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Abstenção deve favorecer Presidente Nicolas Maduro

As urnas em 14,5 mil centros de votação foram abertas na manhã de ontem para a eleição presidencial na Venezuela, onde, embora 20,5 milhões de pessoas estejam aptas a votar, a abstenção deve favorecer a reeleição de Nicolás Maduro para mais seis anos de mandato.

 

A governação de Nicolas Maduro divide os venezuelanos entre o ódio e a idolatria
Fotografia: DR

Além de Nicolás Maduro, concorrem outros três candidatos: Henri Falcón (dissidente do chavismo), o pastor evangélico Javier Bertucci e o engenheiro Reinaldo Quijada. A ausência de adversários de peso deve contribuir para a vitória do Presidente.
As urnas na capital Caracas e em outras cidades venezuelanas foram abertas de manhã, mas o pleito começou antes para cidadãos venezuelanos residentes no exterior, em países como Áustrália, China, Índia e Malásia.
A fronteira com o Brasil foi fechada sábado, para "resguardar a soberania territorial" da Venezuela e para que as Forças Armadas controlem todo território nacional, segundo explicou o cônsul-adjunto da Venezuela em Roraima, Brasil, José Martí Uriana. A medida fez com que venezuelanos procurassem rotas clandestinas para comprar mantimentos no Brasil.
O Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, foi o primeiro a votar no seu centro eleitoral, a oeste de Caracas, numa votação em que o grosso da oposição não participa por considerar o acto eleitoral fraudulento.
A principal coligação da oposição apelou à abstenção. Vão ser eleitos também os membros dos conselhos legislativos das 23 entidades federais e dos 335 municípios.
O processo eleitoral vai ser acompanhado por missões de observadores de Angola, Etiópia, Mali, Moçambique, Palestina, República Dominicana, Rússia, África do Sul e Suriname. No país encontra-se também o ex-presidente do governo espanhol José Luís Rodríguez Zapatero.
As fronteiras com a Colômbia, a Guiana e o Brasil foram encerradas na noite de sexta-feira e vão ser reabertas na noite de hoje. Trezentos mil oficiais das Forças Armadas Venezuelanas têm a missão de garantir a segurança do material eleitoral e dos centros de votação, ao abrigo da operação Plano República, na qual participa também o Ministério Público.

Papa faz apelo

O papa Francisco apelou hoje à Venezuela para que tenha “a sabedoria de encontrar o caminho da paz” e assegurou que reza por todos os presos que morreram no seguimento de um motim na prisão.
“Desejo dedicar uma oração particular à amada Venezuela. Peço que o Espírito Santo dê ao povo venezuelano e a todos os governantes a sabedoria de encontrar a via para a paz e a unidade”, disse o Sumo Pontífice após a missa de domingo no Vaticano.
Diante dos fiéis que o escutavam na Praça de São Pedro, o papa Francisco disse que reza pelos “presos que morreram sábado”, numa alusão às onze vítimas de um motim na Penitenciária Fénix de Caracas.
O apelo do pontífice argentino ocorreu no dia em que os venezuelanos estão a votar nas eleições que irão eleger o Presidente do país até 2025, num processo eleitoral muito questionado e classificado de “fraudulento” pela oposição.

Estados Unidos contra

Os Estados Unidos qualificaram ontem de “ilegítima” a eleição presidencial na Venezuela, em que Nicolas Maduro procura a reeleição num escrutínio boicotado pela oposição. “As supostas eleições na Venezuela não são legítimas”, escreveu a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, na sua conta no Twitter.
"Os Estados Unidos estão ao lado dos países democráticos de todo o mundo que apoiam os venezuelanos e o seu direito a eleger os seus representantes através de eleições livres e justas", acrescentou.
A administração norte-americana tinha apelado a Maduro que suspendesse as eleições.
O Departamento do Tesouro anunciou por seu lado sanções contra duas dezenas de empresas, 16 das quais estabelecidas na Venezuela, e contra três indivíduos, entre os quais um antigo director dos serviços de informação financeira venezuelano.

Defesa da legitimidade

O líder da esquerda radical francesa, Jean-Luc Mélenchon, defendeu a legitimidade das eleições presidenciais na Venezuela e descreveu como “fantoches” dos Estados Unidos os países que solicitaram a sua suspensão.
Em declarações aos meios de comunicação social 'LCI' e 'RTL', Mélenchon insistiu que a data das eleições foi acordada com a aprovação do ex-presidente do Governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero.
Segundo afirmou, “não é verdade que a oposição boicotou, porque há três outros candidatos” além do presidente cessante e favorito, Nicolas Maduro, e as eleições acontecem a partir da plataforma da oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD).
Além disso, também negou que a comunidade internacional não reconheça este processo eleitoral, uma vez que, na sua opinião “há uma série de países 'fantoches' dos EUA, que decidiram que estas eleições não lhes convêm.”
O líder da França Insubmissa reconheceu que “há uma grande dificuldade na Venezuela”, que tem origem principalmente na queda do preço do barril de petróleo. Além disso, Jean-Luc Mélenchon denunciou que “houve uma crise terrível que vem de uma parte da oposição que é violenta” e que “criou uma situação tão explosiva” que levou o governo de Maduro a reagir e com a Assembleia Constituinte a convocar estas eleições presidenciais.
“Portanto, os problemas com as eleições estão resolvidos”, concluiu. França, como os seus parceiros na União Europeia, reprovou repetidas vezes o processo eleitoral na Venezuela por considerar que viola as regras de transparência e da justiça.

Observadores

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela convidou mais de 200 observadores internacionais para acompanhar as eleições venezuelanas. Entre os convidados estão figuras conhecidas como o ex-chefe do Governo de Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, que faz parte de uma delegação de autoridades europeias integrada também pelo ex-ministro de Relações Exteriores do Chipre, Marcos Cipriani, e o ex-presidente do Senado da França, Jean-Pierre Bel, que foi representante da Presidência da França para a América Latina durante o governo de François Hollande.

Sistema venezuelano

O juiz de direito brasileiro Dalmir Franklin de Oliveira é um dos 200 convidados do CNE venezuelano. Ele foi juiz eleitoral no município brasileiro de Passo Fundo (RS) e faz uma comparação entre os sistemas eleitorias venezuelano e o brasileiro: “O sistema venezuelano nos pareceu bastante confiável. Inclusive é até mais detalhado que o nosso, em termos de certificação e das próprias auditorias que eles relatam. Parece ser muito confiável”.

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