Entrevista

“Temos uma procura maior que a oferta”

Alexa Sonhi e Teresa Luís

Reaberto em 2011, depois de 10 anos encerrado, o Instituto Médio de Saúde de Luanda possui três mil 325 alunos e seis laboratórios completamente apetrechados. O director-geral da instituição, Dadi Bucusso Netumo, garante que estão a criar condições para uma melhor transmissão do conhecimento.

Instituto Médio de saúde de Luanda
Fotografia: Eduardo Pedro| Edições Novembro

O número de candidatos aumenta gradualmente todos os anos, por isso foram criadas novas escolas de saúde na cidade do Kilamba e no Cazenga, para dar resposta à necessidade. “Como a procura é maior que a oferta, sentimos necessidade de criar novos pólos em alguns municípios de Luanda, com o objectivo de desafogar o IMS central”, disse

Quanto tempo o Instituto Médio de Saúde de Luanda esteve encerrado?
Esteve encerrado durante dez anos.

A instituição reabriu as suas portas em 2011. De lá para cá o que foi feito?
Quando a escola foi reaberta em 2011, eu ainda não fazia parte dos quadros da instituição. Estou à frente desta escola desde Agosto de 2013. Na altura, fizemos um levantamento de todos os problemas da instituição, para elaborar um plano que pudesse responder às necessidades formativas do IMS.

Quais foram os resultados de levantamento?
O problema que mais saltou à vista esteve relacionado com os arquivos. Esta é uma escola muito antiga e, com base nisso, decidimos criar um software para fazer a gestão da nossa actividade pedagógica. Desde 2015, que temos tudo organizado numa base de dados com um software pedagógico. Isso facilitou o controlo das pautas, a organização das notas, marcação das reuniões e tornou mais célere e segura a gestão académica.

Houve outras debilidades?
Houve. O IMS carecia de salas práticas qualificadas para as exigências actuais. Hoje, temos uma farmácia e seis laboratórios em funcionamento, nomeadamente os laboratórios de enfermagem, onde temos os manequins utilizados para a realização de determinados procedimentos médicos, de análises clínicas, onde os alunos, além da aulas práticas, assistem o atendimento feito aos pacientes que ali vão fazer exames clínicos.

Quais são os outros laboratórios?
Sim, também temos ainda os laboratórios de estomatologia, onde os alunos fazem as aulas práticas e parte do seu estágio, de radiologia, que funciona sem problema algum, de anatomia e de fisioterapia. Realçar que, no passado, estes laboratórios funcionavam com muitas dificuldades. Hoje, estão melhor apetrechados, embora reconheçamos que ainda não atingimos a excelência, precisamos de mais investimentos.

Que técnicos de saúde a instituição forma?
O IMS tem como missão formar técnicos na área de Enfermagem, Análises Clínicas, Farmácia, Radiologia, Estomatologia, Fisioterapia, entre outras. Ministramos também cursos de especialidade pós-média, ou seja, existem aqueles técnicos médios de saúde formados há muitos anos que necessitam de alguma especialização mesmo de nível médio. Formamos também técnicos básicos de saúde, uma categoria praticamente extinta. Estamos a promover os técnicos básicos para o médio. E ainda fazemos formação permanente que visa capacitar os funcionários e professores da instituição.

Também administram o curso de Parteira?
Sim, mas este é um curso de especialização, ou seja, alguém que já é enfermeira faz uma formação para ser parteira.

Quantos alunos têm o IMS?
Temos 3.325 alunos, subdivididos em dois turnos, manhã e tarde, já que não leccionamos no período nocturno.

Qual é a relação do binómio oferta-procura no IMS?
É muito desproporcional. Todos os anos, a procura aumenta gradualmente. Em 2018, tivemos mais de dez mil candidaturas para 210 vagas. Provavelmente, no próximo ano, vamos registar um número de candidatos igual ou superior. Como a procura é maior que a oferta, sentimos necessidade de criar novos pólos em alguns municípios de Luanda, com o objectivo de desafogar o IMS central.

Quais são esses pólos?
Bem, houve uma altura que tínhamos núcleos nos municípios do Icolo Bengo e da Quiçama, mas, infelizmente, encerraram por questões administrativas. Depois, surgiu as escolas de saúde na cidade do Kilamba e no bairro Calawenda, no município do Cazenga e um núcleo na cidade do Sequele. Com o seu surgimento, percebemos que é necessário criar mais escolas de saúde, para que os jovens sejam formados nessa área e deixem de percorrer grandes distâncias em busca do conhecimento.

Essas escolas e núcleos funcionam sob vossa direcção?
Sim, temos o controlo destas escolas e núcleos. Estão na nossa base de dados e os alunos fazem as provas práticas e as defesas de fim de curso na sede do IMS. Até os alunos de escolas privadas fazem as provas práticas e as defesas aqui mesmo.

Qual é a capacidade real do IMS, já que admitiram, em 2018, apenas 210 alunos?
O IMS tem várias formações. Os 210 são do curso inicial em Saúde. Além destes, temos os cursos de especialização pós-médica e de promoção. Por exemplo, só no curso de promoção temos cerca de 2.500 alunos.

Em que consiste o curso de promoção?
Antigamente, os cursos em Saúde eram básicos e médios, mas os currículos foram eliminados. Como existia muitos profissionais com formação básica e para qualificar melhor esses técnicos, o Ministério da Saúde orientou no sentido de se acabar com os técnicos básicos e deu a possibilidade de eles continuarem com os estudos dentro da área de formação equivalente ao curso médio, denominado de promoção com a duração de dois anos e tem inscritos 2500 alunos. Já no curso de Parteira, estão inscritos 35 alunos.

Que critérios de admissão têm sido usados no IMS?
Normalmente, tem sido levado em conta a média que o aluno traz da 7ª, 8ª e 9ª classe. E depois, por meio de uma prova, questionamos a razão que o levou a escolher o curso de Saúde. Por meio desta prova escrita, avaliamos a ortografia e a redacção. Devido à procura, muitos alunos com boas notas ficam de fora.

Qual deve ser a média da nota da 7ª a 9ª classe?
Não temos uma nota definida. Em 2018, tivemos como a média mais alta 17 valores e a mais baixa 14. Todos que tiveram 17 e 15 valores entraram. Dos com 14 valores, apenas foram admitidos dois.

O factor idade é relevante para estudar no IMS?
Não é tão relevante assim. Podem estudar nesta instituição os alunos com 15 anos em diante. Não há um limite de idade depois dos 15 anos.

 

 

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