Entrevista

Menongue assume compromisso com o progresso

Luzolo Maria |Menongue

A província do Kuando-Kubango, outrora conhecida como “a terra do fim do mundo”, transformou-se nos últimos anos em terra de progresso, com a concretização de vários projectos sociais que estão a mudar a imagem da província. O Presidente José Eduardo dos Santos esteve em Menongue, no dia 16 de Junho, para constatar os desafios de desenvolvimento da região, deixando a esperança à população de que melhores dias vão chegar à província. O vice-governador para a área Política e Social, Pedro Camelo, faz uma análise dos desafios da província para os próximos tempos.

Pedro Camelho enumera os desafios para melhorar o bem-estar das populações
Fotografia: Jornal de Angola

A província do Kuando-Kubango, outrora conhecida como “a terra do fim do mundo”, transformou-se nos últimos anos em terra de progresso, com a concretização de vários projectos sociais que estão a mudar a imagem da província. O Presidente José Eduardo dos Santos esteve em Menongue, no dia 16 de Junho, para constatar os desafios de desenvolvimento da região, deixando a esperança à população de que melhores dias vão chegar à província. O vice-governador para a área Política e Social, Pedro Camelo, faz uma análise dos desafios da província para os próximos tempos.

Jornal de Angola (JA) – As transformações operadas em diversos sectores do Kuando-Kubango satisfazem os governantes e
governados ou ainda há muito por fazer?


Pedro Camelo (PC) – Apesar dos avanços registados nos diferentes domínios, a cidade de Menongue ainda não é aquilo que desejamos, por exigir e necessitar de muito mais empenho dos seus dirigentes, quadros e de todos os munícipes. Entre os desafios que hoje se colocam, é importante realçar aqueles que passam pelo combate ao crescimento urbano desordenado, ao lixo, às práticas indecentes, à criminalidade e à delinquência juvenil, ao vandalismo de bens públicos e à condução ilegal. Outras preocupações relacionam-se com o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas, à poluição sonora, às construções em zonas proibidas, como aeroporto, e outros males que decorrem da conduta pouco urbana de muitas pessoas.

JA – Perante essa situação, qual é a mensagem que o governo da província tem levado à sociedade para desencorajar essas práticas?

PC –
Não há dúvidas de que a conjugação de sinergias se impõe com urgência, no sentido de se inculcar no seio da população uma consciência que assente na observância dos valores éticos, morais e cívicos.

JA – Nesse esforço, o governo está a contar com o apoio de todos. Qual é a participação dos cidadãos nessa tarefa?

PC –
Sim! A par das igrejas, os órgãos de comunicação social, escolas e autoridades tradicionais devem redobrar os esforços na sensibilização das pessoas e das comunidades circunvizinhas, para que tenhamos uma população à altura dos padrões de civilidade. Recordo que o Presidente da República deixou expresso, na sua recente mensagem sobre o estado da Nação, que entre os vários objectivos específicos que norteiam a acção do Executivo, se destaca o de garantir a unidade e coesão nacional, através da promoção da paz e da angolanidade, e a construção de uma sociedade democrática e participativa.

JA – Os serviços básicos facultados às populações  da província são os desejáveis?

PC –
Reconhecemos que ainda não estão totalmente resolvidos. Ainda nos confrontamos com algum défice no fornecimento de energia, água e de outros bens e serviços. Mas também é nossa convicção que, em termos dos esforços em perspectiva, vamos ultrapassar essas contrariedades nos próximos tempos.

JA – Pode enumerar as principais dificuldades que afectam os munícipes de Menongue?

PC –
São no domínio do abastecimento de água potável, energia, saúde e educação. Pensamos que existe garantia de solução dos problemas que ainda afligem os munícipes de Menongue. Pretendemos também atingir a auto-suficiência alimentar, combater a fome e a pobreza, e promover a criação de emprego. Outro aspecto que gostava de destacar no conjunto dos desafios que hoje se colocam a todos os munícipes tem a ver com a preservação do meio ambiente, a criação de jardins e zonas verdes nos diferentes pontos da cidade, além da produção agrícola, tanto manual como mecanizada.

JA – Como surgiu a cidade de Menongue como capital do Kuando-Kubango?

PC –
Foi no dia 21 de Outubro de 1951, através do Diploma Legislativo Ministerial N.º 50. Com esse diploma, criou-se o distrito do Kuando-Kubango e a sua principal vila, então Serpa Pinto, passou à categoria de cidade, transformando-se na sua capital. Se é verdade que a antiga Serpa Pinto, enquanto vila, existe há 89 anos, e como cidade há 50, não há dúvidas de que, após a independência de Angola, a actual cidade de Menongue conheceu inúmeras transformações que a catapultaram para um nível de crescimento e desenvolvimento sem precedentes.

JA – Como avalia o passado em relação ao presente em termos de demografia?

PC –
Se recuarmos um pouco no tempo, num passado não muito longínquo, facilmente verificamos que muita coisa mudou, tanto em termos de crescimento do número de habitantes como de infra-estruturas, com maior destaque para a recuperação das ruas estruturantes e das principais estradas que a ligam às províncias vizinhas e municípios do interior. Além disso, destaca-se também a reabilitação e construção das escolas, hospitais, centros e postos de saúde, caminhos-de-ferro, pontes, habitações e outros importantes serviços postos à disposição da população.

JA – A construção anárquica na cidade tem gerado polémica. Como encara o governo provincial esse assunto?

PC –
A autoconstrução dirigida está a ser feita na localidade do Cwenha, num espaço que está a ser loteado pelo governo, para que toda a população com menos recursos financeiros possa realizar o sonho de ter a casa própria. Há a necessidade de cultivar, no seio da juventude, uma atitude responsável e digna de louvor, expressa no patriotismo de encarar todos os assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento da cidade capital e da província em geral como seus e não apenas do governo. Há, também, a necessidade de todos, sem excepção, actualizarem o registo eleitoral, como dever cívico para o exercício da cidadania.

JA – E as práticas nocivas têm merecido tratamento adequado?

PC –
Temos de combater todas as práticas nocivas à sociedade, principalmente o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de outras drogas, e exigir a observância das regras de condução e respeito pelos peões e demais utilizadores da via pública. Quero alertar os munícipes que não acatem todos os apelos da administração municipal relativos ao cumprimento escrupuloso de todas as instruções que concorram para um ambiente sadio e comportamento urbano, que vão pagar as multas correspondentes às transgressões administrativas.

JA – Que empresas e instituições colaboraram para o êxito das Festa da Cidade?

PC –
É de realçar a pronta e prestimosa colaboração de algumas empresas públicas e privadas que tornaram possível a realização da presente edição das Festas da Cidade, dando o seu patrocínio. Esse foi o caso de Marnet, Tchilingutila e Filhos, Bela e Filhos, Lab, Unitel, Trs, Ebrit e Filhos, Multi-Ideias, Rádio Kuando-Kubango, Angop, Jornal de Angola, INEA e TAAG. Esperamos que continuem a experimentar e trilhar novos rumos no sentido de melhor pensarem as causas sociais, tão nobres como os que registámos.

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