Entrevista

Unidade Especial Anti-Crime alargada a todo o país

André da Costa |

A Unidade Especial Anti-Crime, que tem as suas acções dirigidas para Luanda, vai ser expandida a todo o país para reforçar a ordem pública e a segurança dos cidadãos. Lançada no dia 2 de Julho de 2012, na Unidade Operativa de Luanda, tem como objectivo a detenção de criminosos perigosos e com histórico de reincidência criminal com recurso a armas de fogo.

Superintendente-chefe Joaquim Brás
Fotografia: João Gomes

 O comandante Joaquim Brás, em entrevista exclusiva ao nosso jornal, diz que o trabalho feito na capital incide no apoio às forças de Ordem Pública e de Investigação Criminal.

Jornal Angola - Que missão tem a Unidade  Anti-Crime? 


Joaquim Brás - A unidade foi lançada no dia 2 de Julho do ano passado. É uma força de reserva do comandante-geral da Polícia Nacional. A finalidade é apoiar as forças da Ordem Pública e da Investigação Criminal.

JA - Qual é o fundamento das actividades polícias ?


JB -
As nossas acções estão dirigidas para a captura de indivíduos considerados altamente perigosos e com um histórico de reincidência no cometimento de crimes violentos com recurso a armas de fogo e outros meios letais. Somos uma polícia intermédia entre a Ordem Pública e a Intervenção Rápida.

JA - Que acções destaca no combate à criminalidade?


JB -
Realizamos muitas actividades como o reforço do patrulhamento no casco urbano e zonas suburbanas da cidade. Realizamos buscas. Temos ainda uma reserva de efectivos sempre disponível para qualquer eventualidade em termos de desordem pública.

JA - Estão mais presentes no centro ou na periferia de Luanda?


JB -
Estamos mais presentes na periferia de Luanda em função dos índices de criminalidade. Temos efectivos preparados e viaturas todo terreno que nos permitem penetrar em terrenos difíceis. Vamos onde o crime está em alta.

JA - Que análise faz dos resultados do trabalho desenvolvido?

JB - Os resultados são positivos na medida em que as nossas intervenções têm contribuído para redução de crimes na via pública. Contamos com a colaboração da população com informações que ajudam na detenção daqueles que alteram a ordem pública.

JA – Os cidadãos denunciam os actos ilícitos?  


JB-Temos sido interpelados constantemente pelos cidadãos a denunciar assaltos em residências e na via pública. Depois fazemos as investigações e entramos no terreno com o objectivo de desmantelar os grupos de criminosos e manter a ordem. Também interpelamos viaturas suspeitas de terem sido roubadas. Muitas vezes encontramos armas de fogo em posse ilegalde automobilistas. Estes são presentes ao Ministério Público e vão a julgamento.

JA - Há casos de automobilistas que se põem em fuga?

JB - Já tivemos casos do género, principalmente no distrito urbano do Kilamba Kiaxi, onde os condutores abandonavam as viaturas e fugiam. Quando vistoriamos as viaturas encontramos armas de fogo que provavelmente iam ser usadas para o cometimento de crimes.   

JA - Em que período do dia  registam essas situações?

JB - Houve fases em que os casos eram registados com maior frequência no período da  noite. Os delinquentes também estudam a movimentação das forças policiais e hoje tentam actuar quando não estamos presentes, a qualquer hora.

JA - A Unidade Especial Anti-Crime tem mulheres?

JB - Quando foi criada a Unidade Especial Anti-Crime, numa situação de emergência, só seleccionámos homens, mas nos dias que correm, já temos algumas mulheres. Mas vamos aumentar a sua presença na unidade.

JA - A preparação das forças obedece a um rigor especial?

JB - As forças policiais da Unidade Especial Anti-Crime fizeram um curso de ordem pública e posteriormente treinaram técnicas de intervenção rápida. Os agentes estão sujeitos a uma preparação contínua, diariamente, dentro da unidade.

JA - A Unidade Especial Anti-Crime tem recebido críticas?

JB -
Dificilmente recebemos críticas, talvez porque instruímos os efectivos a manterem uma postura digna, usar uma linguagem apropriada sempre que abordam um cidadão. Quem se porta mal, é repreendido e só depois é que volta a fazer serviço de patrulhamento. 

JA - As condições de trabalho são boas?

JB - Temos viaturas todo-o-terreno para o patrulhamento e isso satisfaz-nos. Estamos instalados na Unidade Operativa de Luanda onde as condições são boas.

JA - Estão preparados para apoiar os comandos provinciais?

JB - É desejo do comandante-geral que essa unidade de reserva se estenda a todo o território nacional. Estamos preparados com forças e meios de transporte para apoiar outros comandos provinciais no combate à criminalidade. Temos efectivos em formação nas Escolas de Polícia para prestarem um serviço mais eficiente, em termos de segurança e tranquilidade das populações.  

 JA - Porque existem agentes junto das discotecas?

JB -
Aos finais de semana acrescentamos o número de patrulhas em vários pontos, com realce para as discotecas, porque podem surgir desmandos. Junto das discotecas fica estacionada uma viatura celular. Quando alguém embriagado faz confusão é detido e só sai quando estiver no estado normal. Tal medida visa evitar rixas violentas que às vezes levam à morte, devido ao uso de armas brancas.

JA - Os efectivos fazem prevenção do crime?  


JB -
Trabalhamos na prevenção do crime, aconselhando os condutores de motorizadas e automóveis a legalizarem os meios. Aos jovens apelamos ao civismo. Há casos que resolvemos com conselhos. Há mulheres na periferia a circularem altas horas da noite em zonas escuras. Costumamos acompanhá-las até à porta de casa. Damos conselhos para terem mais cuidado para não correrem o risco de ser violadas. Às donas de casa pedimos maior vigilância sabendo quem entra e quem sai, para evitar que a filha menor seja violada, muitas vezes por parentes próximos.


Perfil  do comandante


Joaquim Brás é licenciado em estratégia e administração em Israel. Actualmente frequenta o terceiro ano do curso superior de psicologia no Instituto Superior Técnico de Angola. Entrou nas FAPLA em 1985, onde desempenhou várias funções, entre as quais monitor político de batalhão. Com a passagem para a Polícia Nacional, fruto dos acordos de paz em 1992, ingressou na Polícia de Intervenção Rápida onde foi comandante de Companhia, da Esquadra Especial do Malongo, em Cabinda, e da 11ª Unidade da Polícia de Intervenção Rápida.
Em 1999 foi nomeado segundo comandante da terceira Unidade da Polícia de Intervenção Rápida, em Benguela. Foi chefe do Departamento de Operações da PIR. Tem vários cursos de actualização feitos em Espanha, de mando e direcção policial, de segurança de grandes acontecimentos, de planeamento operacional, de comandantes de pequenas unidades e de anti distúrbio. Participou em várias missões internacionais.
 Em 2004, chefiou  o grupo de instrutores em misssão oficial a São Tomé e Príncipe. Participou na conferência sobre terrorismo em África, realizada na República do Zimbabwe, em 2009, e na protecção do Papa João Paulo II, durante a sua visita a Angola, em 1992.

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