Entrevista

Parceria com Executivo abre portas ao emprego

Yara Simão |

Angola tem cada vez mais empresários que estão a contribuir para a criação de riqueza e a diversificação da economia.

Coutinho Miguel destacou que a banca é parceira do Governo na execução de programas de fomento empresarial permitindo o acesso às linhas de crédito disponiveis entre elas a da agricultura
Fotografia: Kindala Manuel

O presidente do conselho de administração  do Banco Sol, Coutinho Nobre Miguel, em entrevista ao Jornal de Angola, lembrou que a banca é parceira do Executivo no incremento de programas de fomento, promoção e consolidação empresarial. “O Estado tem de promover a classe empresarial para abrirmos portas ao emprego, principalmente, para a juventude. A classe empresarial tem demonstrado que merece confiança do Executivo. O importante é criar um clima harmonioso”, disse Coutinho Miguel.


Jornal de Angola - A banca em Angola está a desempenhar o seu papel?

Coutinho Nobre Miguel - A banca é parceira do Executivo na execução de programas de fomento, promoção e consolidação empresarial. O Banco Sol tem várias linhas de crédito com prazos alargados e condições competitivas e adequadas aos empresários. Estamos numa fase de reconstrução e recuperação do desenvolvimento do país e a banca é chamada a desempenhar um papel preponderante para que a classe empresarial possa ser cada vez mais activa.

JA - Quais são as linhas de crédito disponíveis no Banco Sol?

CM - Além do crédito normal que constitui a nossa actividade, temos vários programas com destaque para o crédito ao consumo para os professores, enfermeiros e pessoal técnico e administrativo do Estado. Temos também o crédito agrícola, crédito de investimento e actualmente o crédito Angola Investe. Todos os dias procuramos dar oxigénio financeiro ao empresariado angolano. Um país só cresce, só se desenvolve se tiver uma classe empresarial forte.

JA - O crédito tem sido amortizado dentro dos prazos previstos ou há incumprimento?
CM - Temos dificuldades com alguns empresários. Mas também falta uma cultura de crédito. Todos os beneficiários devem saber que os créditos têm de ser amortizados dentro do prazo. É necessário compreender que quem tem necessidade de obter um financiamento, deve estruturar um projecto sustentável e viável. As garantias associadas ao financiador constituem elementos preponderantes para que os bancos possam fazer o desembolso dos capitais.

JA - Os beneficiários de créditos apresentam sempre projectos estruturados?
CM - Nem sempre têm os projectos estruturados. Nós procuramos organizar os projectos das micro, pequenas, médias e sobretudo das grandes empresas. O Banco Sol está presente no mercado e a nossa carteira está estimada em 59,7 mil milhões de kwanzas. O nosso objectivo é dar robustez ao mercado empresarial e tornar o crédito mais acessível.

JA - Qual é a taxa de crédito vencido no Banco Sol?

CM - A taxa de crédito vencido é de cinco por cento, num universo de 59.7 mil milhões de Kwanzas. Não é alarmante, mas temos de nos preocupar com a situação do crédito não liquidado dentro dos prazos. Temos de ter consciência de que a parte mais sensível é o crédito e o risco está presente. Por isso solicitamos garantias confortáveis que dêem confiança real às instituições financeiras. Criámos uma direcção de gestão e recuperação de crédito, que visa dialogar permanentemente com os clientes em incumprimento.

JA - Existem muitas reclamações no Banco Sol?
CM - As reclamações de cedência de crédito vão existir sempre. Elas resultam do interesse das empresas, mas é preciso que se coloquem no lugar dos bancos. Antes de ceder um crédito, devemos conhecer o perfil do candidato, os objectivos do crédito e qual é a empresa. O essencial na banca é a confiança. Se todos os requisitos forem cumpridos, não há como recusar o processo, porque o nosso papel é transaccionar o dinheiro, concedendo crédito, só assim temos rentabilidade. Quando recusamos o pedido de crédito é porque não existem as garantias.

JA - Como classifica a classe empresarial angolana?

CM – É uma classe empresarial emergente, que está a dar sinais visíveis de afirmação e que precisa dos bancos para se afirmar no contexto da nossa economia. Precisa ainda de melhorar os seus procedimentos e aprimorar a organização, os métodos de gestão, para corresponder aos parâmetros internacionais de uma empresa. Os nossos empresários não devem confundir receitas com lucro.

JA - Como vê a relação entre o empresariado e o Executivo?

CM - Temos empresários que se esforçam muito para ajudar o Executivo no combate à pobreza. O Estado tem de promover a classe empresarial para abrirmos as portas do emprego, principalmente, para a juventude. A classe empresarial tem demonstrado que merece mais confiança do Executivo. O importante é criar um clima harmonioso.

JA - O Banco Sol tem algum projecto para a mulher empresária?
CM - Temos um projecto de micro crédito em parceria com a OMA, no sentido apoiar as mulheres angolanas. Estamos há 12 anos neste mercado, temos procurado interagir com as pessoas vulneráveis. Temos muitas famílias carenciadas e é necessário reduzir o nível de ­pobreza no nosso país. Não se desenvolve um país com pobreza. Temos de elevar o nível de escolaridade. O Estado não deve distribuir o dinheiro às pessoas, tem que criar condições para que através do emprego todos possam ter sustento próprio.

JA - Quais são os produtos de crédito para a juventude?
CM - Temos um programa com o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional. É um crédito concedido a jovens que criaram os seus empreendimentos. Vamos alargar este projecto no sentido de darmos oportunidades à juventude. Temos também um crédito destinado às quitandeiras, taxistas e camionistas.  É nossa missão apoiar as forças activas, a fim de desenvolver o nosso país.

JA - O Banco Sol tem balcões em todas as províncias?
CM - O Banco Sol está implantado em todo o território nacional. Em algumas províncias temos mais de um balcão em cada cidade. E temos cinco projectos estratégicos com realce para o reforço de quadros, expansão e formação. É preciso investir mais na tecnologia, porque sem ela não temos sucesso.

JA - O Banco Sol aposta na internacionalização?

CM - Um dos objectivos é chegar à Namíbia e Moçambique. A nossa economia deve estar presente noutros países para ganhar vantagens competitivas e contribuir para as trocas comerciais e acima de tudo participar nas estratégias económicas da SADC. O Banco Sol quer manter-se acima da média. No ano passado crescemos dois dígitos. Queremos dar o nosso melhor e contribuir para a melhoria de vida dos angolanos.

JA - O banco tem novos projectos em carteira?
CM - Somos o único banco com dependências nos hospitais. Isto permite que os enfermeiros, médicos e outros técnicos façam as suas operações bancárias sem abandonarem os pacientes. Achamos importante a­proximar os serviços ­bancários aos trabalhadores da saúde. Este é um projecto inovador do Banco Sol.

JA - O empresariado angolano tem nível internacional?
CM - Temos muitos empresários angolanos a investir no exterior, com destaque para Portugal, Brasil, África do Sul, Namíbia e outros países. Hoje a própria visão da política externa é de uma visão forte. Muitos Estados são fortes e desenvolvidos por causa da classe empresarial, e nós temos de fazer a nossa parte para que a inserção do empresariado a nível internacional seja uma realidade.

JA - Quantos balcões tem o Banco Sol?

CM - Temos 1132 trabalhadores e 134 balcões a nível nacional. Este ano, vamos comemorar 12 anos de existência, o que demonstra que estamos seriamente comprometidos com a pátria. Todos os dias trabalhamos para contribuir para o crescimento do nosso país. O Banco Sol há-de ser sempre uma referência no mercado financeiro angolano.

Tempo

Multimédia