Entrevista

Vias marítimas aliviam trânsito

João Dias|

Os próximos tempos são de alívio para os habitantes de Luanda, no que diz respeito aos transportes públicos. A solução encontrada para contrariar os engarrafamentos de trânsito pas­sa pelo transporte de pessoas passa pela via marítima, com barcos apropriados e a criação de estações ao longo da costa. Em entrevista ao Jornal de Angola, o director-geral do Instituto Marítimo e Portuário de Angola (IMPA), Victor Carvalho, fala dos diversos projectos em curso no sector.

O Instituto Marítimo tem como função licenciar a regulamentação de toda a actividade portuária e segurança de navegação
Fotografia: JA

Os próximos tempos são de alívio para os habitantes de Luanda, no que diz respeito aos transportes públicos. A solução encontrada para contrariar os engarrafamentos de trânsito pas­sa pelo transporte de pessoas passa pela via marítima, com barcos apropriados e a criação de estações ao longo da costa. Em entrevista ao Jornal de Angola, o director-geral do Instituto Marítimo e Portuário de Angola (IMPA), Victor Carvalho, fala dos diversos projectos em curso no sector. O projecto de transporte marítimo compreende duas fases. A primeira abrange a província de Luanda, onde vão ser construídos terminais na rota que começa no Museu da Escravatura, passa por Benfica, Chicala e termina no Porto de Luanda. A norte a linha inclui Cacuaco e Panguila. Os barcos vão servir igualmente a Ilha do Mussulo. Os transportes marítimos vão estender-se às províncias de Cabinda, Zaire, Bengo, Benguela, Kwanza-Sul e Namibe.

Jornal de Angola - Qual tem sido a actividade fundamental do Instituto Marítimo e Portuária de Angola?

Victor Carvalho -
O instituto tem como função coordenar, orientar, controlar, licenciar e até a regulamentar toda a actividade portuária. Tem a vantagem de ter autonomia financeira e operacional. Temos a responsabilidade de toda a actividade marítima e segurança da navegação.

JA - Em que ponto está o programa de reabilitação e modernização dos Portos?

VC -
A execução do programa decorre a bom ritmo. Os programas são para reabilitação dos portos, a sua ampliação e modernização, além de termos em carteira a construção de novas infra-estruturas portuárias. Os projectos correm bem. Temos o caso concreto do projecto de ampliação, reabilitação e modernização do Porto do Lobito. O porto do Namibe está incluído. No Porto de Cabinda decorre a construção de uma nova ponte cais. No Porto de Luanda temos algumas obras nos vários terminais.

JA - Como está a decorrer a modernização dos Portos?

VC -
No caso do Porto do Soyo temos alguns projectos em vista. Neste momento está a ser construído o novo edifício administrativo. Em todos os portos vamos introduzir novos modelos de gestão. Não podemos modernizar as infra-estruturas sem compatibilizá-las com modelos de gestão adequados e de recursos humanos. Temos os vários portos com um nível de reabilitação e modernização já avançada. No Lobito vamos criar novas áreas como o Porto Mineiro, Terminal Pesqueiro e temos implantado o sistema de controlo de tráfego. No caso do Porto de Luanda, o terminal multiparques sofreu mudanças significativas e estão a ser construídos os silos, para conservação de grandes quantidades de cereais.

JA - Como decorrem as obras do Terminal da Sogester?

VC -
Os terminais da Sogester e da Unicargas estão em obras. Temos um terminal novo que é o 5N e temos o Terminal da Sonils, que já está a funcionar. Pensamos que daqui a dois anos estamos em melhores condições, o que nos vai permitir fazer frente aos países vizinhos em termos de competitividade, fazendo jus à nossa localização geoestratégica. Somos subscritores de alguns instrumentos regionais ligados à vida marítima como a Organização Marítima Internacional e outras. E por isso, temos que ser exemplares.

JA - O Porto de Luanda está descongestionado?

VC –
Claro que sim. Houve um trabalho de fundo muito forte. Faço parte da comissão que foi criada pelo ministro dos Transportes e coordenada pelo vice-ministro José Kovingua e inclui funcionários do Porto de Luanda. Fizemos um diagnóstico da situação e procuramos identificar os factores de estrangulamento e depois tomámos medidas. Sensibilizámos a comunidade portuária que um trabalho bem feito beneficia todos, incluindo o consumidor final.

JA  Não volta a ficar entupido com navios ao largo?

VC -
Creio que não. Mas não podemos descansar. Vamos acompanhando o funcionamento do Porto de Luanda a par e passo. Os operadores económicos não devem transformar o porto numa espécie de armazém. Antes era essa a prática, pois as taxas eram baixas. Agora as coisas são diferentes, na medida em que agravamos algumas taxas. Em face disso, os importadores viram-se obrigados a retirar as suas mercadorias do recinto portuário. A quantidade de contentores no recinto portuário dificultava os trabalhos e eram contentores de grandes operadores.

JA – Existe um rograma de transporte de passageiros por via marítima?

VC -
Existe. Já temos estudos concluídos. Agora estamos a ver a questão legal. Estamos a trabalhar nos terminais. Também estamos a qualificar os funcionários para este serviço. As embarcações são modernas e precisamos de operadores que consigam operar com as novas embarcações. Estamos a ver qual vai ser o modelo de gestão, se é privado ou público. Vamos trabalhar com quatro embarcações. Duas com capacidade para 165 passageiros e duas para 220.

JA - O programa está pronto para execução?

VC -
O projecto compreende duas fases. A primeira diz respeito à província de Luanda, porque tem mais dificuldades a nível do tráfego rodoviário. Vamos construir terminais na rota que começa no Museu de Escravatura, Benfica, Chicala, Porto de Luanda, Cacuaco e Panguila e depois no Mussulo. Na segunda fase levamos o modelo a Cabinda, Zaire, Bengo, Benguela e Kwanza Sul e Namibe. Além dos quatro catamarãs, há também outros quatro no âmbito do investimento chinês.

JA - Há mais investimentos noutras áreas do sector marítimo e portuário?

VC –
Estamos com a atenção voltada também para Porto Amboim, que se encontra numa faz de reestruturação. No Porto do Soyo temos em estudo o projecto de ampliação da área de acostagem de navios e sua modernização em termos de equipamentos. Queremos rentabilizar o Porto do Soyo. Vamos investir mais no sector portuário, já que 80 a 90 por cento das mercadorias importadas entram pelos portos nacionais. O Porto do Dande vai apoiar a província de Luanda. Queremos projectos integrados.

JA - Como está o porto de águas profundas de Cabinda?

VC -
O porto de águas profundas de Cabinda visa atender a província já que não tem nenhuma infra-estrutura portuária. Estamos a construir uma nova ponte cais. A nova ponte vai servir de suporte para construir em breve, o futuro porto de águas profundas de Cabinda vai servir os interesses do país mas também da República Democrática do Congo. A ponte cais está adiantada e deve ser concluída este ano.

JA – Existem programas para segurança dos portos e da navegação?

VC -
Vamos criar os mecanismos de segurança para os nossos portos, enquanto exigência das normas internacionais. Temos encomendas feitas das embarcações para salvamento. São seis lanchas rápidas e três rebocadores, que vão ser distribuídos por regiões. No próximo ano começam a chegar as embarcações pois pretendemos garantir segurança à navegação. Temos também um programa geral para qualificação do pessoal. Está em curso o programa de formação de quadros a todos os níveis.

JA - Para quando a abertura de uma capitania fluvial no Kuando-Kubango?

VC -
Neste sector, a prioridade vai para a província do Kuando-Kubango, tendo em conta algumas dificuldades a nível dos transportes. Havendo potencial nas redes fluviais da província, vamos desenvolver o projecto que tem a ver com os transportes fluviais na província, incluindo a sua ligação à Zâmbia. Vamos criar uma delegação fluvial subordinada à Capitania do Porto do Namibe. Em breve, o projecto vai ser efectivado, numa altura em que já se encontram disponíveis oito embarcações. Temos em estudo a dragagem do canal que liga Angola à Zâmbia.

JA - Existe um programa para o rio Zaire?

VC -
Está em curso um projecto para sinalização do canal navegável do rio Zaire. Já foram feitos os estudos e estamos a trabalhar para que o projecto comece a ser concretizado, pois pretendemos ter o rio Zaire navegável no sentido ascendente e descendente e também na sua travessia. Com isso pretendemos a ligação do transporte rodoviário com o fluvial.

JA - Em que ponto estão os portos secos?

VC -
Pretendemos criar um porto seco no Soyo e outro no Porto do Namibe. Está em análise a Lei de Bases para a Marinha Mercante Portos e actividades conexas. Essa Lei foi submetida a outros ministérios. Ainda este ano vai ao Conselho de Ministros. Só depois é possível avançar com portos secos onde eles forem necessários.

Tempo

Multimédia