Entrevista

"Temos desenvolvido actividades que dão visibilidade a projectos"

Paulo Caculo

O Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM) comemora amanhã, 25 de Junho, 42 anos. A instituição, tutelada pelo Ministério da Comunicação Social, cresce todos os dias, segundo o seu director-geral, António Mascarenhas. O responsável do CIAM garantiu, em entrevista ao Jornal de Angola, que “a casa deu um salto qualitativo, o que a torna hoje numa instituição “mais forte e capaz de responder às novas exigências”. António Mascarenhas destacou, entre os serviços que tornam o CIAM dinâmico e inovador, a realização de programas com a imprensa estrangeira, entre os quais o “Press Tour”, que tem permitido dar enorme visibilidade aos grandes projectos e zonas de incentivo ao investimento estrangeiro.

Quarenta e dois anos depois, que CIAM temos hoje?
Um CIAM muito melhor, mais forte e capaz de responder aos desafios do futuro. Somos hoje uma instituição completamente diferenciada do passado. Evoluímos em todos os aspectos, sobretudo inovámos, fruto também da grande dinâmica que decidimos implementar aos nossos serviços. Demos um salto qualitativo.

A evolução e qualidade que refere tem a ver com o trabalho que desenvolve junto da imprensa estrangeira?
O salto qualitativo a que me refiro tem a ver com tudo quanto desenvolvemos ao nível da nossa instituição, sobretudo na inovação do trabalho com a imprensa estrangeira. Ao contrário do passado, a nossa relação com a imprensa estrangeira hoje não se resume, apenas, ao registo, apoio, controlo, acompanhamento e acreditação destes profissionais. O trabalho é muito mais alargado. Temos desenvolvido várias actividades com a imprensa estrangeira, no âmbito de um programa que visa dar visibilidade aos grandes projectos, que despertam interesse para o investimento privado. 

Refere-se ao programa “Press Tour”, com a imprensa estrangeira?
Sim! Este programa consiste em visitas de trabalho com os profissionais da imprensa estrangeira a zonas e projectos que despertem atenção e interesse de investidores estrangeiro. O objectivo é colocar a imprensa estrangeira em todos estes locais espalhados pelo país, onde são visíveis pontos turísticos e não só, que sirvam de incentivo ao investimento internacional. Por via deste programa de viagens de trabalho, os profissionais da imprensa estrangeira têm a oportunidade de tomar contacto com estes projectos; fazer a cobertura para os respectivos órgãos de comunicação social, de formas a dar-lhes visibilidade internacional. Incluímos nestas visitas a imprensa nacional, para que a cobertura destes projectos seja mais alargada.

Que projectos já foram visitados pela imprensa estrangeira?
Demos início a este programa de Press Tour pelo país, precisamente em Janeiro deste ano. Começámos por visitar projectos agrícolas no Cuanza Norte. No mês a seguir, em Fevereiro, levámos a imprensa estrangeira a tomar contacto com um dos grandes projectos agrícolas que o Executivo desenvolve em Icolo e Bengo, que é o Projecto de Desenvolvimento Integrado da Quiminha. Já em Luanda, efectuámos a visita de trabalho às instalações dos Correios de Angola e à zona de trabalho da petrolífera Chevron, localizada na Chicala.

Com que impressão têm ficado estes profissionais da imprensa estrangeira sobre os grandes projectos?
A satisfação é enorme. Fruto disso, temos sido pressionados a continuar com estas visitas de trabalho. Só para ter uma ideia do grande impacto que teve o programa junto da imprensa estrangeira, quando anunciámos o projecto, foram vários os órgãos da imprensa estrangeira que participaram. A experiência tem sido extremamente positiva. Devemos, por isso, agradecer o grande apoio e suporte que temos recebido do Ministério da Comunicação Social, sobretudo do Senhor Ministro, que foi a primeira pessoa a incentivar este projecto com a imprensa estrangeira. Pretendemos alcançar todo o país, porque estamos em crer que Angola vive uma nova fase do seu processo de desenvolvimento, em que se deve dar a conhecer o potencial que ostentamos para o investimento estrangeiro.

Há evolução no número de profissionais da imprensa estrangeira em Angola?
Todos os anos, registámos uma subida no número de jornalistas estrangeiros. Temos credenciado 262 jornalistas expatriados, sendo que 113 provenientes da Europa, 24 da América, 20 de África e 27 da Ásia. Temos conseguido cumprir com o nosso papel, prestando todo o apoio necessário a estes profissionais,  proporcionando-lhes as melhores condições para que possam desenvolver o seu trabalho sem constrangimentos.

Até que ponto as eleições gerais em Angola, no ano passado, tiveram influência no crescimento do número de jornalistas estrangeiros?
As eleições tiveram, de facto, grande influencia, porque foram várias as solicitações que recebemos das distintas representações diplomáticas e consulares de Angola espalhadas um pouco por todo o país, relativas a jornalistas e órgãos de imprensa interessados em fazer a cobertura do evento. Estivemos durante quase dois meses a  coordenar o processo de credenciamento da imprensa estrangeira e nacional, mediante a supervisão do Conselho Nacional Eleitoral. Basta ver que, para as eleições, recebemos 57 profissionais da imprensa estrangeira. Deste número, 14 vieram de África, 34 da Europa e nove da América.

As condições técnicas e de trabalho no CIAM permitem continuar a prever tempos melhores? />As condições de trabalho não são,  ainda, as melhores, infelizmente. Sentimos, de facto, a necessidade de melhorar as condições salariais dos nossos funcionários. Esta é uma situação que há muito procurámos resolver, porque consideramos bastante pertinente e urgente melhorar as condições dos trabalhadores. De igual modo que nos esmeramos para melhorar as condições técnicas da nossa instituição, de formas a responder melhor à demanda.

Quais os grandes desafios do CIAM?

Inúmeros e a ambição deste grupo de profissionais é enorme. O CIAM é o único criado pelo Governo de Angola para servir de local para as grandes conferências de imprensa do País, além da missão de fazer o registo, acompanhamento e acreditação de jornalistas. Infelizmente, ainda assistimos a actos que, de alguma maneira, desprestigiam a nossa instituição, como é a realização de conferencias de imprensa ao nível do Executivo em lugares menos apropriados.

Gostava que as conferências de imprensa do Executivo fossem realizadas no CIAM?
Com certeza. Acho ser o mais certo, porque o CIAM existe também para este propósito: acolher as cerimónias de pronunciamentos do Executivo ou dos Departamentos Ministeriais. Gostaríamos que os grandes pronunciamentos do Executivo fossem realizados na sala de conferencias do CIAM, onde temos criadas todas as condições.  Se tivermos que adoptar o slogan “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”, a realização de conferencias de imprensa fora do CIAM é um acto que está mal e que podia ser corrigido, na nossa perspectiva. Acho que é tempo de atribuirmos ao CIAM as suas responsabilidades de assumir este papel, melhorando inclusive as suas condições de trabalho e de recursos humanos.


O CIAM projecta promover, em Agosto, com apoio do MAT, um Ciclo de Palestras  sobre as eleições autárquicas de 2020...?
Com certeza. Já temos preparado o programa, que vamos remeter como proposta ao Ministério da Administração do Território, em especial à sua excelência o Senhor Ministro. O grande objectivo destas palestras é ajudar a prestar esclarecimentos à sociedade sobre todo o processo, porque consideramos importante o trabalho que tem sido desenvolvido pelo MAT em todo o País. A ideia é convidar para o nosso ciclo de palestras especialistas do Ministério, que nos ajudem a esclarecer os estudantes e cidadãos em geral sobre como se processam as autarquias e os benefícios para as populações.

Os profissionais da Comunicação Social participaram recentemente de um evento desportivo cuja proposta partiu do Centro de Imprensa Aníbal de Melo. Como surgiu a ideia?
Como de um tempo a esta parte algumas empresas da Comunicação Social já realizavam jogos entre si e porque sentimos haver no seio dos profissionais da classe alguma vontade em disputar torneios, tomámos a iniciativa de propor à sua excelência o Senhor Ministro da Comunicação Social a realização anual de uma prova de futebol de Salão, que envolvesse as empresas do sector interessadas. Como foi o CIAM a propôr a organização do torneio, ficou decidido que seríamos os coordenadores da primeira edição da prova.

 Futebol juntou imprensa em ambiente cordial

Que balanço se pode fazer desta primeira edição do torneio de futsal?
O balanço é positivo, na medida em que correspondeu às expectativas de todos os  profissionais da classe que estiveram envolvidos. O torneio decorreu no período de 03 de Fevereiro a 28 de Abril, com todo o apoio do Ministério da Comunicação Social. Os objectivos foram cumpridos, pois foi uma satisfação ver a classe jornalística nacional reunida num ambiente de recreação e plena cordialidade. O principal propósito é cultivarmos este hábito da prática do desporto no seio das nossas empresas.

A adesão das empresas de comunicação social ao evento foi a esperada ou defraudou?
O número de participação de empresas superou as nossas expectativas. Inicialmente, tínhamos previsto fazer uma competição com apenas 12 empresas.
Mas, dado o número elevado de interessadas, fomos obrigados a alargar para 16. É possível que nas próximas edições este número venha a crescer. Nesta primeira edição do torneio participaram a TPA, Edições Novembro, TV Zimbo, ANGOP, RNA, CIAM, Cefojor, Rádio Ecclésia, Rádio Kairós, Rádio Mais, jornal O País, Nova Gazeta, LAC, Rádio Tocoista, ZAP e Nova Vaga. A Rádio Nacional ganhou o torneio, mas o evento serviu de motivo de festa para todas empresas.

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