Entrevista

Municípios são a chave para o êxito

Manuela Gomes|

O dossier “Saúde Pública”, em Luanda, é um dos mais difíceis de gerir, dada a sua complexidade. Actualmente, esta responsabilidade recai sobre os ombros da médica Isabel Massocolo. Na entrevista que se segue, a directora provincial diz que, com as obras em curso, o Hospital Geral de Luanda vai ser ampliado e dotado de novas áreas e serviços.

A directora provincial de Luanda Isabel Massocolo diz ser necessário que a população tenha confiança nos centros e postos de saúde espalhados por todos os municípios
Fotografia: JA

O dossier “Saúde Pública”, em Luanda, é um dos mais difíceis de gerir, dada a sua complexidade. Actualmente, esta responsabilidade recai sobre os ombros da médica Isabel Massocolo. Na entrevista que se segue, a directora provincial diz que, com as obras em curso, o Hospital Geral de Luanda vai ser ampliado e dotado de novas áreas e serviços. Ela reitera a aposta na municipalização dos serviços sanitários, apela à colaboração das famílias e manifesta, apesar das dificuldades, o voto de confiança no sistema público de saúde da província.

Jornal de Angola – Luanda, do ponto de vista da saúde pública, pode ser considerada uma cidade boa para viver?

Isabel Massocolo –
Com certeza. O governo da província de Luanda tem estado a envidar esforços no sentido de melhorar Luanda, no dia-a-dia.

JA – A reabilitação do Hospital Geral consiste apenas na eliminação das fissuras, ou teremos, literalmente, “outro” hospital, com novas áreas e serviços?

IM –
Luanda terá um hospital de 270 camas com diversos serviços a funcionar e a fazerem exames complementares. A construção, reabilitação e ampliação do hospital começou em Dezembro de 2011 e temos previsão de entrega dentro de dois anos. Este hospital será o orgulho dos munícipes de Luanda. Neste momento está a funcionar, dentro do hospital, um bloco de urgências que inclui a pediatria com internamento.

JA – As unidades sanitárias da província continuam sobrelotadas, com pacientes que se queixam do longo tempo de espera para serem atendidos. Há alguma solução à vista?

IM –
A solução é fazer com que a população tenha confiança nos centros e postos de saúde e agora também nos hospitais municipais. A saúde tem de começar no município e depois seguir os outros níveis. Estamos apostados em sensibilizar a nossa população para, em conjunto, resolvermos os problemas de saúde das famílias. Acreditamos que, com o esforço de todos, vamos conseguir minimizar esta dificuldade que nos apoquenta a todos.

JA – Em que consiste afinal a municipalização dos serviços de saúde? É algo “revolucionário” que nunca tivemos,  mesno no periodo anterior  à independência?

IM –
Significa dar poder aos municípios para resolverem os problemas da saúde da população, envolvendo-os desde a planificação até à gestão da resolução dos problemas. Isto leva à organização, responsabilização e hierarquização dos serviços de saúde nos vários níveis de atendimento.

JA – A raiva continua a ser uma preocupação mas não vemos os vacinadores nos bairros ou os cães vadios a serem recolhidos. O que é que está a ser feito?

IM –
Existe uma comissão nacional de luta contra a raiva, que tem estado a envidar esforços no sentido de eliminarmos a raiva da nossa província de Luanda. Já temos um canil no município de Cacuaco para recolha dos cães, gatos e macacos. A direcção provincial da Agricultura está empenhada em vacinar os animais. Mas para termos sucesso é necessário que as famílias cuidem destes animais de estimação. Para evitar que tenhamos esta doença na província  de Luanda, cada um de nós deve fazer a sua parte.

JA – A malária ainda é o maior problema de saúde em Luanda?

IM –
Com certeza. Precisamos de fazer um bom saneamento do meio ambiente e utilizar medidas preventivas para que a malária deixe de ser uma preocupação de saúde pública. A solução também depende de todos nós, da participação das famílias.

JA – Quais são as novidades para este ano em Luanda, em termos de investimento?

IM –
Temos quatro hospitais municipais construídos de raiz e cinco centros de saúde materno-infantis. Também estamos a contribuir para as metas de desenvolvimento do milénio.

JA – Os recursos humanos do sector da saúde satisfazem as necessidades de Luanda?

IM –
Não. Temos dificuldades em especialistas gineco-obstetras, cirurgiões e anestesistas, essencialmente.

JA – Qual é a leitura que, pessoalmente, faz do sistema de saúde pública em Luanda? É de confiar?

IM –
É de confiar, com certeza. Com a ajuda de todos, pensamos que a solução dos desafios está nas nossas mãos.

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