Entrevista

"Problemas dos jovens passam por soluções globais

Yara Simão

O Executivo tem feito tudo para responder aos anseios e expectativas dos jovens. As políticas para a Juventude são prioritárias durante esta legislatura porque ainda há muito para fazer. O emprego e a habitação para os jovens têm programas específicos em marcha e que mostram resultados positivos.

O presidente do Conselho Nacional da Juventude Cládio Aguiar concedeu uma entrevista ao Jornal de Angola e destacou que muito foi feito mas muito mais há ainda a fazer
Fotografia: Eduardo Pedro

Em entrevista ao Jornal de Angola, em alusão ao 14 de Abril, o presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Cláudio Aguiar, reconhece que muito já foi feito e que ainda resta muito por fazer. E sugere que a prioridade deve ir para projectos na indústria e na agricultura. Os dois sectores têm excelentes condições para absorver muita mão-de-obra jovem.

Jornal de Angola - Que análise que faz da situação actual da juventude?
Cláudio Aguiar - Análise positiva. Tenho estado a acompanhar as acções do Executivo e que visam dar soluções aos problemas da juventude. A formação, emprego, saúde, habitação e crédito permitem aos jovens participar mais no desenvolvimento do país. Nos 11 anos de paz a juventude obteve muitos sucessos e muitas conquistas.

JA - Os problemas da juventude estão todos solucionados?
CA
- Os problemas da juventude são transversais a toda a sociedade e a sua solução passa por programas globais que estão em marcha ou vão ser lançados. O que nos satisfaz é a certeza de que há cada vez mais oportunidades, principalmente no que concerne à habitação que deixou de ser um grave problema, porque em todo o país estão a ser construídos bairros para a juventude. Pretendemos que haja uma redução nos preços porque nem sempre os salários dos jovens respondem aos preços das casas.

JA - Mas o sonho de uma casa própria está a ser concretizado?
CA - Apesar das acções concretas no que concerne à oferta de habitação para a juventude, ainda existem muitos desafios pela frente, porque não estamos num mar de rosas. Ainda existe muita gente sem emprego. O mesmo acontece com o ensino. Podemos ter muitas escolas, mas precisamos de um ensino de qualidade para que possamos ter verdadeiros quadros no país, a fim de se dar preferência ao técnico nacional, em detrimento do técnico estrangeiro que neste momento tem mais capacidade profissional.

JA - O acesso ao ensino superior está mais facilitado?
CA - A expansão do ensino superior em todo o país, também já é uma realidade. Os jovens deixaram de ir para Luanda ou outra província vizinha a fim de fazerem cursos superiores. Hoje todas as províncias têm Universidades ou pólos universitários. Os jovens têm acesso à formação superior nas suas próprias terras. Continuam a estudar no seio das famílias. É importante reconhecer este grande feito do Executivo por ter apostado na força motriz da nação, que é a juventude.

JA - O investimento na formação profissional é suficiente?
CA - O investimento na formação profissional foi também uma grande aposta do Executivo e podemos dizer que temos bons quadros técnicos nas áreas da electricidade, serralharia, carpintaria e informática. Foram construídos no país mais de 36 institutos médios técnicos e isso foi importante, porque todos estão a preparar jovens principalmente para os sectores da indústria e agricultura.

JA - Os sectores da agricultura e indústria são as apostas da juventude?

CA - A indústria e agricultura são sectores produtivos e devem ser prioritários, porque absorvem muita mão-de-obra. Apostar nestas áreas é importante porque são criados milhares de postos de trabalho e é possível desenvolver a economia de uma forma mais equilibrada e sustentável. As políticas sociais para a juventude têm de facto um impacto positivo na vida dos angolanos. 

JA - A formação profissional tem beneficiado os jovens?
CA - A juventude tem grandes benefícios com os programas do Executivo. É importante dar mais valor aos jovens com formação básica. É importante que o Executivo adopte acções afirmativas, criando postos de trabalho para os jovens.

JA - O Programa BUE tem facilitado aos jovens o primeiro emprego?

CA - O Executivo tem estado a fazer uma aposta certa com o Programa BUE, dando financiamento aos jovens.

JA - Os jovens aderiram em grande número ao BUE?
CA - Os últimos dados que temos sobre o BUE, indicam que os jovens constituem a maior parte da população que aderiu ao programa. O projecto chegou a praticamente todo o território nacional e agora está a ser expandido para as administrações municipais que por sua vez o fazem chegar às comunidades, que são compostas por jovens na sua maioria dos 18 aos 35 anos.

JA - Que programa está em marcha para melhorar a vida da juventude?

CA - O “Programa Angola Jovem” é conduzido pelo Ministério da Juventude e Desportos. Considero-o muito importante mas não dá solução aos problemas da habitação e do emprego. Por isso defendemos a criação de uma comissão inter-ministerial que vise a monitorização e avaliação das políticas viradas para a juventude e o seu resultado.

JA - Falta fiscalização dos programas elaborados para a juventude?

CA - É preciso acompanhar os programas da juventude, naquilo que diz respeito ao seu impacto, à veracidade, aos constrangimentos. Temos de saber o índice de satisfação da juventude. É preciso garantir a participação activa dos jovens em todas as fases de avaliação, identificação e execução, porque a juventude precisa de se sentir participante nas políticas que lhe são destinadas.

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