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África do Sul repatria Manuel Chang para Moçambique

Victor Carvalho

A ministra das Relações Internacionais da África do Sul anunciou que o seu país vai repatriar Manuel Chang para Moçambique descartando a possibilidade de ser extraditado para os Estados Unidos da América (EUA), conforme pretendia a Justiça norte-americana.

O ex-ministro das Finanças, Manuel Chang, é considerado das principais figuras do processo
Fotografia: DR

“Vamos enviá-lo para Moçambique e acreditamos que é a coisa mais fácil de fazer para todos”, declarou Lindiwe Sisulo, em entrevista publicada ontem no jornal sul-africano “Daily Maverick”.
Segundo a responsável, o Governo sul-africano considera ser conveniente que Manuel Chang seja julgado no seu país pelo papel desempenhado no processo das chamadas “dívidas ocultas” e sublinhou que o repatriamento está a ser tratado com a Interpol de modo a permitir que “Moçambique tenha de volta o ex-ministro”.
Lindiwe Sisulo revelou que a Justiça sul-africana está a analisar as implicações entre os EUA e Moçambique da decisão de repatriar Manuel Chang, visto que o ex-ministro das Finanças foi detido na África do Sul a pedido da Justiça norte-americana.
“Recebemos um pedido de Moçambique e aceitámo-lo, é tão simples como isso”, disse a ministra.
Em relação a uma eventual reacção das autoridades norte-americanas, Lindiwe Sisulo defendeu que terão sempre a possibilidade de prosse-guir com o caso, após Manuel Chang responder à Justiça moçambicana pelos crimes de que é acusado.

Renamo exige mais detenções
A Renamo, principal força da oposição, defendeu on-tem a detenção de todos os envolvidos no caso das dívidas ocultas, considerando que “não basta prender o peixe miúdo”.
“Não basta prender o peixe miúdo, não deve haver intocáveis neste processo, todos os envolvidos devem ser detidos”, disse o presidente da Renamo, Ossufo Momade.
Para o líder da oposição, é necessário garantir que as nove detenções, ocorridas no último fim-de-semana, não sejam meramente decorativas, com o objectivo de enganar os moçambicanos.
“Os moçambicanos exigem que a lista daqueles que planearam e executaram o roubo ao Estado deve envolver os graúdos”, observou o líder da Renamo, que criticou tam-bém os órgãos de Justiça pelo “secretismo” que mantêm sobre o caso.
O Fórum de Monitorização do Orçamento (FMO), uma Organização Não-Governamental moçambicana, lançou uma petição na Internet a exigir que as autoridades britânicas investiguem os bancos financiadores das “dívidas ocultas” do Estado de Moçambique.
“É fundamental que os bancos sejam igualmente chamados a responder perante a Justiça e que seja retirada a responsabilidade do cidadão moçambicano relativamente ao pagamento desta dívida”, lê-se num comunicado en-viado à imprensa.
O FMO entende que a acusação da Justiça dos EUA contra o ex-ministro das Finanças moçambicano, Manuel Chang, os gestores seniores do Credit Suisse e um intermediário da empresa Privinvest “revela evidências suficientemente sólidas” de procedimentos ilícitos por parte dos bancos do Reino Unido.
A Justiça moçambicana deteve no último fim-de-se-mana nove pessoas no âmbito da investigação às “dívidas ocultas”, entre os quais o filho e a antiga secretária pessoal do ex-Presidente da República, Armando Guebuza.

 

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