Entrevista

Só quero que as pessoas sejam felizes

Honorato Silva

Músico, intérprete e compositor distinguido como continuador das raízes do Semba, Paulo Flores abre hoje, de forma excepcional, a presença na quinta temporada do projecto “Show do Mês”, no Royal Plaza Hotel, em Talatona. Em entrevista ao Jornal de Angola, o cantor fala da carreira, que entra para a casa dos 30 anos: “As pessoas deixam-me falar sobre elas. Têm confiança na forma como exponho a nossa dor, a nossa mágoa e a nossa esperança. E, por tudo isso, 30 anos depois estar aqui. Cada vez a fazer mais músicas, mais letras. Tenho guardadas 60 ou 70. Tenho, talvez, 50 ou 60 convites para gravar. Não posso responder a todos. Há muita gente que me liga porque quer gravar um disco e acha que posso ajudar.”

Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Por quê só agora Paulo Flores no “Show do Mês”, num projecto cultural da Nova Energia, que há cinco anos tem marcado a diferença no showbiz?
Foi mais um problema de datas. Abordámos a questão no ano passado e no antepassado. Mas o espaço para encaixar acabou por colidir sempre com a minha agenda.

Sente que chega tarde, a julgar pela forma como os seus fãs e admiradores acolheram o anúncio do show?
Neste caso não é tarde. É na altura certa. No início do ano em que faço 30 anos de carreira. Aliás, o Yuri Simão e o Álvaro Fernandes são, digamos, os meus delfins. Lembro-me que, quando fizemos aquele show ao vivo no Karl Marx, estiveram lá comigo. Participaram em tudo. Lembro-me que, no fim, nos demos um abraço. Depois de tantos anos, pois aquilo foi em 2002 ... Já passou algum tempo; é uma grande satisfação ver também o crescimento deles. Esse é o principal motivo que me faz estar aqui.

Como encara o Show do Mês um músico com vasta experiência?
O Show do Mês é diferente. É um espectáculo onde o próprio público é parte integrante. Fiquei bastante im-pressionado com essa procura. Sentir que as pessoas estão envolvidas e querem também fazer parte.

É a primeira vez que está no evento, como cartaz. Já esteve alguma vez na plateia?

Também não. Nunca existiu essa oportunidade. Sempre que há concertos eu também estou a actuar.

Mas, certamente, já seguiu pela Internet…
Aí sim! Vi vários espectáculos. Vi o Carlitos, o Show Piô. Vi várias coisas. Por exemplo, não me posso esquecer do show de músicas antigas, creio ser Angola70’s, e o Cantar Teta Lando. Infelizmente, como disse, ao vivo ainda não foi possível.

Que representa para si o facto de estar a secundar Elias dya Kimuezo, “Rei da Música Angolana”, quando a quarta temporada foi encerrada por Carlitos Vieira Dias?
Percebo o peso da responsabilidade. Mas não quero pensar muito nisso, para não ficar mais nervoso (risos). De facto, é o que eu digo. É mais uma prova de que o “Show do Mês” tem o seu critério. Acho que, no fundo, tanto os mais velhos como os mais novos entendem a dimensão e esse critério. Sobretudo, a dignidade que é dada, tanto para o público como para os músicos. Saber que o Tio Carlitos e o Tio Elias estiveram no show, que saíram satisfeitos e que toda a gente os aplaudiu como merecem, é, na verdade, isso que procuramos. Que a nossa memória, os nossos ídolos, que aqueles que são os precursores do que somos tenham também essa retribuição em vida. Acho que o “Show do Mês” foi emocionante, pelo que consegui perceber.

De que forma encara toda esta expectativa criada pela sua presença no projecto, sendo que os bilhetes  esgotaram 20 dias antes do espectáculo?
Foi o que eu disse ao Yuri e à Yuma! Isso só acontece também por o “Show do Mês” ser o “Show do Mês”. Acho que se não fosse eu também estaria cheio, com certeza. Porque o crédito que as pessoas dão ao trabalho que tem sido feito já faz, à partida, com que tenham interesse em querer estar. Hoje em dia, principalmente nós, que já temos mais de 45 anos, sair de casa é só mesmo quando  sabemos que vamos ser bem tratados, que as coisas vão correr bem. Acho que esse é um mérito também do “Show do Mês”. Lembro-me quando eu tocava as “Temporadas” na Casa 70, acho que foram 14 anos seguidos, estava sempre cheio. Isso tinha a ver também com o próprio espaço. Claro que as pessoas têm um carinho por mim. Mas, se não fosse por fazer com eles, Nova Energia, não seria tão rápido. Pelo menos o esgotar dos dois dias. É um carinho para mim e a confirmação do crédito e da qualidade do “Show do Mês”.

No seu quinto ano de existência, o projecto só registou essa romaria por bilhetes no Show Piô, que é recorrente, Euclides da Lomba e “Eduardo Paím 40 anos”.
Como vê, já citou mais de um caso. Fico satisfeito por perceber que as pessoas me querem ver e também têm esse carinho pela minha música. Faço a música pelo amor ao lugar e às pessoas. Aliás, a minha música acaba por nem ser minha, muitas das vezes. A minha parte no início era quase um desabafo. Uma forma quase de sobreviver. Hoje em dia, é também um privilégio perceber como é que aquela coisa, que eu achava tão íntima e tão pessoal, conseguiu tocar a vida de tantas pessoas. Quando o Yuri começa a promoção do show, no facebook, com aquela minha foto aos quatro anos de idade, até eu senti. Tive de escrever. Acho que foi também essa abordagem, que nos chega ao coração, dos tempos que não voltam mais, que fez com que as pessoas rapidamente quisessem estar. É um pouco isso. Uma partilha de vida; de trajecto comum. Paulo Flores, “Show do Mês” e os showistas, não é assim que são tratados?!

Com esse movimento, nasce aqui alguma coisa noutra dimensão, num espaço mais amplo, já na perspectiva da celebração dos 30 anos de carreira?
Já fui abordado pelo Yuri. Eu queria comemorar em Agosto, o mês em que lancei o primeiro disco. Mas tenho várias ideias para celebrar esses 30 anos. A principal é dar de volta. Pretendo fazer algo mais perto do público. Não sei se vou conseguir tão cedo, porque ainda tenho outras coisas por fazer. Vou ao Brasil e tenho shows marcados na Europa. Para preparar como eu quero, que no fundo é um show surpresa. Quero montar um palco no Cazenga, onde nasci, e começar a tocar. Oferecer aquilo ao público, assim sem expectativa, era o que eu gostava de fazer mesmo. Mas acho que não é impeditivo de fazermos um show no CCB e ir a outros lugares mais pequenos, como, por exemplo, à Casa das Artes.

Perto de completar três décadas de estrada como criador artístico, em quase 46 anos de vida, que avaliação faz da carreira. Em retrospectiva, seguiria o mesmo percurso ou evitaria alguns caminhos?
Responder a isso é complicado. Acho que consegui muito mais coisas do que eu esperava. Também porque nunca espero muito. Não faço por estar à espera de alguma coisa. Também nunca fico muito tempo a pensar “fiz isso mal, devia ser assim”. É complicado. O que acho é que me sinto um privilegiado, sinceramente! Consegui tocar a vida de muitas pessoas. No início, não dava assim muito valor. Queria mudar o mundo. Não queria ser famoso. Quando começo a perceber que, se calhar, o mundo é que me mudou, houve alturas de grande desencanto. Achava que não tinha conseguido nada. De repente, começou a haver uma quantidade de pessoas a vir ter comigo, em diversos momentos, com depoimentos sobre a minha música, a for-ma como influenciou a vida delas. Aí consegui perceber que às vezes ao tentarmos salvar uma vida, acabamos por salvar milhares.

Tem tido o retorno das pessoas?
E de que maneira! As pessoas deixam-me falar sobre elas. Têm confiança na forma como exponho a nossa dor, a nossa mágoa e a nossa esperança. E, por tudo isso, 30 anos depois estar aqui; cada vez a fazer mais músicas, mais letras. Tenho guardadas 60 ou 70. Tenho, talvez, 50 ou 60 convites para gravar. Não posso responder a todos. Há muita gente que me liga, porque quer gravar disco e acha que posso atender a todos. O que quero dizer é que sinto que estou vivo e influenciei muita gente. Muitos músicos do rap, até do kuduro! Sinto-me vivo e honrado por ser quem sou. E nestes 30 anos nunca pensei chegar aqui com essa vida, com essa vontade. Em termos físicos, acho difícil. Mas em termos de espírito e daquilo que quero ainda dizer, acho que teria ainda mais 30 anos pela frente e mais 17 ou 18 discos para fazer.

O casamento da sua música com o actual contexto social do país traz alguma memória de um tempo já vivido, como, por exemplo, a abordagem feita em 1998, no disco “Perto do Fim”?
Há na verdade uma luz. Essa esperança que somos nós mesmos. A nossa força. Mas acho que sempre foi assim. Desde o “Kapuete Kamundanda” que me lembro ter ouvido que iria ser proibido. Os relatos daquela altura eram muito aquilo que me contavam o meu pai e a minha avó. “Sassassa” também teve o “Por que choras Piô Piô?” e uma outra música. De facto, o “Perto do Fim”, quanto ao impacto social, foi algo com uma dimensão enorme. Era, na verdade, a descrição da vida de muita gente. Mas eu estava a falar da minha, da do meu pai. Às vezes até tenho medo de criar, porque parece que o que crio acaba por acontecer, mesmo até que não tenha acontecido. Vou começar a escrever músicas que no final eu termine a ganhar a lotaria. Lembro-me que até os músicos na altura, a Roberta Miranda, todos compraram esse disco pirata. Porque, na altura, vendeu muito e a gente não tinha essa distribuição.

E como reagiu ao facto de uma obra sua ter sido pirateada?
Com naturalidade. Prefiro que uma pessoa que não tem como ter o meu disco por dez dólares, tenham o pirata a não ter. Gostava que tivéssemos um país, um mercado ou um mundo onde fosse mais acessível a todos ter os trabalhos. Eu já assinei discos piratas, em São Tomé e Moçambique, porque as pessoas têm o mesmo carinho e muitas vezes não têm essa possibilidade.

A crítica feita mais com pendor político prejudicou alguma obra por si lançada?
Como digo, não espero nada. Não fico a pensar “não estão a passar a minha música na rádio, não me convidaram para aquele show”. Vou continuar a fazer as minhas músicas e serei sempre convidado para outros shows. Tenho é pena de, às vezes, não poder estar a cantar para as pessoas de quem gosto e que gostam muito da minha música. Não vou ficar a pensar que me estão a prejudicar. Sou o meu próprio lobo. Existe todo um sistema. O mundo inteiro é aprisionado pelo poder financeiro. Enquanto eu acordar, fizer mais uma canção, mais um verso e sentir uma emoção, serei feliz. Mesmo que soubesse que o mundo iria acabar amanhã, eu iria plantar uma árvore, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. Normalmente, esses que mandam estão muito atrás de nós no pensamento.

Tem algum escape para contornar esses bloqueios?
Não penso nisso. Mesmo que não passe na rádio, quando o que tu estás a fazer tem mesmo aquele valor, como foi o caso do “Baju” ou do “Makalakato”, não precisa de passar na rádio. Lembro-me que o “Makalakato” demorou pelo menos um ano e meio para começar a passar na rádio. Mas depois passava em todo o lugar. E quando se diz não passa na rádio, se calhar não foi a direcção que disse para não passar. Às vezes, são as nossas próprias cabeças, as nossas barreiras. Por isso, não me canso de falar do “Baju”, que saiu num momento em que eu tinha apoiado de alguma forma o movimento dos Revus, no sentido cívico.

Um lançamento de vários discos, num curto espaço de tempo, não atrapalha a assimilação da mensagem?
Acho que a forma de as pessoas assimilarem não tem um tempo. Eu é que tenho o meu tempo. Se pudesse, lançava um disco esse mês e outro a seguir, porque tenho aí muita coisa para dizer. Às vezes, as pessoas demoram anos até entender um disco, até entender uma música. O que quero é disponibilizar às pessoas o que estou a sentir. Do “Bolo de Aniversário” para o “Kandongueiro Voador” passou um ano. Mas, enquanto artista, é a forma que tenho de me expressar. Cada vez mais a descomplexar essa ideia de que tem de ser tudo muito bem feito. Quero partilhar com o meu público os meus erros, os meus pensamentos. Hoje em dia, os discos, para mim, são rascunhos dos meus afectos, daquilo que me preocupa e do que eu acho que é a nossa sociedade.

Que Paulo Flores temos hoje, como músico?
É um pouco de tudo. No início, não sabia bem o que fazer. Tocava tudo em lá menor. Depois, o Eduardo (Paim) fez os arranjos e a produção, que aproximou muito do Zouk e aquilo que fazíamos na altura. Foi assim que começámos a tocar também nas nossas festas, porque, na altura, não tocava mesmo música de Angola, que eu me lembre. Daí esse movimento da Kizomba, com o Ruca (Van-Dúnem), com o Eduardo, com todos eles. A minha aproximação ao Carlitos Vieira Dias, à Banda Maravilha, ao Semba. Essa minha aprendizagem toda. E também o facto de eu sentir que, na altura, o Semba era quase como um tesouro guardado. Depois, a minha necessidade de experimentar a arte sem rede. Fazer uma música que não seja o expectável e que também exercite o meu público. Porque aquela coisa da receita, que as pessoas querem sempre, entendo. A mim não motiva fazer sempre “Cherry” e “Boda”. Coisas que já fiz. Hoje, sinto que dou mais valor a todos os géneros e a todos os lugares por onde já passei. Hoje, respeito e gosto mais das minhas primeiras músicas em lá menor. Dou mais valor e me preocupo muito mais com o Semba e a sua continuidade. Ao mes-mo tempo, estou mais à vontade para cantar músicas de qualquer género. É preciso não esquecer que muitos desses géneros saíram daqui. Aliás, sobre os próprios discos do André Mingas as pessoas diziam que era música do Brasil. Mas as pessoas não se podem esquecer que a música do Brasil também é nossa. Assim como eles pegam na nossa, também temos o direito de pegar na evolução deles. É esse tipo de complexos e de barreiras que a nossa arte tem de finalmente deixar para trás. Agora, o que temos de fazer é ensinar bem o que é nosso aos criadores.

Cruzar com Carlitos Vieira Dias e a Banda Maravilha pode ser considerado o ponto de viragem na sua carreira, quanto ao firmamento no Semba?
Sem dúvida! Lembro-me que em alguns sembas que fiz no início, quando os kotas tocavam, o próprio andamento, eu não conseguia entrar no ritmo. O Semba tem alguns segredos que não se explicam ou não sei explicar. Que só consegues ir aprendendo com a prática, por ser uma coisa que se sente. Se vires a música de maneira ocidental, para cantares o Semba, o ocidental vai dizer que está ao contrário. Mas para nós, quando o ocidental entra, também achamos que está completamente ao contrário. Então era isso que me acontecia. Até na harmonia, que no Semba às vezes muda, antes de começares a cantar. Ainda estão gravadas algumas coisas e hoje já percebo o que eles, os mais velhos, estavam a dizer.

Isso sustenta a tese de que o Semba não se toca com pauta?
A nossa música pode ser tocada com pauta. O que eu acho é que os fazedores do Semba teriam de saber de música e escrever a pauta. Há alguns estudos feitos, como os do Mário Rui Silva, que é pena que não sejam editados cá, mas que já fazem uma abordagem muito boa ao violão, às cadências e às rítmicas do Semba. Essencialmente, acho que, se tivéssemos mais teoria, cá, em Angola, eventualmente, conseguiríamos explicar melhor. Não acho que não se possa passar para a pauta.

Que avaliação faz do estágio actual da música e cultura angolanas?
Acho que a cultura, a música e as artes são sempre um reflexo do país. Como em tudo, existe um crescimento em termos musicais, por exemplo da própria indústria, das profissões que estão subjacentes à indústria da mú-sica, os agentes, os técnicos, os promotores de espectáculo, os que fazem o protocolo, o som, a luz... Existe, de facto, um crescimento, uma maior profissionalização dos próprios músicos. Da forma como se encara a mú-sica como uma profissão. Depois, temos os problemas que são do país. Que são os conteúdos, a falta de acesso à educação, à informação e à formação. Acho que é aí que vem a maior preocupação, de como fazer com que estejamos mais preparados para o futuro. Como fazer chegar aos mais jovens a memória da nossa história, da nossa música. Dos poetas e dos criadores. Como dar um melhor futuro a todos. No fundo, é incompatível teres a melhor música do mundo e um país com problemas. As artes são de facto o reflexo do país. Existe uma maior co-brança, tanto do público como dos profissionais.

  “Em mim, a política é de consciência, aquilo que me inspira”

Há alguma forma de um criador artístico usar a sociedade como fonte de inspiração e apagar da sua música tudo o que possa ser entendido como "algo com pendor político"?
São várias as formas de se fazer isso. Basta ver as músicas de muitos compositores hoje em dia. Às vezes, é só uma frase. No meu caso, a minha consciência, enquanto ser humano, ela já é assim. Em mim, a política é de consciência. É a vida. Aquilo que me inspira. O Paulo Flores, o próprio criador, vive de tudo isso. Das mágoas, da forma como nos levantamos das quedas. Isso é o que me inspira. São os mais velhos. São pequenos exemplos. É a força, a generosidade, que no fundo é o mesmo que inspira os políticos. Mas a minha ideia é apenas representar aqueles que não têm voz. Agora ser apolítico é quase impossível, na maneira que tenho de criar, que tem muito a ver com a nossa realidade. São pequenas crónicas do nosso dia-a-dia.

E como encara as mensagens de descontentamento em relação a determinada mensagem que passou?
Com a maior naturalidade. Há sempre alguém que não está contente. Por exemplo, em relação ao “Baju”, foi no sentido do humor. Fazer aquilo de uma maneira leve e não de estar a apontar o dedo. De repente, vejo que toda a gente entendeu a música da maneira que eu queria. Só quero que as pessoas sejam felizes. Acho que a música quebrou tantas barreiras que pomos a nós próprios mentalmente. Acho que nós, em Angola, às vezes temos até o medo de entender. Porque quando uma pessoa me pergunta, por exemplo, o que quero dizer com a música “Carta”, digo que tu não queres entender! O que quero dizer está lá dito. “Querida mãe, espero que estejas bem”. Por isso, o “Baju” descomplexou um pouco as pessoas. Essa foi a maior força que a música teve.

Um compositor tem necessidade de explicar o que cantou?
Acho que não. Isso normalmente já é mau. Mas, contextualmente, por vezes, não me importo de explicar. Se isso for para ajudar que as pessoas se sintam mais descansadas nas suas consciências, porque, na verdade, não estou muito a pensar em mim. Mas músicas como “Carta” ou “Makalakato” não explico. Está lá tudo dito. O “Baju” começou por ter uma reacção de espanto, quase mais negativa. Do tipo o que é isso? E depois não era “Baju”, era “Revu”, até surgir o “Medru”. A minha ideia é sempre a mesma. Falar de nós. O “Baju” veio na altura certa.

PERFIL

Alexandre da Silva Flores
Nasceu no Cazenga (Luanda), a 2 de Julho de 1972. 

Carreira:
Ainda muito novo foi viver para Portugal, onde fez os estudos primários. Nas férias escolares visitava Luanda e, na companhia do pai, Carlos Alberto “Cabé”, antigo “discotequeiro”, já falecido, contemplava os encantos da cidade, cujas histórias registou para a memória futura, hoje transformada em sucesso nas canções que viram retratos da vida de quem escuta e dança. Em 2011, venceu com o tema “Boda” o Top dos Mais Queridos.
Em 30 anos de carreira, num percurso iniciado em Agosto de 1988, com “Kapuete Kamundanda”, obra da qual se destacou o ícone “Cherry “,
tem 17 discos gravados.
Em 2004, foi nomeado Embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas. Tem uma agenda repleta de espectáculos pela Europa, África e América. Em 2008, festejou os seus 20 anos de carreira com o feito histórico de colocar mais de 20 mil pessoas no Estádio dos Coqueiros.
Tem quatro filhos e dois netos.

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