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O Outro lado da Gente | Emídio Fernando

Nascido no município do Seles, província do Cuanza-Sul, Emídio Fernando é editor - executivo do jornal Nova Gazeta e director da Rádio Essencial, ainda em fase experimental em 96.1. Jornalista, mas formado em História, é autor do livro “O Último Adeus Português – As Relações entre Angola e Portugal” e da biografia política do fundador da UNITA, intitulada “Jonas Savimbi, No Lado Errado da História”. Foi repórter, em Portugal, da TSF e ex-director dos semanários “Jornal d’África” e “Tal&Qual”. Destacou-se pela cobertura de várias guerras em Angola, Iraque, Moçambique, Bósnia, Albânia, Macedónia e Rwanda, entre outros conflitos. Venceu os prémios Jornalista Africano na Diáspora, em 2004 e Gazeta, em 2005.

Fotografia: DR

Nome? Emídio Fernando.

Idade? 48 anos.

Calçado? 43.

Ocupação? Jornalista nas horas ocupadas, historiador nas horas vagas (que são poucas).

Estado civil? Casado.

Filhos? Uma.

Sonhos? Tantos que nem cabem numa folha.

Sente-se realizado? Nem pensar. Tanta coisa ainda por conquistar.

Tem carro próprio? Sim.

E casa? Sim.

Que importância têm as mulheres para si? Importância máxima. Admiro todas as mulheres que, apesar de todas as contrariedades e machismos,

conseguem superar-se. Três delas, mulher, filha e mãe, são as pessoas mais importantes
da minha vida.

Como se veste de segunda
a sexta-feira? Calça e camisa.

E aos fins-de-semana? Quanto com menos roupa, melhor.

Usa roupa de marca? Sim,
sou fiel à Massimo Dutti.

Cor preferida: Duas ou três. O vermelho prevalece.

Qual é a marca de perfume
que usa? Não uso.

Acredita em forças ocultas? Não. Sou ateu, em todos
os sentidos.

Onde passa as férias?
No trabalho.

Cidade predilecta? São tantas: Benguela, Lobito, Sarajevo, Belgrado, Paris, Barcelona
e Amesterdão.

Virtudes? Ser ‘workalholic’, traduzido para o português, significa viciado em trabalho.

Defeito? Ser ‘workalholic’.

Vício? Café (vício muito bom).

Ídolos? Nelson Mandela, Woody Allen, Lúcio Lara, Frantz Fannon, Fidel Castro
e Che Guevara.

Livro? “Amor Nos Tempos de Cólera”, “Notícias de um Sequestro”, “Uma História do Mundo Depois do 11 de Setembro”, “100 Anos de Solidão” e “Quase todos” do Mia Couto.

Escritor? Gabriel Garcia Márquez, Mário Bennedetti, Mia Couto, Michel Tournier.

Uma boa companhia? A minha mulher, a minha filha.

Músico? Ali Farka Touré, Goran Bregovic, BB King, Fausto, Waldemar Bastos, Mark Knofler, Angelin Preljocaj , Souad Massi.

Comida? gimboa (cozinhada de todas
as maneiras), milho (assado, cozido).

Bebida? Água tónica.

Sabe cozinhar? Sim.

O quê por exemplo? Quase tudo, desde sopas (por exemplo, de jimboa), vários tipos de arroz. Nunca cozinho carne, nem uso cebola e alho. E quero a minha mulher longe da cozinha.

É ciumento? Não. Não tenho razões.

Bate nas mulheres? Abomino quem o faça. E defendo penas pesadas para a violência doméstica.

Desporto? A minha pista,
em casa.

Clube? Onde estiver um angolano a jogar, torço por esse clube. Em alternativa, um africano.

Alguma vez mentiu? Quem não o fez que atire a primeira pedra.

Já foi enganado? Na questão amorosa, que eu saiba, não. Fora desse âmbito, tenho-me cruzado com alguns enganos que mereciam cadeia.

Ano que mais o marcou? 1975, independência nacional; 2015, nascimento da minha filha, 2002, acordos de paz, 2012, regresso a Angola.

O que acha da corrupção? Um mal que deve ser combatido, mas a todos os níveis com políticas sociais que impeçam que se roube para se dar de comer aos filhos. E não com políticas que levem a uma vida mais difícil e que não se defenda os interesses do povo.

E da homossexualidade? Respeito. Cada um sabe como amar. E deve ser livre de o fazer, sem constrangimentos. Defendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Poligamia? Respeito que seja praticada em determinadas comunidades, onde ela está intrinsecamente enraizada. Para os dois lados. No norte de Moçambique, há povos em que
a mulher é a políandra.

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