Entrevista

Universidade Mandume aposta forte na qualidade

Estanislau Costa | Lubango

Académico com um currículo notável, Orlando da Mata dirige desde 2015 a Universidade Mandume Ya Ndemufayo, baseada na sexta Região Académica e que compreende as províncias da Huíla e Namibe.

Reitor Orlando da Mata fala sobre os desafios
Fotografia: Arimateia Baptista | Lubango

O seu maior intento é a elevação da qualidade da formação e tornar a Universidade numa instituição mais próxima da sociedade. Na entrevista ao Jornal de Angola, o reitor apresenta as linhas-mestras para a instituição atingir o sucesso.


Jornal de Angola – Como funciona a Universidade Mandume Ya Ndemufayo?

Orlando da Mata –
O funcionamento é próprio de uma universidade muito jovem com potencial humano muito grande, que pretende vencer os desafios e afirmar-se a médio prazo como uma referência nacional e internacional. As infra-estruturas são as possíveis. Há unidades orgânicas devidamente instaladas e outras não. É necessário começarmos a pensar na construção de um campus universitário, com infra-estruturas próprias e adequadas às diferentes áreas do saber. Funcionamos em infra-estruturas adaptadas no Namibe e no Lubango. A instituição existe desde 2009 e há ainda um longo caminho a percorrer.

Jornal de Angola – Quais as unidades orgânicas da universidade e os cursos ministrados?

Orlando da Mata –
A Universidade Mandume  Ya Ndemufayo possui seis unidades orgânicas, quatro a funcionar no Lubango – faculdades de Direito, Economia e Medicina, e o Instituto Superior Politécnico da Huíla - e duas no Namibe, a Escola Superior Politécnica e Escola Superior Pedagógica do Namibe. Os cursos ministrados, num total de 30, são Ciências Jurídicas (Faculdade de Direito), Economia, Gestão de Empresas e Contabilidade e Fiscalidade (Faculdade de Economia), Medicina (Faculdade de Medicina), Engenharia Agronómica, Engenharia de Computação, Engenharia Civil, Engenharia Informática, Engenharia Mecânica, Engenharia Zootécnica, Geologia, Minas e Desenho (Instituto Superior Politécnico da Huíla), Biologia, Matemática, Química, Física, Magistério Primário, Ensino da Geografia (Escola Superior Pedagógica do Namibe) e Biologia Marinha, Contabilidade e Gestão, Engenharia do Ambiente, Engenharia Eléctrica, Engenharia Mecânica e Engenharia Metalúrgica e de Materiais (Escola Superior Politécnica do Namibe).

Jornal de Angola – Como relaciona os cursos com a formação de quadros qualificados?

Orlando da Mata –
O nosso objectivo primário é oferecer uma formação de qualidade aos jovens formados na nossa instituição. Entretanto, a formação de quadros qualificados é um processo que deve ser complementado com outros pressupostos. Não nos podemos esquecer que o desempenho dos estudantes que ingressam na universidade depende muito da qualidade do ensino em níveis inferiores. Em função dos perfis de saída dos cursos ministrados nas diferentes unidades orgânicas da Universidade Mandume  Ya Ndemufayo, cada uma está a adaptar os planos curriculares às necessidades reais do mercado de trabalho e da sociedade. Introduzimos no presente ano lectivo novos critérios de acesso, com a realização de um exame único por área de conhecimento. São algumas acções que visam garantir a qualidade na formação dos quadros.

Jornal de Angola – O Executivo pretende a formação de quadros qualificados. Como reage a Universidade Mandume?

Orlando da Mata –
A Universidade Mandume  Ya Ndemufayo encara a prioridade do Executivo como um grande desafio a vencer. Estamos a trabalhar para continuar a criar condições e melhorar as existentes, para que possamos cumprir a nossa missão, que é a formação de bons quadros, caminhando para a excelência. Por isso, apostamos na formação pós-graduação dos nossos docentes, tanto no país como no exterior, além da formação contínua. Aproveitamos para anunciar a abertura, a partir do próximo ano, de cursos de agregação pedagógica na universidade. Estas acções visam capacitar os nossos docentes para um melhor exercício da docência. Formar bons quadros implica, além de possuir um corpo docente diferenciado e altamente qualificado, ter laboratórios equipados e com pessoal técnico formado para o manuseio dos equipamentos, bibliotecas com acervo bibliográfico em quantidade, qualidade e actualizado, um sistema rigoroso de avaliação contínua e regular tanto para docentes quanto para os estudantes. Estamos a criar instrumentos no sentido de promover e incentivar a investigação científica na universidade, porque, através da investigação científica, é produzido conhecimento, que deve ser disseminado e divulgado através de publicações.

Jornal de Angola – Quantos estudantes estão matriculados?

Orlando da Mata –
Neste ano lectivo, matriculámos 8.075 estudantes, dos quais 897 na Faculdade de Direito, 1.213 na de Economia, 483 na de Medicina, 2092 no Instituto Superior Politécnico da Huíla, 1.582 na Escola Superior Pedagógica e 1.888 na Escola Superior Pedagógica do Namibe. Deste universo, 36,8 por cento são do sexo feminino. A Medicina é o curso com mais estudantes do sexo feminino, num total de 282 dos 483 estudantes matriculados.

Jornal de Angola – As vagas correspondem à procura?

Orlando da Mata –
Ainda não. Inscrevemos, no princípio do presente ano lectivo, 7.193 candidatos e foram admitidos 2.140 candidatos, o equivalente a 30 por cento do número total de candidatos inscritos. Isto significa que 3,3 candidatos concorreram a uma vaga. O aumento das vagas passa pela construção de novas infra-estruturas.

Jornal de Angola – Quantos docentes nacionais e estrangeiros leccionam na Universidade?

Orlando da Mata –
Temos 334 docentes, sendo 229 nacionais, entre eles 105 em tempo integral e 124 em tempo parcial, e 105 estrangeiros. Do corpo docente nacional, 7,8 por cento são doutores, 37,5 mestres, 55 por cento licenciados. Quanto ao corpo docente estrangeiro, 7,6 por cento são doutores, 72 mestres e 20 por cento licenciados. São necessários muito mais docentes porque mais de 68 por cento do quadro docente são colaboradores e estrangeiros.

Jornal de Angola – Quantos licenciados foram formados desde a criação da Universidade?

Orlando da Mata –
Pela primeira vez, a Universidade Mandume Ya Ndemufayo atribuiu os próprios diplomas e certificados, isto é, com o nosso logótipo e assinados pelo reitor e respectivos decanos e directores. Desde a sua criação em 2009, a universidade formou 1553 licenciados e 1420 bacharéis, dos quais 508 licenciados e 184 bacharéis receberam os certificados e diplomas este ano lectivo.

Jornal de Angola – Que projectos existem para fortalecer a instituição?

Orlando da Mata –
São vários, com realce para a construção de novas infra-estruturas, abertura de unidades orgânicas e novos cursos, criação e apetrechamento de laboratórios, criação de programas de mestrado nas diferentes unidades orgânicas da Universidade Mandume  Ya Ndemufayo, institucionalização dos cursos de Agregação Pedagógica e reforma curricular.

Jornal de Angola – Como está o processo da abertura de novos cursos?

Orlando da Mata –
Com o redimensionamento da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, em 2014, foram criadas pelo Decreto Presidencial n.º188/14 de 4 de Agosto, mais seis unidades orgânicas, nomeadamente a Faculdade de Medicina Veterinária, a Faculdade de Ciências e o Instituto Superior de Hotelaria e Turismo no Lubango e a Faculdade de Engenharia, a Faculdade de Ciências Sociais e o Instituto Superior de Ciências da Saúde no Namibe. A criação destas unidades implica o surgimento gradual de novos cursos.

Jornal de Angola – Como avalia os cursos de mestrado e quais são as áreas?

Orlando da Mata –
Os cursos de mestrados iniciados neste ano lectivo na Faculdade de Economia estão a decorrer sem grandes percalços. Uma avaliação, neste momento, seria prematura visto que os mestrandos ainda não terminaram a parte curricular. Funcionam o mestrado em Contabilidade e Finanças Empresariais e o mestrado em Empreendedorismo e Desenvolvimento.

Jornal de Angola – Está para breve a abertura de outros cursos de mestrado e doutoramento?

Orlando da Mata –
Estamos a trabalhar com as unidades orgânicas na elaboração de novos projectos de mestrado. Quanto a projectos de doutoramento, é necessário primeiro que se faça uma avaliação dos programas de mestrado em curso e só assim poderemos passar para o desenho de programas de doutoramento.

Jornal de Angola – As jornadas científicas levam a Universidade às comunidades?

Orlando da Mata –
Todas as unidades orgânicas estão orientadas para realizar jornadas científicas com regularidade. Estamos a trabalhar para que as jornadas científicas sejam regulares em todas as unidades. No geral, a avaliação é positiva, mas temos de continuar a melhorar, aprofundando o grau de cientificidade das comunicações, “posters” e outros trabalhos que são apresentados nas jornadas e, após isso, criarem-se condições para a sua publicação.

Jornal de Angola – Como avalia as jornadas da Faculdade de Medicina?

Orlando da Mata –
As jornadas científicas da Faculdade de Medicina são regulares e com elevado nível de organização, participação, intervenção e rigor científico. No âmbito da extensão universitária, tem realizado anualmente a feira da boa vontade, onde os docentes, investigadores e estudantes estagiários oferecem consultas grátis. No mesmo quadro, a Faculdade de Direito está a realizar um projecto que visa sensibilizar as comunidades sobre a importância do registo de nascimento.

Jornal de Angola – E os estágios ou aulas práticas dos estudantes?

Orlando da Mata –
É uma preocupação permanente que passa pela realização de convénios com as empresas públicas e privadas, para que os estudantes finalistas façam estágios. Só para citar alguns exemplos, temos o caso do Caminho de Ferro de Moçâmedes, que já tem um convénio com a Universidade Mandume  Ya Ndemufayo para apoiar os estudantes do Instituto Superior Politécnico da Huíla. Por outro lado, há escritórios de advogados que recebem estudantes da Faculdade de Direito para fazerem os seus estágios.

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