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Advogado de Mandela tem funeral de Estado

O advogado de Nelson Mandela e defensor dos direitos humanos George Bizos, que morreu a 9 deste mês, aos 92 anos, em Joanesburgo, vai amanhã, às 11 horas, a enterrar, no cemitério Westpark, em Randburg, arredores de Joanesburgo. Bizos morreu de causas naturais, na sua residência em Joanesburgo, rodeado da família.

George Bizos e Nelson Mandela construíram uma amizade lendária de mais de setenta anos
Fotografia: DR

Numa nota oficial a que o Jornal de Angola teve acesso, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, declarou, ontem, que George Bizos terá um funeral de Estado de categoria especial 1, com transmissão em directo pela South African Broadcasting Corporation (SABC), plataformas digitais do Governo e outros canais importantes de transmissão do país.

Nascido em 14 de Novembro de 1928, em Messenia, Grécia, George Bizos dedicou a sua vida à luta contra o regime do apartheid e à defesa dos direitos humanos. Bizos chegou com a família à África do Sul em 1941, quando tinha 13 anos, refugiados da Segunda Guerra Mundial. Como advogado, Bizos tornou-se internacionalmente conhecido como representante legal de Nelson Mandela e outros grandes nomes da luta anti-apartheid, como Walter Sisulu e Chris Hani.

Representou o primeiro Presidente negro da África do Sul e Prémio Nobel da Paz no famoso julgamento de Rivonia (1963-1964), onde Mandela, juntamente com outros activistas anti-apartheid, conseguiu escapar à pena de morte, embora tenha sido condenado a prisão perpétua. Foi grande amigo e conselheiro até à morte de Mandela, em 5 de Dezembro de 2013.

“Penso que as palavras não são suficientes para expressar a nossa dívida a homens e mulheres como George Bizos”, disse Mandela sobre o amigo, tal como partilhado pela Fundação do Prémio Nobel da Paz Legacy numa nota, na qual se observa que “a amizade entre Bizos e Mandela se estendeu por mais de sete décadas e foi lendária”.

Madiba, como Mandela é carinhosamente chamado na África do Sul, também destacou a contribuição de Bizos “para uma grande causa em que todos estávamos empenhados”. Após o desmantelamento do apartheid e com o advento da democracia na África do Sul (1994), Bizos esteve envolvido na elaboração de várias leis que iriam moldar a “Nação Arco-íris”, incluindo a nova Constituição. Participou, também, na Comissão da Verdade e Reconciliação, que apurou e perdoou os crimes do apartheid.

Além disso, representou as viúvas do chamado “Cradock Four”, um grupo de quatro activistas anti-apartheid que foram raptados e assassinados pela polícia de segurança sul-africana em Junho de 1985. Em 2012, Bizos liderou a Comissão dos Direitos Humanos da África do Sul durante a investigação do assassinato de 34 mineiros pela polícia durante uma greve na mina de Marikana.
O advogado foi também o representante legal, em 2004, do então líder da oposição do Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, que foi acusado de alta traição pelo Governo do então Presidente Robert Mugabe.

A notícia da morte de Bizos chega pouco mais de um mês após a morte de outro grande símbolo da luta anti-apartheid, Andrew Mlangeni, que foi o último sobrevivente entre os activistas condenados e encarcerados ao lado de Nelson Mandela no julgamento de Rivonia.

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