Entrevista

Um organismo como há poucos em África

Paulo Caculo |

O Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM) existe há 39 anos e nos últimos três tem estado a desenvolver algumas reformas no seu modo de actuação, com realce para o novo modelo de registo de jornalistas estrangeiros. 

Centro de Imprensa realiza exposições fotográficas para comemorar a Independência Nacional
Fotografia: Domingos Cadência

Em entrevista ao Jornal de Angola, António Mascarenhas, director-geral do CIAM, exorta as instituições públicas e privadas a cumprirem os procedimentos exigidos, para facilitarem o trabalho dos profissionais em Angola. A par disto, sublinha que o CIAM encerra o ano 2015 com a realização de uma “Maratona de Palestras”, em alusão aos 40 Anos da Independência Nacional.  O local, o maior ponto de encontro dos jornalistas em Angola, tem estado no centro da organização de debates, conferências e exposições fotográficas. O objectivo de todo este trabalho é promover a divulgação de factos de interesse nacional que contribuam para o crescimento do país e a mudança de mentalidades.

Jornal de Angola – O ano de 2015 fica marcado, para o Centro de Imprensa Aníbal de Melo, pela organização de uma vasta actividade de âmbito nacional. É este, também, o objecto social do CIAM?


António Mascarenhas – Quando decidimos adoptar o “slogan” “Centro de Imprensa Aníbal de Melo Comprometido com a Inovação, a Qualidade e o Serviço Rumo à Modernização”, quisemos deixar perceber a ideia de que a nossa instituição está a viver uma nova etapa na sua longa trajectória, resultado também da nova dinâmica imprimida aos nossos serviços. E, neste particular, temos a destacar inovações registadas no processo de comunicação com a imprensa nacional e estrangeira, que muito têm contribuído para valorizar o trabalho dos jornalistas. Paralelamente, estamos interessados na realização de conferências, palestras, debates e exposições fotográficas, em virtude das condições que temos e daquelas que temos vindo a criar nas nossas instalações.

Jornal de Angola – A que se deve este envolvimento do CIAM na organização de eventos?

António Mascarenhas
– Tomámos a iniciativa de nos assumirmos como um dos promotores de actividades de âmbito nacional. Achamos pertinente valorizar a divulgação dos feitos que ajudam a dignificar Angola e o seu desenvolvimento. É neste âmbito que damos a conhecer à sociedade angolana a realidade do novo país em que vivemos. O nosso objectivo é estar aptos, fortes e capazes de cumprir com zelo e profissionalismo a missão de serviço público que nos está entregue.

Jornal de Angola – Consta que um vasto leque de actividades está em agenda, no âmbito dos 40 Anos da Independência Nacional.

António Mascarenhas – Sim, como já tem sido hábito, este ano não fugimos à regra. Realizamos várias actividades em parceria com outras instituições públicas e privadas. O objectivo é valorizar os festejos da Independência Nacional.

Jornal de Angola – Pelo que sei, tudo começou com um ciclo de palestras sobre os 11 Compromissos do Executivo em prol da criança.


António Mascarenhas – Desde o princípio do ano que temos organizado um vastíssimo leque de actividades ligadas à festa da Independência Nacional. Apesar de o ciclo de palestras sobre os 11 Compromissos assumidos pelo Governo a favor da criança ter marcado uma fase importante deste projecto, não podemos esquecer que este programa de actividades teve início em Janeiro. De lá para cá, a lista de eventos é demasiado longa.

Jornal de Angola – Quer enumerar as mais marcantes?

António Mascarenhas – Todas tiveram o seu grau de importância. Mas podemos destacar aqui, em jeito de resumo, as grandes exposições fotográficas sobre o 4 de Abril – Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, o 4 de Fevereiro – Data do Início da Luta Armada de Libertação Nacional,  o 1 de Junho, – Dia Internacional da Criança, além da gigantesca exposição fotográfica que foi a da visita do Presidente da República à China, aos Emirados Árabes Unidos e à Itália. Demos particular importância a alguns ciclos de palestras. Sobre os 11 Compromissos assumidos pelo Governo com a criança, o ciclo mereceu o  apoio da sociedade e serviu de antecâmara para o 7.º Fórum Nacional da Criança. O ciclo sobre o papel do Presidente da República na captação de investimentos em Angola também teve receptividade. Um outro ciclo foi realizado em articulação com a Ordem dos Engenheiros de Angola. Posso ainda citar as conferências sobre a diplomacia do Presidente da República, realizadas em conjunto com o Grupo de Mulheres dos Órgãos Auxiliares da Presidência da República, assim como as reuniões sobre as doenças crónicas não transmissíveis, com destaque para as doenças do coração, a trombose venosa, o cancro da mama e uma mesa-redonda com os jornalistas sobre as formas de combate à diabetes, em parceria com o Ministério da Saúde. Portanto, são inúmeras as actividades que temos vindo a realizar. Se enumerasse todas, não caberiam neste espaço.

Jornal de Angola – A Maratona de Palestras sobre a Violência Doméstica está em curso. O CIAM prevê encerrar este ciclo de actividades ou existem mais eventos?

António Mascarenhas – Não. Queremos terminar em grande, em simultâneo com três actividades distintas, em conjunto com o Ministério da Família e Promoção da Mulher, para o caso da Maratona de Palestras sobre o Combate à ­Violência Doméstica. O ponto mais alto desta actividade é o lançamento da linha telefónica “SOS Violência Doméstica”, um instrumento importante para a sociedade angolana. Com o Ministério da Saúde, vamos promover uma actividade sobre as doenças crónicas não transmissíveis. Com o Ministério da Juventude e Desportos, vamos acolher a cerimónia de abertura da Jornada Juventude e Independência, enquadrado nos festejos  40 anos da Independência Nacional. O CIAM associa-se a estas jornadas por considerar uma justa homenagem às sucessivas gerações que assumiram papel preponderante na concretização dos grandes feitos conquistados pelo país nos vários domínios do seu desenvolvimento.

Jornal de Angola – Ainda há uma actividade no Lobito...

António Mascarenhas
– Sim, pela primeira vez, o CIAM realiza uma conferência fora da cidade de Luanda. Na cidade Lobito, na província de Benguela, vamos promover os benefícios do Corredor do Lobito para a Juventude. Estamos a encerrar a Maratona de Palestras sobre a Violência Doméstica e temos em agenda uma outra gigantesca exposição fotográfica, em alusão aos 40 Anos da Independência, nas proximidades do dia 11 de ­Novembro. Apadrinhámos ainda a entrega do Prémio de Cultura e Artes.

Jornal de Angola – Em que consiste o novo modelo de registo de entrada de jornalistas estrangeiros em Angola?

António Mascarenhas
– De um tempo a esta parte, notámos que, nos moldes anteriormente usados pela nossa instituição, tínhamos dificuldades em catalogar o número de entrada de profissionais da imprensa estrangeira. Por este motivo, sentimos necessidade de investir na aquisição de um novo software, que permite, a partir de um “link” no nosso website, que os jornalistas interessados em cobrir eventos em Angola façam o seu registo, a partir do país de origem.

Jornal de Angola – Como se efectua o processo de acreditação?


António Mascarenhas – O CIAM, graças à ajuda das Embaixadas e serviços consulares de Angola, no exterior do país, criou um modelo que permite aos jornalistas estrangeiros, no momento da solicitação do visto, fazerem também o registo no CIAM, através do nosso website, para termos o registo destes profissionais da comunicação social estrangeira.

Jornal de Angola – O modelo têm resultado?

António Mascarenhas
– O resultado tem sido muito satisfatório. É muito mais prático e evita qualquer transtorno. Permite que o jornalista esteja credenciado pelo Centro de Imprensa e realize o seu trabalho sem sobressaltos e com o nosso total apoio.

Jornal de Angola – Quais os constrangimentos relativamente à aplicação deste modelo de registo de jornalistas?

António Mascarenhas
– Lamentamos apenas o facto de haver ainda uma minoria que tem dificuldades em perceber a importância de fazer cumprir este procedimento fundamental para o registo estatístico dos profissionais da imprensa estrangeira que venham cumprir missões no nosso país. É objectivo do Centro de Imprensa continuar a inovar os seus serviços. Infelizmente, há instituições que ainda recebem estes profissionais para a cobertura das suas actividades sem antes os encaminharem, pelo menos, para o CIAM, para que possamos fazer o registo.

Jornal de Angola – Quantos profissionais da imprensa estrangeira existem neste momento em Angola?

António Mascarenhas – O Centro de Imprensa registou uma subida do número de jornalistas. Neste momento, temos credenciados 235 jornalistas estrangeiros, sendo 128 provenientes da Europa, 48 da América, 31 da África e 28 da Ásia. Temos conseguido cumprir o nosso objecto social, com o apoio do Ministério da Comunicação Social, que tem sido imprescindível e o nosso principal suporte no cumprimento da nossa missão de serviço público, que é de prestar apoio à imprensa estrangeira em Angola.

Jornal de Angola – O CIAM tem o registo de todos os jornalistas estrangeiros?


António Mascarenhas - Na verdade, em Angola existem muitos órgãos de imprensa estrangeira, mas infelizmente nem todos estão registados. Os não registados trabalham connosco, de forma a regularizarem a sua situação. Aproveitamos a oportunidade para chamar a atenção desses órgãos para que não tornem o processo muito longo e demorado. Pedimos que façam um esforço no sentido de fazerem com que as coisas sejam resolvidas num curto espaço de tempo.

Jornal de Angola – Quais os órgãos que ainda não colaboram com o Centro de Imprensa?

António Mascarenhas – Por enquanto, preferimos não mencionar os nomes, mas no futuro vamos anunciar publicamente, para que sejam responsabilizados. Por exemplo, existem órgãos de imprensa que têm dois ou três “correspondentes” em Angola. Mas, na verdade, para se ser correspondente de imprensa exige-se uma série de pressupostos a ser cumpridos, caso contrário não são considerados correspondentes oficiais.
Jornal de Angola – Qual é o grande objectivo do CIAM neste processo?
António Mascarenhas – Caso os órgãos estrangeiros cumpram os procedimentos legais, os seus funcionários, sobretudo os nossos colegas angolanos, têm a sua condição sociolaboral protegida por lei e com contrato de trabalho. De outra maneira, não o têm.

Jornal de Angola – Que perspectivas tem o Centro?

António Mascarenhas – Manter uma relação estreita com a imprensa estrangeira e com todos os fazedores de comunicação. Continuar a cumprir com as nossas responsabilidades, pautando sempre a nossa missão com zelo e profissionalismo. Julgamos ser o momento oportuno para transformarmos a nossa instituição numa empresa verdadeiramente pública.

Jornal de Angola – Acredita haver razões para uma maior representatividade do CIAM no país?

António Mascarenhas
– Absolutamente. A título de exemplo, dada a nova dinâmica da empresa, pretendemos ter delegações regionais, numa primeira fase em Cabinda, Benguela, Cunene, Moxico e Lunda Norte, tendo em conta o fluxo migratório e o nível de crescimento que tem atraído cada vez mais investidores. O nosso desafio é tornar o Centro de Imprensa numa instituição pública forte e capaz, ao ponto de os grandes projectos ministeriais e as grandes tomadas de posição do Executivo terem lugar neste que é um dos maiores e mais eficazes Centros de Imprensa de África.

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