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Administração Trump insiste em conversações com Teerão

O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, disse ontem, que a porta permanece aberta a “negociações reais” com Teerão, apesar, das actuais tensões entre os dois Governos.

Fotografia: DR

No rescaldo do anúncio de novas sanções dos Estados Unidos contra o Irão, um porta-voz iraniano considerou que as medidas tomadas pela Administração norte-americana contra várias personalidades do Governo de Teerão, "fecham, permanentemente, o caminho da diplomacia com Washington".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, promulgou na segunda-feira novas sanções contra vários responsáveis iranianos, entre eles, o Ayatollah Ali Khamenei. As autoridades norte-americanas informaram que planeiam sanções contra o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif.
A agência iraniana de notícias Irna citou ontem, que o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Abbas Mousavi, afirmou que a decisão de Trump significa o fim da diplomacia entre os dois países.
“As sanções infrutíferas à liderança do Irão, e ao chefe da diplomacia iraniana, significam o fim permanente do caminho da diplomacia com a Administração frustrada dos EUA”, disse Mousavi.
O Presidente iraniano, Hassan Rouhani, acusou os Estados Unidos de mentir quando disse que queria negociar com Teerão, após o anúncio das sanções contra o ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif.
“Ao mesmo tempo em que apela às negociações, tenta sancionar o ministro das Relações Exteriores! É, óbvio, que estão a mentir”, disse Rouhani, num discurso transmitido pela televisão local. Rouhani considerou ainda, que as novas sanções dos EUA são “ultrajantes e idiotas”.
Washington disse que as medidas foram tomadas para desencorajar Teerão de desenvolver armas nucleares e de apoiar grupos extremistas. A decisão foi tomada em clima de crescentes tensões, entre o Irão e os EUA, sobre o acordo nuclear de Teerão com diversas potências mundiais e que foi abandonado por Washington.
O Irão criticou os EUA, pelas novas sanções contra o líder supremo do país, Ayatollah Ali Khamenei.
O enviado norte-americano nas Nações Unidas, Jonathan Cohen, justificou que o objectivo da Administração Donald Trump é conduzir de novo Teerão à mesa das negociações. />Trump voltou a impor sanções contra o Irão, depois de retirar os EUA do pacto nuclear que as potências mundiais fizeram com Teerão, em 2015.
A última vaga de sanções nega a Khamenei e altos militares iranianos o acesso a recursos financeiros e a quaisquer activos sob jurisdição norte-americana.
Os EUA culparam o Irão pelos ataques a dois petroleiros, este mês, perto do Estreito de Hormuz.
Após estes episódios e em posse de alegadas informações sobre outras ameaças iranianas, os EUA enviaram um porta-aviões para a região do Golfo Pérsico e reforçaram as tropas ali estacionadas.

China pede contenção

A China pediu, ontem, aos Estados Unidos e ao Irão, que “mantenham a calma e a contenção”, após Washington anunciar novas sanções contra Teerão, que acusou a Administração norte-americana de assim, “cortar a via diplomática”.
“Acreditamos, que continuar a aplicar pressão máxima (contra o Irão), não ajuda a resolver o problema”, disse Geng Shuang, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, em conferência de imprensa.
“Os factos mostraram que estas medidas têm o efeito oposto: exacerbam os problemas na região”, afirmou.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, impôs na segunda-feira um novo conjunto de sanções contra o Irão, incluindo contra o líder supremo, o Ayatollah Ali Khamenei e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif.
Teerão e Washington romperam os laços diplomáticos em 1980 e atravessam, agora, um período de renovada tensão, que pode abalar a região estratégica do Golfo.
Donald Trump acusa o Irão de desenvolver armas nucleares e de ser um “patrocinador do terrorismo”.
O assessor de segurança nacional dos EUA, John Bolton, disse ontem, que a porta permanece aberta para negociações. As sanções dos EUA foram anunciadas, quatro dias após a destruição de um drone norte-americano, por um míssil iraniano. Teerão diz que o drone voava no seu espaço aéreo, informação negada por Washington.

 

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