Entrevista

Tenista sobe no "ranking"

José Ribeiro

Bárbara Lara Luz, número três de Portugal e 861ª da classificação mundial WTA, está em grande nos “courts” internacionais. A jovem portuguesa de origem angolana esteve em grande nível na sua quarta final em torneios ITF.

Tenista Bárbara Lara Luz tem raízes em Benguela e sonha participar num torneio internacional em Angola a terra do seu pai
Fotografia: Jornal de Angola

Bárbara Lara Luz, número três de Portugal e 861ª da classificação mundial WTA, está em grande nos “courts” internacionais. A jovem portuguesa de origem angolana esteve em grande nível na sua quarta final em torneios ITF.  De uma forma imparável conseguiu o seu primeiro título em provas internacionais no Sree Nidhi Women’s Tennis Tournament 2013, torneio realizado em Hyderabad, na Índia, com um prémio de dez mil dólares para a vencedora. Bárbara Lara Luz para chegar à final e vencer o torneio internacional afastou da competição duas das principais favoritas à vitória final. Derrotou a indiana Ankita Raina, terceira pré-designada da prova e número 557 da hierarquia mundial, pelos parciais de 4-6 7-6 (5) 7-6 (3). Bárbara quebrou o serviço da adversária em oito ocasiões, num encontro em que a tenista contou com 15 oportunidades de break. Bárbara é campeã de Portugal em pares e vice-campeã em singulares femininos. Hoje, disputa a sua segunda final internacional em Hyderabad, a mesma cidade onde venceu o torneio da semana passada.
Bárbara Lara Luz é campeã de ténis em Portugal mas as suas origens estão em Benguela. O avô Luz foi campeão angolano de futebol pelo Nacional de Benguela, então o Portugal de Benguela. A avó Rita Lara é uma benguelense de gema e chefiou a secretaria do Liceu Paulo Dias de Novais em Luanda. O pai, Paulo Lara, mais um seripipi de Benguela, jogou futebol no Belenenses, em Portugal. A tenista num ano subiu 200 lugares no ranking mundial e a sua meta é atingir, até ao fim do próximo ano, o top 100 “para poder jogar nos grandes Slam por direito próprio”.

Jornal de Angola - Quando começou a jogar ténis?

Bárbara Lara Luz
- Comecei a jogar com seis anos na Associação Académica de Coimbra. O meu pai estava sempre a estimular-me para praticar desporto e um dia passámos junto aos “courts” de ténis de Coimbra e eu disse-lhe: pai, quero jogar aquilo! Ele no dia seguinte foi inscrever-me nas escolas.

JA
- Como é que o Paulo Lara foi parar a Coimbra?

BLL
- Ele veio para Portugal em 1975 e pouco tempo depois foi para as escolas do Belenenses levado pelo meu avô Luz, um grande campeão angolano. Quando acabou a formação foi cedido ao Marialvas de Cantanhede, que na época disputava a segunda divisão em Portugal. O meu tio, irmão da minha mãe, também jogava lá. Quando arrumou as botas casou com ela e ficaram a viver em Coimbra. Porque o meu avô materno, que jogou futebol na Académica, vivia lá.

JA - Tem uma família de grandes desportistas…

BLL
- o meu avô Luz foi campeão angolano de futebol, era um craque do Portugal de Benguela, hoje Nacional. Jogou ao lado de Edelfride Palhares da Costa, o mítico “Miau”, que o avô Luz diz que era o melhor defesa central do mundo. Para ele, Angola é o melhor país do planeta e Benguela a cidade mais bonita que existe.

JA - Conhece Benguela?

BLL
- Infelizmente não conheço. É a terra dos meus avós e do meu pai. O meu avô Luz ainda tem muita família em Benguela que eu sonho um dia vir a conhecer. A minha avó Rita Lara disse-me que no Lobito vive o primo Horácio Lara, irmão da poetisa Alda Lara e do jornalista, poeta e cronista Ernesto Lara Filho. Gostava muito de conhecer esses meus familiares. Penso muitas vezes nisso.

JA - A sua avó Rita Lara é prima de Alda Lara e de Ernesto Lara Filho?

BLL
- É prima irmã deles. E também é prima irmã de Lúcio Lara, o grande revolucionário africano e um herói da libertação de Angola. Os pais deles eram irmãos. A família Lara tem muitas raízes em Benguela e no Huambo. Da parte do meu avô Luz são todos de Benguela. Os portugueses ainda nem sabiam onde ficava África e a família do meu avô Luz já estava em Benguela. Tenho raízes africanas muito profundas e sonho com o dia em que vou conhecer Angola e particularmente Benguela. Só ainda não fui porque as viagens são muito caras.

JA - Como evoluiu a sua carreira no ténis?


BLL
- Aos seis anos comecei na Associação Académica de Coimbra. Aos oito anos disputei o primeiro torneio e aos 12 joguei as meias-finais do campeonato nacional. Aos 13 fui pela primeira vez à selecção nacional de Portugal e atingi o 11º lugar no ranking da Europa. Sou a mais nova tenista portuguesa a pontuar para o WTA. Aos 14 anos fui campeã nacional de sub 16. Hoje sou campeã nacional e subi 200 lugares no ranking mundial. A minha meta é até ao fim do ano estar nas top 100 para ter direito a disputar todos os torneios sem necessidade de convite. Tenho um grande treinador, o antigo campeão Cunha e Silva.

JA - Porquê o ténis?

BLL
- O meu pai inscreveu-me na natação. Depois foi o ballet e a ginástica. Quando ele me levou aos “courts” eu senti que queria mesmo jogar ténis. Foi amor à primeira vista. Mas viver num ambiente de desportistas ajudou muito.

JA - Abandonou os estudos?

BLL
- Nem pensar. Se não tiver resultados nos estudos perco o estatuto de atleta de alto rendimento. Estudamos pela Internet e fazemos provas de avaliação. A minha meta é entrar em Medicina. Quero ser médica, como Alda Lara. Acho que vou conseguir. Mas depois na Faculdade de Medicina vai ser mais complicado conciliar o ténis de alta competição com os estudos. Mas estou muito empenhada em conseguir esse objectivo.

JA - Quais são os seus planos imediatos?

BLL
– Vou jogar os torneios internacionais que puder. Se tudo correr bem devo ganhar mais lugares no ranking. Nestes torneios, se ganhamos, conquistamos muitos pontos. Mas o importante é que entro nos “courts” com o emblema do Jornal de Angola. Isto é muito importante para a minha carreira. Sinto um grande orgulho por representar uma instituição que é referência mundial na Imprensa e em Angola, o país do meu pai e dos meus ancestrais. Para que todos os meus sonhos sejam realizados só falta mesmo jogar um torneio em Angola.

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