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Adiamento das eleições custou mais dez milhões de dólares

Victor Carvalho

Depois da surpresa inicial, os nigerianos tomam a consciência de que no próximo sábado terão que acorrer às urnas para escolher o futuro Presidente da República, e aderiu, por isso, entusiasticamente, ao inesperado prolongamento da campanha eleitoral.

Chefe de Estado nigeriano ( ao centro), exige explicação sobre as causas do adiamento
Fotografia: DR

Simultaneamente, há quem faça contas aos custos do adiamento, chegando-se à conclusão de que eles poderão ultrapassar os dez milhões de dólares.
Os custos resultam do facto da maior parte das empresas nigerianas, incluindo o Porto de Lagos, importante porta de entrada de bens de primeira necessidade num país de quase 200 milhões de habitantes, terem encerrado durante três dias para permitir aos seus funcionários a deslocação para votar e de voltarem a encerrar sexta-feira pelos mesmos motivos.
Os aeroportos e as fronteiras terrestres, que estiveram encerradas no sábado também já reabriram na certeza de voltarem a encerrar dia 23.
“Os custos deste adiamento são inimagináveis. A economia parou parcialmente na sexta-feira e completamente no sábado”, disse ao “Sunday Vanguard” o director da Câmara de Comércio e Indústria de Lagos, Muda Yusuf, que estima perdas financeiras na ordem das dezenas de milhões de dólares.
Tudo isto porque a Comissão Eleitoral anunciou o adiamento do escrutínio para o próximo dia 23 de Fevereiro, escassas horas antes do início previsto para a abertura das urnas no passado sábado que iriam receber os votos para a eleição do Presidente e vice-Presidente do país, assim como para a escolha dos deputados e senadores que ocuparão os assentos nas duas câmaras do Parlamento nos próximos quatro anos.
Na ocasião, Mahmood Yakubu, presidente da Comissão Eleitoral, assumiu responsabilidade pelo atraso logístico na preparação do pleito, justificando isso com o “enorme desafio” que representa a organização de eleições no país mais populoso de África, esquecendo-se de dizer que uma semana antes tinha garantido que estava tudo a postos para que a ida às urnas fosse feita sem o “mínimo de constrangimentos”.
Mas, é bom recordar que esta não foi a primeira vez que uma eleição foi adiada na Nigéria. Em 2011, as eleições gerais foram adiadas por duas vezes, uma delas quando as votações tinham já começado, com o presidente da Comissão Eleitoral a alegar na altura uma situação de “urgência” relacionada com o facto de muitas estações de voto se encontrarem sem material eleitoral.
Na sequência desse adiamento, e depois de realizadas as eleições, o país foi palco de cenas de violência entre cristãos e muçulmanos que provocaram mais de mil mortos.
Quatro anos depois, em 2015, o Governo do então Presidente Goodluck Jonathan adiou também o escrutínio por seis semanas, justificando a decisão com problemas de segurança no nordeste do país, relacionados com a instabilidade provocada pelo grupo terrorista Boko Haram.
Desta feita, a questão do adiamento ainda não está encerrada pois o Presidente Muhammadu Buhari apelou já às Forças Armadas para tratarem “sem piedade” quem tentar defraudar as eleições.
“Dei já ordem à Polícia e às Forças Armadas para não terem piedade. Não nos vamos responsabilizar por todos os que quiserem roubar as urnas ou utilizarem criminosos para perturbar o escrutínio”, afirmou o Chefe de Estado, citado pela agência France Press, no decurso de uma reunião com o seu partido.
“Depois das eleições, vamos ter que saber o que aconteceu. A Comissão Eleitoral terá que nos explicar por que é que não conseguiu organizar este escrutínio na data prevista”, disse Buhari.

Operações do Exército
Pelo menos 37 pessoas foram mortas e 80 outras detidas no Estado de Zamfara, no Noroeste da Nigéria, durante operações levadas a cabo nas duas últimas semanas pelo Exército em Sharan Daji, noticiou a Pana.
De acordo com o porta-voz da operação, o comandante Clement Abide, entre os reféns figuram homens, mulheres e crianças.
Sem fornecer pormenores sobre as circunstâncias da morte dos soldados, Abide acrescentou que elas ocorreram na zona do território local de Bini Maru, quando regressavam à base militar.

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