Entrevista

Nambuangongo na rota do desenvolvimento

Pereira Dinis |

O administrador municipal de Nambuangongo, Manuel Lopes, disse ao Jornal de Angola que o município regista algumas melhorias no sector social.

Manuel Lopes garante que o município tem registado avanços a nível social
Fotografia: Francisco Bernardo

Dentro de dois anos, a estrada, que durante muito tempo foi o principal empecilho para a circulação das populações, fica toda reabilitada e asfaltada, o que abre boas perspectivas para a região, que tem muito por explorar nos mais variados domínios.


Jornal de Angola - Como caracteriza a situação no município?


Manuel Lopes - A nível social, o município tem registado algumas melhorias. A sede municipal, em Muxaluando, já dispõe de um hospital de referência, com quase todos os serviços, faltando apenas a entrada em funcionamento do bloco operatório, que pode ser inaugurado daqui a algum tempo, e em quase todas as comunas há postos e centros de saúde a serem construídos ou reabilitados. No domínio da Educação, já não estamos limitados ao ensino primário.

JA - Como assim?

ML - Temos escolas do primeiro ciclo, que compreende a 7ª, 8ª e 9ª classes, e do segundo ciclo, que vai da 10ª à 12ª classe, com os cursos de Ciências Humanas, Ciências Económicas e Ciências Jurídicas. Falta-nos apenas introduzir os cursos de Ciências Físicas e Biológicas, mas com a finalização das obras de construção de uma escola do segundo ciclo, com 12 salas, quatro laboratórios e uma área administrativa que vai compreender todos os serviços, no próximo ano lectivo arrancamos com as aulas desses cursos. O ensino primário funciona em todas as localidades do município, temos escolas do primeiro ciclo em todas as sedes comunais e uma escola do segundo ciclo na sede do município.

 JA - Quais as principais dificuldades que as populações enfrentam no momento?

ML - O mau estado das vias de acesso ao município tem dificultado muito a vida no município. Cria transtornos à circulação de pessoas e bens e atrapalha a conclusão atempada de muitas obras.

 JA – Mas o troço de estrada degradado já está a ser reabilitado.

ML - Para nossa felicidade, sim. Os trabalhadores e maquinaria da empresa Engevia estão em permanência na estrada principal que liga a cidade de Luanda ao município de Nambuangongo. Foi adjudicada a esta empresa a reabilitação do troço Caiengue-Muxaluando, que maiores dificuldades impõe à circulação das pessoas. Este troço de 28 quilómetros esteve muito tempo paralisado devido a algumas situações alheias à nossa vontade. Mas, no quadro de um acordo celebrado entre o Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) e a empresa Engevia, as obras retomaram.

 JA - Quando terminam as obras?

ML - Dentro de dois anos pensamos ter o troço todo reabilitado. Mas isso não significa que vamos esperar dois anos para podermos circular. Vamos fazê-lo como sempre fizemos.

 JA - Este percurso é o único a ser atacado, neste momento?

ML - No âmbito do programa de investimentos públicos, está prevista a reabilitação e terraplanagem de vários troços que ligam a sede municipal às comunas. Nesta altura, está a ser intervencionada a via entre as comunas do Quicangassala e do Quiquixico, um troço de 21 quilómetros de estrada. Estamos à espera de uma empresa que vai reabilitar 20 quilómetros de estrada na comuna de Cagi Mazumbo. Há outra empreitada no troço Gombe-Zala. As obras pararam, mas acreditamos que daqui a algum tempo elas possam ser retomadas.

 JA – Em que estado se encontram as pontes?

ML - Recebemos, ainda esta semana, duas pontes metálicas por via do INEA. Uma vai ligar a comuna do Onzo com a do Gombe. Estamos a falar da ponte sobre o rio Onzo, que foi destruída durante a guerra. Não é ainda uma ponte definitiva, mas vai ajudar na circulação das populações e bens. A entrega oficial da ponte está marcada para daqui a 45 dias. A ponte já esta no local e a empresa Engevia vai proceder à montagem. O mesmo vai acontecer a seguir com a ponte sobre o rio Lifune, que liga a comuna do Muxaluando à do Cagi Mazumbo. A ponte também já esta no Onzo. A nossa população já lá foi observar. Estamos satisfeitos por isso.

JA - Qual é o quadro no domínio da distribuição de água e energia eléctrica?


ML - Na sede municipal, temos um grupo gerador de 45 KVA, que abastece toda a rede pública e domiciliária. A rede de distribuição de água potável na sede municipal funciona de forma regular, mas nas sedes comunais há ainda algum trabalho por fazer. Na comuna do Zala, o sistema está montado, mas, por falta de manutenção e ampliação da rede, a água chega à população a conta-gotas. Na comuna do Quixico, o sistema está montado, mas ainda não foi inaugurado. Estamos a interceder junto do Governo da província, por meio da Direcção de Energia e Águas, para que se faça a inauguração do sistema. Na comuna do Canacassala, também se aguarda a entrega do sistema pela empresa contratada e na comuna do Gombe este está a ser montado. Os trabalhos decorrem a bom ritmo e aguarda-se que a empresa termine os trabalhos. Nas comunas do Cagi Mazumbo e do Quicunzo, os sistemas ainda não foram montados.

 JA – O comércio no município parece muito incipiente.

ML - O nosso município carece de quase tudo. Não temos uma rede comercial em condições. Trabalhamos com um sistema precário e é nossa intenção mudar este quadro.

 JA - Como pensam fazer isso?

ML - Convidando investidores para visitarem Nambuangongo e verem as capacidades e oportunidades de negócios que aqui existem. Estamos abertos a qualquer iniciativa privada, desde que venha ajudar o município. Ainda esta semana, assistimos à inauguração de um empreendimento ligado à exploração florestal na localidade de Mbalacassungo, na comuna de Quicunzo, que está agora a empregar 47 pessoas, na maioria jovens daquela localidade. A empresa prometeu estender os esforços em termos de investimento para que outros jovens possam ser enquadrados. É uma unidade de serração e carpintaria, que vem cobrir um vazio que há muito se fazia sentir, pois muitos bens, como portas, janelas e outro mobiliário eram adquiridos em Luanda ou noutras localidades distantes. A nova fábrica começou a funcionar na quinta-feira passada. É a primeira do género na província. Estamos ainda a trabalhar junto com alguns empresários com vista à realização de um estudo para a exploração de inertes. Hoje importamos tudo. Vamos buscar areia, brita e outros produtos muito longe e isso complica as nossas acções ao nível do município. Temos recursos disponíveis, que carecem das mãos de especialistas para começarem a ser explorados. O nosso apelo é dirigido a todos quantos tenham iniciativas empreendedoras que contactem a administração municipal para em conjunto encontrarmos mecanismos para materializar os negócios que se propõem realizar.

JA - O sector do Turismo está a funcionar bem?

ML - Temos aqui dois empresários que têm estado a trabalhar nessa vertente, mas os frutos ainda não são visíveis. Estamos a trabalhar com algumas empresas para fazermos estudos na nossa região, por comunas, para determinar quantas zonas turísticas possuem para depois fazermos a devida divulgação e aproveitamento dos espaços.

 JA - O município não foi abrangido pelo programa de habitação social?

ML - Temos projectos ligados à habitação. Dentro do programa dos 200 fogos, já temos no município 120 casas, que vão minimizar as dificuldades.

 JA - A situação dos antigos combatentes está solucionada?

ML -
Esta é uma situação que até 2010, constituía problema porque os pensionistas não estavam bancarizados. A partir de 2011, o sistema funciona e já não temos tido muitas reclamações. Neste, estamos agora a fazer a reactualização dos processos.

 JA - Como é a coabitação entre as diferentes forças políticas?

ML - Temos sedeados no município quase todos os partidos com assento parlamentar. Todos os partidos coabitam e o ambiente é saudável.

JA - Quantos habitantes tem o município?

ML - Nambuangongo tem 120 mil habitantes, distribuídos por sete municípios e 73 aldeias.

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