Entrevista

Temos de reforçar a nossa capacidade de resposta

Fula Martins|

O comandante nacional da Protecção Civil e Bombeiros disse, ao Jornal de Angola, que as chuvas registadas, este ano, no país já causaram 70 mortos.

"Ainda há quem insista em construir em áreas de risco como junto ao leito dos rios"
Fotografia: José Roberto

O comandante nacional da Protecção Civil e Bombeiros disse, ao Jornal de Angola, que as chuvas registadas, este ano, no país já causaram 70 mortos. António Vicente Gime aconselha os cidadãos a não construírem junto ao leito dos rios ou em zonas de risco e anunciou que o Ministério da Assistência e Reinserção Social tem um plano de apoio aos sinistrados.

JA – Como é que a Protecção Civil e Bombeiros lida com os estragos que as chuvas têm causado em todo o país?

António Vicente Gime –
A situação é preocupante, mas convém dizer que as enxurradas estavam previstas, inclusivamente pelo próprio Instituto Nacional de Meteorologia (INAMET). Sabemos que há, em algumas regiões do país, chuvas acima da média que têm causado mortes e destruído bens patrimoniais. Exemplos dessas ocorrências são as situações registadas em Cabinda, Luanda, Huambo, Cunene, Benguela, Namibe e Kuando-Kubango.

JA – As chuvas fortes que têm caído estavam previstas, o que foi feito em termos de prevenção?

AVG –
Nas províncias há as comissões da Protecção Civil que têm dado resposta a essas situações, no âmbito daquilo que são as suas responsabilidades, embora em algumas situações se debatam com falta de capacidade, principalmente no domínio dos equipamentos.

JA – Como avalia a colaboração de outros parceiros sociais?

AVG –
O Ministério da Assistência e Reinserção Social está a elaborar um plano de apoio às pessoas afectadas e em algumas províncias foram reforçadas as capacidades nas localidades mais afectadas, por orientação do ministro do Interior.

JA – Como está o intercâmbio com o INAMET?

AVG –
O INAMET é membro da Comissão Nacional de Protecção Civil. Temos uma estreita colaboração. Remete-nos as informações sobre as quedas pluviométricas em todo o território. É a entidade que tem a responsabilidade de informar sobre o serviço meteorológico.

JA - A região Sul do país foi a mais atingida pelas chuvas, tem um tratamento especial?

AVG –
Temos registado enxurradas em todas as províncias, mas é verdade que a zona Sul tem sido a mais fustigada.

JA – As províncias do Cunene, Namibe e Kuando-Kubango estão a viver uma das piores situações de sempre: há algum plano de contingência?

AVG –
A situação nessas províncias é aflitiva e é preciso reforçar a capacidade de resposta, mas, de uma forma geral, está sob controlo das autoridades, a nível das comissões provinciais de Protecção Civil e, também, das estruturas centrais.

JA – Que apoios tem recebido da sociedade civil?

AVG –
Temos mobilizado a sociedade civil, mas a assistência aos sinistrados é da responsabilidade do Ministério da Assistência e Reinserção Social.

JA – Há efectivos suficientes para acudir aos  problemas em todo o país?

AVG –
Quando há calamidades ou acidentes as pessoas mobilizam-se. Dentro da nossa estrutura há, também, uma mobilização para se acudir a essas situações. As Organizações Não-Governamentais e outras entidades sociais têm sido solidárias. Os meios são mobilizados em função da gravidade e magnitude das ocorrências. Quando somos obrigados a arregimentar recursos e meios de outras instituições, accionam-se os mecanismos para possíveis mobilizações de meios para responder à situação.

JA - Quantas vítimas mortais foram registadas, esta época, em consequência das chuvas?

AVG –
A Protecção Civil e Bombeiros registaram 70 mortos, a nível de quase todas as províncias. Os números são provisórios. A própria época chuvosa ainda não terminou e o país continua registar a ocorrência de chuvas com maior ou menor intensidade. Tem havido destruições de algumas casas precárias, as construídas com défices de qualidade de materiais ou em locais impróprios.

JA – E quanto aos incêndios e naufrágios?

AVG –
Isso constitui objecto social da nossa prestação de serviço. Além da darmos resposta aos estragos causados pelas chuvas, temos também a preocupação de garantir a segurança das pessoas e a protecção do património. Os incêndios ocorrem com bastante frequência e constituem preocupação dos nossos serviços, principalmente quando resultam em destruição de património público e privado e, também, na perda de vidas humanas. Grande parte desses incêndios têm como causa a negligência.

JA – Como é que a Comissão de Protecção Civil e Bombeiros tem encarado o aumento de afogamentos nos rios e praias?

AVG –
Há um estudo que está a ser elaborado por orientação do ministro do Interior que vai culminar com a reestruturação dos serviços a náufragos. Foi objecto de avaliação no Conselho Consultivo dos Bombeiros. A situação tem a ver com problema de socorro, apoio a banhistas e, também, com a protecção das nossas costas marítimas.

JA – E quanto a meios técnicos para socorro a náufragos?

AVG -
Temos meios técnicos, mas insuficientes em qualidade e quantidade para responder às exigências e garantir a protecção total.

JA - A população tem acatado os apelos das autoridades para não se construir em zonas consideradas de risco?

AVG -
Ainda há quem insista em construir em áreas de risco, como, por exemplo, junto ao leito dos rios. As pessoas devem respeitar o plano director das administrações locais, que tem áreas seguras para construção.

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