Entrevista

Segurança garantida no Namibe

André da Costa |

  A cidade do Namibe tem criadas as condições de segurança para o Campeonato Mundial de Hóquei em Patins decorrer dentro dos parâmetros recomendáveis.

José Moniz afirmou que estão assegurados os meios de patrulhamento terreste e marítimos
Fotografia: José Soares

Em entrevista ao Jornal de Angola, o delegado do Ministério do Interior e comandante da Polícia Nacional na província afirmou que os efectivos receberam formação adequada para a protecção de iniciativas desta amplitude, com meios de patrulhamento terrestre e marítimo. José Moniz também falou de outros problemas que afectam a região, como o roubo de gado.

Jornal de An
gola - Namibe acolhe uma das fases do Campeonato de Hóquei em Patins. Quais são as forças encarregadas da segurança da prova?

José Moniz
- Mobilizamos efectivos do Ministério do Interior, como Polícia Nacional, Serviço de Migração e Estrangeiro, Protecção Civil e Bombeiros, e temos a cooperação de outras forças.

JA- Quantos efectivos foram formados no Centro de Instrução de Polícia na província?

JM-
Mais de 260, 250 quais do Comando Provincial da Huíla, nos cursos de ordem pública, trânsito, investigação criminal e de motorista que beneficiaram de acções de formação para actualização de conhecimentos específicos que se ajustam à natureza e complexidade da prova. Há também cem formados em Luanda em táctica e técnica de intervenção.

JA- Em relação ao pessoal civil?

JM
- Formamos mais de 300 pessoas na especialidade de cobertura de grandes eventos, além de cem jovens assistentes de recintos desportivos. Temos forças preparadas para desempenharem as funções de forma lúcida, consciente e responsável. Os comandantes das unidades, 7 por cento dos quais mulheres, receberam formação em estratégia de confrontos.   

JA- Além do pessoal, de que meios dispõe a província para garantir a segurança da prova?

JM
- Dispomos de meios indispensáveis, entre eles de tecnologia de informação, e equipamento de automatização que permitem garantir a segurança e a monitorização em tempo real de acordo com as regras.

JA- Estão já preparados os dispositivos necessários para a segurança durante a prova?
 
JM-
A segurança está garantida em vários locais, como são os casos do aeroporto, hotéis, áreas desportiva e pontos turísticos que muitos dos forasteiros provenientes de vários países podem vir a visitar.

JA- Como está a província em termos de criminalidade?

JM-
Registam-se apenas de dois a quatro crimes por dia, a maioria furtos e roubos, como o do de gado no Virei e Camucuio que são os que mais nos preocupam.

JA- E em relação à sinistralidade rodoviária?

JM
- Registamos entre um a três acidentes diários, o que começa a ser preocupante sobretudo os que se verificam na Estrada Nacional 280 que liga Huíla e Namibe. A via, que é estreita, tem falta de sinalização, quer vertical, quer horizontal, e de iluminação em algumas localidades. A juntar a isto há os excessos de velocidade causadores de acidentes aparatosos.

JA- Têm sido realizadas acções de sensibilização para reduzir o número desses acidentes?

JM- Promovemos acções dessa natureza, mas nem todos os automobilistas acatam o que lhes é recomendado. Dispomos de dois destacamentos de socorro e protecção de vítimas, que vamos dotar de equipamentos tecnológicos, como radares e medidores de alcoolemia, e intensificar a fiscalização.

JA- O que é que tem sido feito para combater os roubos de gado?

JM
- O roubo de gado tem motivações culturais e é antigo. Quando há secas o número desses crimes diminuiu porque os pastores procuram locais diferentes para pasto. Recentemente registamos um caso na Bibala e outro no Camucuio que foram esclarecidos, os bois devolvidos aos proprietários e os autores detidos e levados a Tribunal.

JA – Quais os processos de actuação dos ladrões de gado?

M
- Nos dois casos recentes registados na Bibala e Camucuio, três marginais ameaçaram o pastor que se pôs em fuga, o que lhes permitiu levar os dois e vendê-los ao desbarato.

 JA- Que outros tipos de crime são mais frequentes? 

JM
- No litoral sudoeste e nordeste, como no Sacomar e no bairro Valódia, são as rixas. Os habitantes daquelas localidades dedicam-se à pesca e durante as vendas há sempre desentendimentos. 

JA- Que estratégias são utilizadas no policiamento de proximidade?

JM
- O processo já está em curso e tende a aumentar de dinâmica. No âmbito dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública tem havido reuniões com a população, inclusivamente com sobas, para recolher contribuições que permitam maior aproximação entre a Polícia e as comunidades.

JA- Os conselhos já começaram a funcionar?

JM
- Estão criadas as condições para melhorarem o seu funcionamento a partir dos núcleos da antiga Defesa Civil e da experiência desta organização no combate ao crime.

JA- Quantos reclusos há na província?

JM
- Nos estabelecimentos prisionais do Namibe e Bentiaba  há ao todo 1.450 que desenvolvem actividade agrícola e frequentam aulas até ao ensino médio, mas estamos a estudar a abertura de um pólo do ensino superior. É um centro que cumpre com o processo de ressocialização de reclusos. As condições de infra-estruturas são boas e estão a ser desenvolvidos esforços para a sua ampliação.

JA- Qual é a realidade da província em termos de infra-estruturas policiais?

JM
- O Comando Provincial funciona em instalações antigas. Precisamos de outras incorporadas nas actuais e que sejam dotadas de meios tecnológicos de acordo o nível de trabalho que desenvolvemos. Em alguns municípios as infra-estruturas inadequadas têm de ser substituídas. Nos vales da Namangando e Carojamba, Lucira e o Morro do Chapéu há necessidade de instalar esquadras policiais. Temos já inscrito no Programa de Investimentos Públicos do próximo ano infra-estruturas destinadas à Viação e Trânsito e Investigação Criminal.

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