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Antigo ministro do Interior também sai do Parlamento

Víctor Carvalho

O antigo ministro sul-africano do Interior, Malusi Gigaba, que na próxima terça-feira deveria responder no Parlamento a acusações de participação em diferentes casos de corrupção, escreveu uma carta à presidente daquela instituição, Baleka Mbete, onde apresentou a demissão  de deputado pelo ANC, que deveria agora automaticamente assumir depois de ter saído do Governo.

 

Malusi Gigaba está arrolado em vários escândalos de corrupção e outros negócios ilícitos
Fotografia: DR

Dois dias antes, Gigaba havia renunciado também ao cargo de ministro do Interior, alegando que o fazia “para o bem do país e do partido” e para “libertar” o Presidente de uma “pressão indevida que o impedia de concentrar-se em melhorar a vida dos habitantes da África do Sul.”
Na verdade, o que se pas-sou é que o antigo ministro do Interior foi apanhado a mentir perante o tribunal quando ne-gou que havia autorizado uma companhia da multibilionária família Oppenheimer a operar um terminal privado no Aeroporto Internacional de Joanesburgo.
Além desta mentira, desmascarada pela imprensa e pelos tribunais, Gigaba também é acusado de ter participado no saque de fundos estatais por parte da família de empresários de origem indiana, os célebres irmãos Gupta, ligados também a vários escândalos de corrupção que envolvem o ex-Presidente Jacob Zuma.
Como se tudo isto não fosse já o suficiente para atrapalhar a vida do ministro do Interior, surgiu também nas redes sociais um comprometedor vídeo de carácter sexual onde ele era o principal protagonista.
Em Outubro, dois tribunais anti-corrupção solicitaram ao Presidente Ramaphosa que tomasse medidas disciplinares contra o ex-dirigente da ala juvenil do ANC face aos escândalos em que ele estava directamente envolvido. Finalmente, Cyril Ramaphosa terá achado que bastavam já as diabruras do jovem e controverso ministro do Interior, criando então as condições para que este se demitisse.
De referir que Gigaba de-veria responder na próxima terça-feira no Parlamento a perguntas sobre o processo de naturalização dos irmãos Gupta e sobre o caso do assun-
to do terminal privado no Aeroporto Internacional de Joanesburgo, entre outros que interessavam aos deputados das diferentes bancadas parlamentares.

Tribunal encerra
Banco VBS Mutual
Entretanto, o Tribunal Supremo de Pretória ordenou esta sema-na a liquidação do banco VBS Mutual, na sequência do escândalo que provocou a revelação de uma fraude de 140 milhões de dólares.
A solicitação do encerramento definitivo desta instituição bancária foi apresen-
tada perante os tribunais, pela autoridade do Banco da Re-serva Sul-Africana, encarregado de fiscalizar os ban-
cos, seguradoras e cooperativas financeiras.
De acordo com a imprensa sul-africana, a ordem de liquidação do referido banco foi emitida pelo juiz J.W. Louw, num procedimento de apenas dez minutos.
De acordo com porta-vo-zes do Banco da Reserva, a solicitação para encerrar o VBS Mutual deveu-se ao facto de o banco ser “irremediavelmente insolvente, tanto do ponto de vista objectivo como comercial.”
Recentemente, perante o parlamento, o vice-governador do Banco da Reserva, Kuben Naidoo, detalhou o modo de funcionamento ilícito do VBS, que consistia em pagar para que quem tivesse conhecimento das fraudes as ignorasse.
Esse organismo apresentou uma informação deta-lhada ao Presidente Cyril Ra-
maphosa, ao concluir as suas pesquisas, nas quais cita funcionários governamentais dos municípios que desviaram ilegalmente fundos públicos no VBS e outros que se aproveitaram das vantagens que lhes ofereceram, entre eles dois dirigentes do Congresso Nacional Africano (ANC), na província de Limpopo.

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