Entrevista

Vida da comunidade está a subir de nível

João Dias|

A província do Namibe está em franco desenvolvimento em todos os aspectos. Nascem unidades fabris, muitas das quais já em funcionamento. Com o mármore e granito, há excelentes oportunidades para o desenvolvimento de uma indústria de pedras ornamentais.

Cândida Celeste fala dos progressos sociais e económicos registados na província do Namibe
Fotografia: Mota Ambrósio

A província do Namibe está em franco desenvolvimento em todos os aspectos. Nascem unidades fabris, muitas das quais já em funcionamento. Com o mármore e granito, há excelentes oportunidades para o desenvolvimento de uma indústria de pedras ornamentais. A província tem em breve uma fábrica de polimento de mármore. Os sectores de Energia e Águas, da Saúde e Educação dão sinais de crescimento. Novas perspectivas estão à vista com a entrada em funcionamento dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes. Em entrevista ao Jornal de Angola, a governadora do Namibe diz que “o crescimento é visível no nível de vida da população”.

Jornal de Angola - Como avalia a situação social e económica da província?

Cândida Celeste -
O Namibe está em franco desenvolvimento em todos os aspectos da vida socioeconómica. Nascem na província várias indústrias, muitas das quais já em funcionamento. A província vê nascer também fábricas de tintas, alumínio, colchões, mobiliário e fábricas de transformação e conservação do peixe. Todos esses passos na actividade industrial enviam um sinal de que caminhamos em direcção ao crescimento, um processo que é ainda mais fortalecido com início da operação dos Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes.

JA - O que se espera dos caminhos-de-ferro?

CC -
Com as operações dos caminhos-de-ferro a província lança-se na rota do crescimento económico e tira algumas regiões do isolamento. Com o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes operacional vai ser possível transportar mercadorias e combustíveis do porto do Namibe para os restantes municípios do interior, para províncias vizinhas, como o Kuando-Kubango, e para alguns países vizinhos.

JA - É uma nova fase na vida da província do Namibe?

CC -
O comboio marca uma nova fase da vida socioeconómica da província. Vamos levar as nossas riquezas para o resto do país e os países vizinhos. A província deve ter, em breve, uma fábrica de cimento, pois existem investidores interessados no sector. Relativamente à distribuição de combustíveis, tudo fica mais facilitado, pois o combustível que chega à província nos navios, mais facilmente vai chegar aos municípios.

JA - O processo de construção de estradas continua a decorrer à velocidade desejada?

CC -
A rede viária está a conhecer significativas melhorias. As estradas devem estar todas concluídas até final de 2013. Com a sua conclusão, o escoamento de produtos agrícolas fica facilitado. Esta região é rica na produção de gado, fruticultura e agricultura.

JA - O Namibe pode atingir a auto-suficiência alimentar?

CC -
Somos uma província que produz de tudo um pouco. Agricultura, criação de gado e produção de leite são actividades que caracterizam o Namibe, além da pesca.
Ao lado deste esforço de auto-suficiência alimentar, estamos a olhar também para a auto-suficiência energética. Queríamos aumentar a capacidade de produção para os 80 megawatts. Tal não foi necessário, pois o que temos já é suficiente.

JA - Que projectos existem nos domínios da Energia e Águas?

CC –
Estamos a prosseguir com a melhoria da iluminação pública. Até Agosto queremos concretizar a instalação da iluminação pública em toda a cidade do Namibe, uma vez que esteve às escuras durante muito tempo. O bairro “5 de Abril” vai ser iluminado. Este projecto deve atingir os bairros da Praia Amélia e todas as áreas que se encontram às escuras. Vamos estender isso até ao rio Bero, ao bairro Cambongue e ao bairro da Juventude.

JA - Quando a água chega a todos os bairros?

CC -
Em relação à água também houve melhorias e pretendemos continuar a desenvolver projectos que façam com que chegue às zonas mais recônditas da província, embora estejamos a enfrentar alguns problemas que são resultado do próprio crescimento da cidade. Na era colonial a província tinha apenas 20 mil habitantes, hoje são 500 mil pessoas. Este número é muito elevado para as infra-estruturas existentes. Para a cobertura destas falhas, estamos a construir novas estações de captação e tratamento de água e aumentar os fontanários em toda a província do Namibe.

JA - O que tem sido feito concretamente neste sector?

CC -
No sector das Águas, a intenção é suprir as necessidades dos bairros, uma medida que aos poucos vamos concretizando. Do Benfica ao bairro “5 de Abril” e daqui para o bairro Valódia, passando pela Praia Amélia, já temos água potável. A captação do Benfica abastece água aos bairros Mandume e Praia Amélia. Conseguimos fornecer 639 metros cúbicos de água por hora. Abastecemos também o bairro da Juventude e o Chitoto.Todos os municípios já têm água. Na Bibala e Kilemba vão ser inaugurados pontos de água, tal como nas Mangueiras e Caraculo.

JA - O programa agro-pecuário do Virei está a avançar?

CC -
O programa no município do Virei é ambicioso porque a partir dele vamos desenvolver a cultura da criação de gado. As vantagens passam pela prevenção de doenças através de programas de vacinação. Pretendemos também fomentar a comercialização da carne através de matadouros e a abertura de lojas rurais. Conhecida como “Terra do Carneiro”, a região tem potencial para criação de caprinos e bovinos. Com este projecto, a população vai criar condições para o pasto. Depois disso, vamos construir um matadouro industrial. A intenção é também reduzir os níveis de importação.

JA - Há um programa especial para travar a desertificação?

CC -
Este fenómeno natural tem-nos preocupado muito, pois põe em causa a produção agrícola das comunidades. Para contrariar este problema, 15 pontos de água estão distribuídos por municípios e aldeias, tornando possível a criação de bebedouros para o gado e irrigação, o que evita deslocações dos pastores e seus filhos em idade escolar para regiões distantes. Com os bebedouros, pretendemos evitar que as crianças faltem às aulas ao mesmo tempo que a agricultura seja forte.

JA - Como avalia a província na Educação e Saúde?

CC -
O Hospital Ngola Kimbanda está em obras e quando estiverem concluídas ficamos com todas as especialidades e com capacidade para 200 camas. O hospital Saco Mar quase nunca tem vagas. A província debate-se com a falta de médicos em algumas especialidades. A situação fica resolvida quando o Ministério da Saúde contratar os médicos que faltam. Precisamos no mínimo de 50 médicos.

JA - Como estão os cuidados primários?

CC -
Existem bons centros de saúde na província, apesar da falta de médicos. É uma situação que abrange, inclusive, o município sede. Temos poucos médicos angolanos. Além desta situação, temos também problema com o sanatório, que deve entrar em obras em breve.

JA - O sector da Educação está a avançar?

CC -
A nível da educação, a província do Namibe tem estado a dar passos significativos. Uma escola de 24 e outra de 12 salas de aula devem ser inauguradas na sede da província em breve. Está também para breve a inauguração de uma escola de seis salas de aula. Todos os municípios têm escolas de 12 salas de aula. O Virei, por exemplo, tem uma escola de 12 salas e está a reabilitar mais uma de seis salas de aula. Nas aldeias, vamos instalar escolas de duas salas por estarem distantes das escolas municipais. Em todos os municípios, temos escolas de ensino médio para professores. Onde há crianças em idade escolar colocamos uma escola e um posto de saúde.

JA - Como está a província no ensino superior?

CC -
A nível do ensino superior, o Namibe tem ainda dificuldades. Temos a Universidade Mandume ya Ndemufayo, que abrange as províncias da Huíla, Namibe e Kuando-Kubango e a Universidade Gregório Semedo. As dificuldades passam pela insuficiência de professores e a crescente procura de vagas.

JA - A população do Namibe acredita no futuro?

CC -
Se compararmos o passado com os dias de hoje, notamos que a população do Namibe está mais satisfeita. Não tenho registado sinais de insatisfação da população. Isso não tem acontecido. Temos ainda algumas insuficiências. No que diz respeito aos medicamentos temos insuficiências. Estamos a trabalhar para a satisfação da população.

JA - A província do Namibe está bem servida de transportes e de novas tecnologias?

CC -
Temos uma empresa que tem respondido às necessidades da província neste segmento, além de contarmos também com táxis e kupapatas (mototáxis) e agora com o comboio. Tudo isso vai ser uma aposta para suprir o buraco que há no sector dos transportes. Em relação às tecnologias de informação e comunicação, a província começa a dar sinais positivos. As escolas estão equipadas com computadores mesmo os centros de formação. Mas isso é apenas o início.

JA - O que está a ser feito para evitar as cheias?

CC -
Este é um problema que exige a participação do Ministério do Urbanismo e Construção e temos estado a trabalhar para que sejam construídos paredões no rio Bero e no rio Giraul de Cima, que tem a ponte destruída. No rio Giraul de Baixo estamos a regularizar o leito do rio para evitar que as águas cheguem à ponte. No Bentiaba, as águas estão a chegar quase à superfície da ponte. É preciso agir rapidamente porque é a única via. Sem ela as populações ficam no isolamento total. A situação é diferente no Tômbwa, onde a nova ponte está quase concluída.

JA - Como caracteriza o investimento privado?

CC -
O investimento está a crescer no sector das pescas e no mimeiro e é em função disso que as indústrias conhecem algum desenvolvimento. As parcerias têm sido boas. Mas o sector informal ainda tem um grande peso na nossa província e na capital provincial.

JA - Pode falar-se de qualidade de vida no Namibe?

CC -
A qualidade de vida na província é boa. Felizmente a população é muito trabalhadora. O Namibe produz um pouco de tudo. Agricultura, produção de leite e de gado. Dificilmente encontramos gente desnutrida no Namibe. O mais importante em qualquer iniciativa de desenvolvimento é a pessoa humana. Por isso, peço o empenho dos responsáveis do sector público e um trabalho participativo da população. Temos de ser nós a garantir o desenvolvimento do país. A província do Namibe está a crescer e o desenvolvimento está a ser uma realidade tangível.

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