Entrevista

Queimadas são inimigas do Ambiente

Arcângela Rodrigues|

Hoje é o Dia Mundial das Florestas. A sua comemoração serve para mobilizar as populações para a importância da natureza e como todos devemos garantir a manutenção da vida na Terra.

Tomás Caetano optimista quanto ao futuro
Fotografia: Kindala Manuel

Hoje é o Dia Mundial das Florestas. A sua comemoração serve para mobilizar as populações para a importância da natureza e como todos devemos garantir a manutenção da vida na Terra. A partir de 1972, a organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) aprovou o dia 21 de Março para as comemorações. As florestas são habitações naturais de milhares de espécies, animais e plantas. E muito importantes para fixar o solo e o ciclo da água. Tomás Caetano, director do Instituto de Desenvolvimento Florestal, em entrevista exclusiva ao nosso jornal, disse que em Angola, “a caça ilegal e o abate de árvores para a produção de carvão são os principais perigos que ameaçam as nossas florestas”.

Jornal de Angola - Qual é a actual situação da floresta?

Tomás Caetano -
A situação florestal em Angola é favorável mas temos algumas preocupações relacionadas com práticas não sustentáveis de agricultura, queimadas para a preparação de terrenos, caça ilegal e abate de árvores para produção de lenha e carvão. Estes problemas afectam as florestas de todo o país.

JA - As populações das zonas rurais até que ponto podem afectar as florestas e o Ambiente?

TC -
A utilização não sustentável da floresta contribui para o mau funcionamento do ecossistema florestal, que é o grande habitat da fauna e desempenha um papel importante na oxigenação. As florestas são fontes de alimentos para a fauna mas também para os humanos. Por isso é preciso explorar as matérias-primas com regras. Se for respeitado o Ambiente, as populações das zonas rurais têm nas florestas uma grande fonte de rendimentos e podem contribuir para o desenvolvimento do país.

JA - Quem autoriza a caça e o abate de árvores para a produção de madeira, lenha e carvão?

TC -
A autorização é da responsabilidade do Instituto de Desenvolvimento Florestal. O Executivo aprovou o programa de povoamento e repovoamento florestal para promover o desenvolvimento florestal com fins comerciais. Foi aprovada em Julho do ano passado a plantação de 10.000 hectares por ano de florestas para agentes públicos, comunitários e particulares.

JA - O instituto tomou medidas para acabar com o abate discriminado de árvores?

TC -
Temos feito trabalho de sensibilização junto das comunidades. As pessoas precisam de saber a importância das florestas e a atenção que temos de lhe dispensar. A necessidade de preservarmos as florestas é uma obrigação de todos. Só devemos tirar dela aquilo de que necessitamos e deixar o que não necessitamos para as próximas gerações.

JA - Além da floresta do Maiombe existem outras grandes manchas florestais em Angola?

TC -
Para além da floresta do Maiombe na província de Cabinda existem as savanas no Centro, Leste e Sul de Angola. Estas florestas ocupam 53 por cento da superfície do país.

JA - Qual é a floresta mais vulnerável em Angola?

TC -
As florestas mais atacadas são as das regiões de savana no Centro e Sul. As árvores de pequeno porte são as mais procuradas para produzir carvão. E é nas matas de pequenas árvores e arbustos que se fazem desmatações para a agricultura.

JA - Existe colaboração entre o Instituto e o Ministério do Ambiente para preservação das florestas nacionais?

TC -
Temos a colaboração do Ministério do Ambiente e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Realizámos dois projectos com a FAO sobre actualização da legislação florestal em Angola e o inventário florestal nacional.

JA - Como são controladas?

TC -
A fiscalização da zona florestal é regulada pela lei e o controlo é da Polícia Fiscal.

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