Entrevista

Zaire procura soluções para a energia eléctrica

João Mavinga | Mbanza Congo

Mbanza Congo tem boas perspectivas para ser classificada como Património Mundial pela UNESCO, afirmou o governador provincial do Zaire. Em entrevista ao Jornal de Angola, Joannes André falou dos projectos em curso na província que, pela sua grandeza, implicam recursos, rigor na execução e algum tempo.

O Governo Provincial tem um plano de emergência que inclui a aquisição de mais grupos geradores para todos os municípios da província
Fotografia: João Mavinga | Zaire

Jorna de Angola - Que perspectivas existem para a cidade de Mbanza Congo?

Joannes André
- As perspectivas são amplas. Temos, aprovado em   Dezembro de 2014, um plano inclusivo do desenvolvimento da província do Zaire, que abarca acções a serem executados em todos os ramos de actividade.

Jornal de Angola - A província está confiante na classificação da sua capital como património da humanidade pela UNESCO?


Joannes André - Claro que sim. No final do mês de Junho, participámos, na Alemanha, numa conferência do Comité Mundial do Património da Humanidade. No terreno, realizam-se estudos para a conclusão do Plano Director do Património da Humanidade, no contexto do Plano Director Municipal de Mbanza Congo.

Jornal de Angola - Quais os principais eixos da acção governativa do Zaire?

Joannes André – As nossas prioridades são a Educação, Saúde, Energia e Água. Procuramos ampliar a capacidade das unidades sanitárias, como aconteceu com o Hospital Provincial, que passou a ter 250 camas. Inaugurámos um hospital municipal, com 100 camas, além de centros médicos nas comunas e bairros. Acabamos de inaugurar  o centro médico do Bairro Kianganga. Também está em curso uma grande obra do Hospital Geral do Zaire, com 400 camas.

Jornal de Angola –E quanto ao sector da Educação? 


Joannes André – Várias escolas estão a ser construídas em Mbanza Congo. A Escola 273 é uma escola precária, agora tem mais 24 salas na primeira fase da reabilitação e ampliação. O conceito que temos é de que, numa mesma área, se pode estudar desde a primária, primeiro e segundo ciclos. No complexo número um, estamos a construir 41 novas salas. Foi erguida uma grande escola no Tuco, para o segundo ciclo. A escola de Daniel Vemba já não suportava o número de alunos e, por isso, construímos a grande escola do Tuco e ampliamos a escola de Daniel Vemba com mais 20 salas. O espaço ganhou laboratórios de Química, Física, informática e Biologia. As escolas da Boavista e Martins Quidito também foram ampliadas. Continuamos com o programa e estamos com obras em curso, que nos fazem crer que, até 2016, temos todas as crianças e a juventude a estudar em condições aceitáveis. Continuamos a trabalhar porque ainda temos alunos a estudar em condições precárias.

Jornal de Angola - Como estamos em termos de energia eléctrica?


Joannes André - Estamos a ampliar a capacidade de potência de energia no Zaire. Temos uma grande dificuldade no fornecimento de energia eléctrica na sede, que continua a ser assegurado por geradores. Na central eléctrica do Kianganga, fomos vítimas de um curto-circuito, que provocou um incêndio de médias proporções e afectou a capacidade em oito megawatts. Decorre a reparação dos geradores afectados e já conseguimos recuperar dois megawatts. Uma equipa técnica empreende uma luta titânica para  a situação ser restabelecida de imediato. O curto-circuito queimou inclusive as células que regulam o funcionamento dos geradores. Por isso, pedimos compreensão à  população, porque estão em curso os trabalhos para voltarmos à normalidade. O nosso plano de emergência inclui a aquisição de mais grupos geradores para Mbanza Congo e todos os municípios do interior. Também interviemos no Nzeto e no  Soyo, onde se registam problemas de energia eléctrica.

Jornal de Angola – Quais os problemas específicos do Soyo?

Joannes André
– Temos duas turbinas novas de 11 quilowatts cada com problemas técnicos. A recuperação depende do abastecimento do gás, em fase dos ensaios, do Ciclo Combinado a ser instalado no Soyo. O mesmo acontece na central eléctrica do Pângala, a 15 quilómetros do Soyo, e na central do 1.º de Maio, no coração da cidade. Em termos gerais, o balanço é positivo, porque o Governo aumentou a capacidade de produção de energia eléctrica com a compra de grupos novos geradores.

Jornal de Angola – O que  pode a população esperar dessas acções?

Joannes André – Está em curso e em ritmo normal um grande projecto, que foi aprovado pelo Chefe do Executivo. Na recente deslocação à China, fez-se menção ao Ciclo Combinado em obras no Soyo. É necessário que se transmita essa esperança à população, porque o Ciclo, na primeira fase, vai gerar 750 megawatts de potência. Estamos cientes de que os geradores nunca hão-de solucionar os problemas de energia eléctrica na região. Hoje temos energia, amanhã queima-se um circuito, o gerador avaria e não é num ápice que conseguimos substitui-lo. Muita gente pensa que a aquisição é fácil, mas a nossa forma de pagamento não permite fazer as coisas de forma automática. É um processo que envolve custos e procedimentos, a situação exige pagamentos por ordem de saque. Demora o seu tempo, para  o fornecedor responder à encomenda. Nem sempre dispomos da capacidade financeira necessária para a  solução de um problema, devido aos procedimentos complicados que cada "dossier" impõe. Estamos a trabalhar para ter novos geradores e a breve trecho.

Jornal de Angola - Em que pé estão as obras do Ciclo Combinado do Soyo?


Joannes André
– As obras obedecem a pormenores técnicos e decorrem normalmente. Já se fez a desminagem em todo o perímetro de 36 hectares onde se vão instalar as turbinas a gás e as obras de construção civil. Visitei várias vezes a obra e constatei que decorrem a bom ritmo. Com o financiamento da China, esperamos que a obra  conheça o epílogo desejado. Estão concebidas três subestações. Uma no Soyo, outra no Nzeto e ainda outra em Mbanza Congo. Obtivemos resposta favorável do ministro de Energia e Águas para a instalação de linhas de transmissão para os municípios do Tomboco, Cuimba e Nóqui.

Jornal de Angola – Existem, de facto, garantias para a solução dos problemas?

Joannes André - Reitero aqui que as dificuldades em energia eléctrica que temos vão ser ultrapassadas. Peço a compreensão porque não há falta de vontade. Na fase conclusiva da acção, não vamos ter problemas de energia, a não ser que se registem fenómenos naturais ou problemas na manutenção dos equipamentos. Estamos a trabalhar na formação de quadros para essa área, porque temos uma central que exige especialização. Convidamos a equipa técnica do ministério de tutela, que já cá esteve. Um técnico especialista vem de Lisboa para nos auxiliar na solução dos problemas da central eléctrica de Mbanza Congo, devido à questão das células afectadas pelo incidente. Acabamos de visitar a central de Kianganga e vimos que algumas células estão em recuperação, os cabos já estão a chegar e, dentro de poucos dias, temos a energia eléctrica restabelecida em Mbanza Congo.

Jornal de Angola - E como estão as estradas da província?   

Joannes André
- Antes, era bastante difícil sair de Mbanza Congo para Luanda ou vice-versa. Recordo-me que, às vezes, fazíamos três ou quatro dias na estrada, e outras vezes, uma semana inteira, devido ao estado lastimável da via. O troço foi recuperado, hoje há uma grande mobilidade de pessoas e bens. Temos agora os grandes desafios, com o Ministério da Construção, do troço Mbanza Congo-Cuimba. Já temos o primeiro tapete asfáltico no Cuimba e a obra está em curso. Conversámos com o Ministério da Construção para que, em função dos recursos existentes, seja dada primazia aos troços mais complicados. Estamos a trabalhar nesse sentido e acredito que, até 2016, tudo esteja concluído. O Cuimba, que nunca teve asfalto, tem agora a avenida principal asfaltada, com o programa do Governo Provincial.

Jornal de Angola – E a via de Mbanza Congo para o município fronteiriço do Nóqui?


Joannes André – De Mbanza Congo ao Nóqui já temos asfalto até à fronteira do Luvo, assim como em direcção ao Nóqui, depois da comuna do Sumpi. As obras estão ainda em curso para que, até 2017, com os recursos financeiros disponíveis, possamos terminá-las.

Jornal de Angola – O troço entre Soyo e Nzeto continua com graves problemas...


Joannes André
– Este troço também está a ser intervencionado. Aí decorrem o que chamamos de "obras de arte", que são as pontes. Ao nível do país, não temos nenhum troço com tantas pontes como no perímetro entre Soyo e Nzeto, uma espécie de  ilha rodeada por rios. Na via da comuna do Quinzau, no limite do município do Tomboco, também há rios e mar. Temos em construção oito pontes de grande dimensão, que já se encontram na fase final.

Jornal de Angola – Qual a grandeza real desses projectos?

Joannes André – São oito pontes paralelas, ou seja, 16 tabuleiros, separados por uma passagem para pedestres. A ponte sobre o rio Mbridge, na linha do Nzeto, é a maior do país. Tem 800 metros de comprimento. É verdade que a via entre Soyo e Nzeto tem trazido transtornos à vida quotidiana. Soyo é a cidade económica da província e, quando temos dificuldades de circulação no troço em causa, ficamos, inclusive, privados de abastecimento de combustível e os municípios sem energia eléctrica. Tudo está a ser feito pelo Ministério da Construção para que essa via seja asfaltada. Já estamos a intervir no troço de Mbanza Congo a Mdimba, que desemboca no rio Mbridge, num percurso de 111 quilómetros. Está na forja o troço Nzeto-Quindege-Mbanza Congo-Caluca e estamos a trabalhar na via Quibala Norte-Soyo-Sumba-Pedra de Feitiço. É um programa vasto, que exige muito esforço.

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