Entrevista

Trocas comerciais registam aumento

Yara Simão| Brasília

Nelson Cosme, embaixador de Angola no Brasil, afirmou aos órgãos de informação nacionais , em Brasília que dentro de dias entra em vigor uma cláusula que vai permitir aos angolanos condenados naquele país cumprirem as penas em Angola.

Nelson Cosme está confiante no futuro do intercâmbio mutuamente vantajoso
Fotografia: Santos Pedro| Brasília

Nelson Cosme, embaixador de Angola no Brasil, afirmou aos órgãos de informação nacionais , em Brasília que dentro de dias entra em vigor uma cláusula que vai permitir aos angolanos condenados naquele país cumprirem as penas em Angola.

Jornal de Angola -Em que pé está a situação da transferência de presos angolanos para o país?

Nelson Cosme -
 Nós recebemos os instrumentos de ratificação. O procedimento legal da parte angolana está concluído e a parte brasileira está a concluir. A embaixada foi convidada a fazer o depósito formal do instrumento de ratificação dentro de dias, o que vai permitir a sua entrada em vigor. O que quer dizer que os angolanos condenados no Brasil vão poder cumprir metade da das suas penas em Angola, se assim o desejarem.

JA - Quantos estão a cumprir pena no Brasil?

NC -
O número de angolanos presos em 2010 era de 154, dos quais 103 homens e 51 mulheres. Em 2011, registámos a detenção de 159 pessoas, das quais 106 homens e 53 mulheres. Os crimes praticados por estas pessoas são diversos, mas a maior parte deles prendem-se com o transporte de drogas e outro tipo de substâncias não autorizadas por Lei. Nós exigimos ao Brasil que os prisioneiros tenham direito a assistência consular e jurídica.

JA - Qual é a cidade brasileira com mais detidos angolanos?

NC -
Em São Paulo temos, na Penitenciaria de Itai, 89 cidadãos. Também em Carandiru, penitenciaria feminina, estão presas 51 angolanas, na faixa etária dos 30 anos.Temos registados,  em S. Paulo, 140 cidadãos angolanos julgados e condenados por crime de tráfico de drogas, dez dos quais em processo de julgamento pelo mesmo crime.

JA - A comunidade angolana é sensibilizada para cumprir as leis brasileiras?

NC -
A mensagem que temos passado é a de se ter dignidade, porque quando cometemos um crime no Brasil, não é só um problema dessa pessoa, é também a imagem do país que é posta em causa.

JA - Qual é a relação da embaixada com a comunidade angolana aqui no Brasil?

NC -
Tentamos cumprir a nossa missão. Temo-nos reunido com os membros da comunidade residente no Brasil, temos ido ao encontro dela. Explicamos algumas apreensões do Executivo, aconselhamos os formados a regressarem ao país e a darem o seu contributo para a reconstrução nacional.

JA - Que outras actividades a embaixada tem desenvolvido?

NC -
 Vamos criar comissões  que vão servir de interlocutoras com as instituições, para estarmos mais próximo das comunidades. Temos também desenvolvido actividades recreativas, incentivando à cultura, de forma a expandir os valores da nossa identidade cultural nos usos e costumes brasileiros.

JA - Como estão as relações comerciais entre os dois países?

NC -
Do ponto de vista económico, o nível de cooperação tem altos indicadores, porque o comércio bilateral, entre 2002 e 2008, cresceu mais de 20 vezes, tendo atingido, em 2010, o montante de 1,4 mil milhões de dólares. Angola é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil no continente africano e o maior exportador de petróleo, depois da Argélia e da Nigéria. No cômputo geral das relações, Angola é um dos países com o qual o Brasil tem o seu maior volume de investimentos e que se cifra em  quatro mil milhões de dólares.

JA - Como avalia a nova linha de crédito entre os dois Estados?

NC -
Temos tido várias linhas de crédito e já estamos a trabalhar na quinta, que ainda não foi aprovada, mas suponho que é superior à linha de crédito anterior, que foi aproximadamente de mil milhões de dólares. Vamos investir em vários sectores, como os da energia, indústria e reconstrução. Também temos interesses na área do ensino, saúde e tecnologias.

JA - Porque a escolha do sector do ensino?

NC -
O sector de ensino é importante porque temos  300 angolanos a estudar em S. Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará e Brasília. Estão, na sua maioria, a cursar tecnologias, engenharias e ciências exactas.

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