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Americanos acusam Nangaa de desviar fundos eleitorais

Víctor Carvalho

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu há dias um comunicado onde acusa directamente o presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Corneille Nangaa e outros altos funcionários da mesma instituição, de terem desviado fundos inicialmente destinados a apoiar as eleições, facto que terá forçado o seu adiamento, revela o “Wall Street Journal” citado por diversas agências internacionais.

Corneille Nangaa e outros altos responsáveis da Comissão Eleitoral visados no Tesouro dos EUA
Fotografia: DR

Os acusados por aquele órgão do Governo norte-americano são Corneille Nangaa, presidente da CENI, Norbert Basengezi, vice-presidente da CENI e Marcellin Basengezi, filho do último conselheiro do mesmo órgão, e de dois altos dignitários do anterior Executivo de Joseph Kabila, nomeadamente o antigo presidente da Assembleia Nacional, Aubin Minaku e Benoit Lwamba Bindu, presidente do Tribunal Constitucional.
De acordo com o Departamento do Tesouro, durante as operações que conduziram às eleições gerais de 30 de Dezembro de 2018 os três altos funcionários da CENI sobre-facturaram mais de 100 milhões de dólares na aquisição de máquinas de voto.Corneille Nangaa é também acusado, no mesmo documento, de utilizar “empresas fantasma” para montar um esquema de desvio de fundos operacionais do órgão para os utilizar em fins pessoais e políticos.
Os outros responsáveis da CENI terão enriquecido comprando e, posteriormente, vendendo combustíveis a um preço mais alto, atrasando com isso o registo de muitos eleitores.
Ao comprar o combustível para os gabinetes eleitorais, Nangaa negociou uma taxa reduzida e conservou a diferença em relação ao valor orçamentado para depois a dividir com os principais funcionários da CENI.
Marcellin Basengezi, por seu lado, é acusado de ter corrompido o Tribunal Constitucional para que este respeitasse a decisão da CENI em adiar as eleições.
Relativamente a Marcellin Basengezi, o documento diz que ele beneficiou o seu hospital através da entrega de dinheiro da instituição para a aquisição de equipamentos importados do estrangeiro, nomeadamente dos Estados Unidos da América, país onde todo este esquema foi desvendado, averiguado e agora publicamente denunciado.
Trata-se de um trabalho de intensa cooperação entre as autoridades norte-americanas e congolesas inserido no plano de combate à corrupção recentemente reforçado pelo Presidente Félix Tshisekedi com a nomeação de novos responsáveis pelos serviços de inteligência.

Elogios a Félix Tshisekedi

Numa outra frente, o representante interino dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas, Jonathan Cohen, exigiu quinta-feira, em Nova Iorque, a responsabilização criminal dos autores do assassinato dos peritos da ONU no Kasai Central, em 2017.
Depois de recordar os dois anos que se passaram desde o assassinato de Michael Sharp e Zaida Catalan, Jonathan Cohen exortou o Conselho de Segurança a continuar a apoiar o mecanismo de monitorização da ONU com vista a encontrar os responsáveis para que possam ser julgados e eventualmente condenados.
Na sua intervenção, o representante dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas reconheceu que o “Presidente Félix Tshisekedi tem tomado uma série de medidas que deixam perceber estarem-se a realizar na RDC desenvolvimentos significativos”.
Como exemplos, o diplomata referiu a decisão do Chefe de Estado congolês ter decidido mandar prender e processar os agentes da Polícia acusados de terem disparado à queima-roupa contra manifestantes, a ordem para a libertação dos prisioneiros de opinião e o compromisso assumido com os serviços secretos para acabar com os centros de detenção não oficiais.
O representante americano ressaltou ainda a luta de Tshisekedi contra a corrupção, contra as violações dos direitos humanos pelas forças da ordem e o esforço para reforçar o clima de investimentos estrangeiros no país.

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