer conforme delineamos. Neste momento estamos a concretizar tudo quanto foi definido no plano estratégico, que se consubstancia fundamentalmente, no controlo da gestão, finanças e recursos humanos. A TCUL tem um programa vasto de investimentos que passa pela construção de bases a nível dos municípios de Luanda, para poder aproximar os nossos serviços à população. Mas este programa está praticamente paralisado por razões que se prendem com a localização de espaços físicos nos municípios eleitos.

JA – De que municípios se refere exactamente?

MS –
Refiro-me aos municípios de Cacuaco, Belas e do Kilamba Kiaxi. Entretanto, temos uma base provisória no Morro Bento, que tem permitido o desdobramento das nossas operações. Está terminada a base para a inter-provincial localizada no Grafanil e temos em carteira a construção de uma Base de grande dimensão no Zango. Em Luanda, estamos a criar condições para um terceiro turno, que fundamentalmente, vai acudir a situação dos estudantes nocturnos. Os trabalhos estão avançados e vamos entrar no capítulo de encontros com as demais entidades envolvidas, para garantir o êxito desse programa e a segurança dos meios e dos nossos trabalhadores.

JA – O problema da lenta velocidade comercial persiste?

MS -
Temos um grave problema em Luanda que ainda persiste e que reside no tráfego ou circulação. As principais vias estão sempre congestionadas e isso torna a nossa marcha muito lenta. Não se consegue realizar metade das viagens programadas, o que compromete sobremaneira, a possibilidade de transportar mais pessoas. Esperamos que as obras em curso nas estradas de Luanda, venha a melhorar a circulação e o nosso trabalho. No inter-provincial, iniciamos a fase experimental em Abril de 2010. Neste momento já estamos nas províncias do Uíge, Kwanza Norte, Malanje, Benguela, Kwanza Sul, Huambo e Bié. 923730862.

JA – Há solução à vista?

MS –
A baixa velocidade comercial põe em causa a nossa rentabilidade. Além das obras das estradas, está a ser desenvolvido um programa de organização e melhoria do trânsito. Com isso, vamos ter uma circulação ordeira e mais fluida. Uma outra solução, passa pela criação de vias exclusivas para viaturas de emergência e de transportes colectivos, conjugado com outras medidas, nomeadamente, a criação de parques e espaços de estacionamento, recuperação das vias alternativas nos bairros, para evitar que todos tenham que passar pelas vias principais.

JA – O inter-provincial é muito mais exigente em relação aos serviços de transporte urbano?

MS –
É verdade. O inter-provincial é um serviço que requer um amplo nível de organização, para proporcionar ao cliente um serviço de qualidade. É com essa preocupação que construímos a base para dignificar os nossos clientes. Nela poderão encontrar, entre outros serviços de apoio, uma sala de espera, um serviço de comidas rápidas e serviço de internet. Esta é a Base central para o nosso serviço inter-provincial. Vamos criar pólos nos municípios de Luanda para passageiros do inter-provincial.

JA – Enquanto isso, de que modo se têm aguentado?

MS -
Graças a perícia e a força de vontade dos nossos motoristas e demais trabalhadores. Temos vindo a oferecer os nossos serviços à população. Reconhecemos que o nosso trabalho ainda não atingiu o nível desejado. Porém, temos feito tudo ao nosso alcance para cada vez mais melhorá-lo em benefício do nosso passageiro e da empresa. Temos fé que a breve trecho e com a ajuda de todas envolventes, atingiremos a excelência.

JA - O problema da formação dos trabalhadores?

MS –
Face a dificuldade de motoristas que se verificou no início de 2009, tivemos de criar uma escola de condução dentro do nosso centro de formação para os nossos trabalhadores. Felizmente tem estado a decorrer da melhor forma possível. Prova disso é que temos profissionais já capacitados e já não temos dificuldades de motoristas. Temos ainda contribuído para a formação e capacitação de motoristas de outras instituições e empresas públicas e privadas.

JA – Que outros projectos a TCUL tem em execução?

MS -
Temos o projecto de bilhética que vai permitir um melhor controlo da actividade em termos de operacionalidade. Isso vai nos permitir obter os dados, o controlo das viaturas e do combustível, em tempo real. O seu arranque está previsto para o corrente ano. Essa ferramenta vai permitir que o passageiro não compre bilhete no autocarro. Vamos montar um sistema pré-pago, através das lojas ou agentes que serão licenciados para o efeito. O passageiro vai comprar em lojas próprias e recarregar à medida das viagens que pretender.

JA – Que ganhos traz a introdução da bilhética nos serviços da TCUL?

MS -
Evita-se a entrada de dinheiro no autocarro e eventuais furtos ou assaltos, bem como a confusão com os trocos. Nesse programa, vamos assegurar a questão dos passes sociais para idosos, estudantes e portadores de deficiência. Este é um segmento do amplo programa de reestruturação da empresa, que está a decorrer a bom ritmo e tem como objectivo tornar a empresa moderna e eficaz.

JA – A empresa já cobre uma grande parte das rotas, antes impossível?

MS –
A nível do Urbano, operamos em 49 rotas. Isto significa que temos autocarros espalhados em toda cidade de Luanda e arredores. Temos rotas de maior fluidez onde alocamos maior número de autocarros e rotas de menor fluidez. E vamos reforçar algumas rotas.

JA – Que rotas pretende ver reforçadas?

MS -
Com novos autocarros, a TCUL pretende reforçar as seguintes rotas como da Ilha de Luanda\­Largo da Boavista, que tem agora seis autocarros, Mutamba\­aeropor­to (5), Mutamba\S.Paulo (5), Benfica\­Ramiros (6), Gamek\­S.Paulo (13), Gamek\Porto de Luan­da (5), Gamek\Nzamba II (4), Sanatório\­Belas Shopping (8), Sanatório\Nova Vida (6), Nova Vida\Largo das Escolas (5), Aeroporto doméstico\­S.Paulo, Mutamba, Largo do Gamek (6), Mu­tam­ba\Tourada (2), Luanda sul\­Largo das Escolas (6), Cuca\­Capalanga (6) e Lumeje\Benfica via Rocha (20).

JA - Existem mais?

MS -
Foram também reforçadas as rotas do Sanatorio\Benfica (12), Avo Kumbi\Campo Universitário (6), Kero\Vila de Viana (2), Cacuaco\Funda (6), Vila de Viana\ Campo Universitário (6), Divina Providencia\ Kero (3), Largo das Escolas\Capalanga (40), Vila de Viana\­Panguila (10), Benfica\Capalanga (3), Calumbo\Estaçao de Viana (10), Calumbo\Zona Económica Especial (3), Kero\Benfica (2), Benfica\­Praça do Zango I (2) e Camama\­Multiperfil (3).

JA - Com quantos autocarros a TCUL está a operar?

MS -
Temos perto de 300 autocarros a operar diariamente. E brevemente elevamos para 400 autocarros dia. Nesta primeira fase, para os serviços urbanos, a empresa reforçou a sua frota no mês passado com mais cem autocarros o que eleva para o número acima mencionado.

JA – O que acontece aos autocarros avariados?

MS –
São geralmente reparados. Temos nas nossas instalações do Cazenga, uma oficina que faz todo tipo de reparações. Possuímos técnicos preparados, entre angolanos e estrangeiros que no quotidiano vêm emprestando o seu saber na reparação e manutenção dos autocarros.

JA –Perspectivas da empresa?

MS -
Com 2010 trabalhadores, a TCUL perspectiva oferecer um serviço de qualidade à população, prevendo reforçar a frota com autocarros de pequeno porte para fazer ligações no centro da cidade, as chamadas linhas curtas. Pretende criar as bases nos municípios e criar uma sede para empresa. À população, pede-se mais cuidado com autocarros e aos trabalhadores, pede-se para cuidarem da vida humana. Estamos a transportar vidas, o bem mais precioso da humanidade. 

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