Entrevista

Prémios Sirius são hoje atribuídos

Rodrigues Cambala |

No dia em que a Consultora Deloitte faz a entrega dos prémios Sirius às empresas e gestores que mais se destacaram, o economista Manuel Nunes Júnior fala do prémio  criado no ano passado.

Professor universitário Manuel Nunes Júnior presidente do júri dos prémios Sirius
Fotografia: Jornal de Angola

No dia em que a Consultora Deloitte faz a entrega dos prémios Sirius às empresas e gestores que mais se destacaram, o economista Manuel Nunes Júnior fala do prémio  criado no ano passado. O economista, que é presidente do júri, elogia a iniciativa e considera os prémios Sirius contributos para ajudar a criar uma elite de empresários e gestores comprometidos com princípios e práticas de rigor, transparência e escrutínio público. E alerta: o aumento da produtividade e crescimento das empresas e dos países depende da capacidade de produzir novas ideias.

Jornal de Angola - Quais os objectivos dos prémios Sirius?

Manuel Nunes Júnior - Estes prémios foram instituídos pela Deloitte no ano passado e devem ser vistos como um meio destinado a distinguir e promover a excelência na vida empresarial. Pelas suas enormes implicações na vida do país, abraçamos este projecto desde o início. É uma iniciativa oportuna e útil, porque Angola tem crescido muito do ponto de vista económico e, para que estas taxas se mantenham e se elevem cada vez mais no futuro, é necessário apostar na inovação.

 JA – Como foram encontrados os candidatos aos prémios?

MNJ - Numa primeira fase, o júri identificou um universo alargado de empresas privadas, do sector empresarial público e entidades públicas e profissionais elegíveis. O júri obteve mais de 300 entidades elegíveis. Com base em critérios qualitativos, no conhecimento do mercado e na sua própria experiência, o júri elaborou uma lista mais pequena dos candidatos a vencedores dos diferentes prémios em disputa. Numa terceira fase o júri decide quem são os vencedores.

 JA - Quais são as fontes de identificação das empresas elegíveis?

MNJ - Uma fonte importante são as associações empresariais. O júri solicitou contribuições da Federação das Mulheres Empreeendedoras, da Associação Industrial de Angola (AIA), da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, da Associação dos Empreendedores Angolanos, da Associação de Jovens Empresários de Angola e da Associação Comercial de Benguela.

 JA - Quais são as inovações para a segunda edição?

MNJ - Na primeira edição foram atribuídos cinco prémios: Gestor do Ano, ganho por. Manuel Vicente, na altura presidente do conselho de administração da Sonangol, Empresa do Ano do sector financeiro, ganho pelo BFA, Empresa do Ano do Sector Não Financeiro, ganho pela Sociedade Mineira de Catoca, Empreendedor do Ano, ganho pelo empresário Luís Nunes e  Melhor Programa de Responsabilidade Social, que foi ganho pela ENSA. Este ano, além destes cinco prémios, temos mais dois: Melhor Relatório de Gestão e Contas e o Melhor Programa de Desenvolvimento do Capital Humano.

JA – Porque introduziram novos prémios?

MNJ - O prémio do melhor relatório de gestão e contas é dirigido a empresas  angolanas do sector financeiro e não financeiro e distingue a qualidade e o alcance da informação compilada e publicada nas desmonstrações financeiras. O objectivo é promover e encorajar uma prática que é crucial para o processo de gestão das empresas, sobretudo no que respeita à transparência das suas contas. No futuro, quando existir a Bolsa de Valores de Angola, este elemento vai ter uma importância fundamental para as empresas que se quiserem inscrever.
 

JA - E o prémio de melhor programa de desenvolvimento do capital humano?

MNJ - Este também é dirigido a empresas angolanas do sector financeiro e não financeiro e visa evidenciar a qualidade e o alcance de projectos e medidas dirigidas ao desenvolvimento do capital humano e o impacto que a aposta nestes activos tem para o crescimento da organização. 

JA - É importante apostar no capital humano?

MNJ - A razão principal da expansão da prosperidade no mundo é a transmissão da tecnologia e das ideias que lhe dão suporte. Neste mundo cada vez mais globalizado e competitivo, o factor determinante para o aumento da produtividade e para o crescimento das empresas e dos países deixou de ser a força de trabalho física, a mecanização da actividade produtiva ou mesmo o capital financeiro e passaram a ser as ideias.

JA -  As ideias são o grande capital na economia?

MNJ - Os objectos desgastam-se e perdem o seu valor ao longo do tempo, ao passo que a capacidade do homem em produzir novas ideias é infinita. Por isso, o investimento no capital humano é a chave do sucesso e os prémios Sirius constituem um estímulo para a promoção e o desenvolvimento desta importante função nas nossas empresas e no país. A tecnologia e as ideias a ela associada não são bens públicos, mas são bens semipúblicos. Embora tenham um dono, tal não impede que várias pessoas possam ao mesmo tempo beneficiar delas. Não há rivalidade na sua utilização.

 JA - Premiar as melhores práticas de gestão leva a maior empenho dos líderes? 

MNJ - O objectivo dos prémios Sirius é contribuir para o estabelecimento, em Angola, de uma cultura empresarial sólida que nos faça atingir as melhores práticas internacionais em matéria de gestão. É um processo longo e não algo que se obtém do dia para a noite. Hoje estamos melhores do que há cinco anos neste domínio e daqui a cinco anos estaremos seguramente melhores do que estamos. O objectivo é atingirmos uma cultura empresarial que nos situe ao nível das empresas de referência mundial. Esta deve ser a nossa meta.

 JA - É possível alcançar este objectivo?

MNJ - A iniciativa da Deloitte constitui um grande contributo para o alcance desta meta. Estão a ser identificadas as boas práticas empresariais, para apontá-las como exemplos à sociedade. Assim pode, ser, pela visibilidade que os prémios lhe conferem, exemplos para as restantes empresas e líderes. A julgar pelo sucesso alcançado na primeira edição, estamos seguros  que em Angola também estaremos em linha com o sucesso  de outras iniciativas de elevado prestígio e alcance que a Deloitte tem realizado.

JA - O sector agro–pecuário está pouco representado. Faltam investimentos ou capacidade de liderança?

MNJ - Não creio que o sector agro-pecuário esteja pouco representado. Tratando-se de um sector dinâmico e em constante ascensão é natural que nele sobressaiam empreendedores audazes e dinâmicos, dispostos a assumir riscos e a colher os dividendos, em várias regiões do país. Isto é muito bom, porque é o sector que mais cria emprego e que maior potencial tem para o aumento dos rendimentos das pessoas e, por esta via, eliminamos a pobreza. Das 14 individualidades nomeadas este ano para o prémio de Melhor Empreendedor do Ano, quatro são do sector agro-pecuário.

JA - Temos no país bons líderes  que merecem ser premiados?

MNJ - O país tem bons líderes e o júri não faz nenhuma discriminação a este respeito. Queremos premiar os melhores, independentemente do sector de actividade a que pertençam. Queremos premiar aqueles que fazem a diferença, que procuram a excelência e que aparecem no mercado com ideias e com produtos e serviços inovadores e diferenciados. Estamos a ajudar a criar uma elite de empresários e gestores comprometidos com uma matriz de valores associados a princípios e práticas de rigor, transparência e escrutínio público.

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