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Aumenta a violência no norte dos Camarões

Víctor Carvalho

Uma perigosa escalada de violência tem vindo a atingir as regiões anglófonas dos Camarões, localizadas perto da fronteira com a Nigéria, onde as populações indefesas são vítimas de uns e dos outros.

Organizações internacionais pedem solução que coloque ponto final à espiral de violência
Fotografia: DR

De acordo com relatórios de diversas organizações internacionais, os confrontos entre os separatistas e as forças da ordem e segurança têm-se agravado de modo alarmante, afectando particularmente a população que se vê indefesa entre dois fogos cruzados.
A Amnistia Internacional, por exemplo, refere que têm aumentado as buscas levadas a cabo pelas forças de segurança dos Camarões, apanhando, frequentemente, pelo meio cidadãos inocentes que são submetidos a sessões de tortura para dizerem aquilo que não sabem: o paradeiro dos líderes separatistas.
Outras vezes, segundo a mesma organização, são os separatistas que maltratam os populares, acusando-os de estarem a trabalhar para os serviços de segurança.
Nos últimos dias, por exemplo, tem aumentado o número de casos de invasão a escolas, por parte dos separatistas, onde o ensino é ministrado em francês.
Os autores dessas invasões, muitas das vezes munidos de metralhadoras, disparam indiscriminadamente contra professores e alunos, destruindo e incendiando depois as instalações. A intenção dos separatistas, com estes ataques a escolas, é o de punir alunos e professores que optem por usar o francês como língua para adquirir e ensinar o conhecimento.

Reacção musculada

Para fazer frente a esta situação e tentar manter a unidade nacional, apesar de reconhecer que existe um problema para o qual terá que ser encontrada uma solução política, as autoridades camaronesas optaram por um caminho perigoso numa reacção que os separatistas dizem ser “demasiado musculada”.
Na verdade, quase diariamente chegam às regiões anglófonas dos Camarões efectivos das forças de segurança apostados em resolver pela força uma questão de carácter obviamente político.
Para tentar fazer prevalecer a sua posição, esses elementos não hesitam em proceder a uma série de demonstrações de força muitas das vezes demasiado musculada.
O grande problema, que está a preocupar as organizações internacionais, é que grande parte dessas demonstrações de força têm sido direccionadas contra a população, como se esta fosse toda adepta dos ideais dos activistas que lutam pela independência das duas regiões do norte, o que não é verdade.
O próprio Presidente Paul Biya, reconheceu em Dezembro do ano passado que o uso excessivo da força não é a melhor solução para resolver um problema político e prometeu trabalhar para que seja encontrada uma solução mais equilibrada.
Porém, a verdade é que passados seis meses, o uso excessivo da força por parte das autoridades locais aumentou ainda mais de intensidade, tendo a semana passada as forças da ordem atacado vários chefes tradicionais, tentando depois atribuir essa responsabilidade aos separatistas.
Neste momento, o Presidente Paul Biya volta a ser pressionado por essas organizações, em especial pela Amnistia Internacional, para que dê um passo em frente no sentido de ser encontrada uma solução negociada que coloque um ponto final nesta espiral de violência.
Mas, enquanto isso não é feito, é exigido ao Chefe de Estado que garanta a segurança à população que vive nas regiões anglófonas do país. Os Camarões, país colonizado pela Alemanha, foi dividido em dois no final da Primeira Grande Guerra Mundial. Após um referendo, realizado em 1961, a região sul do país aderiu à língua francesa, enquanto a parte norte optou pela língua inglesa devido à sua proximidade geográfica com a Nigéria.

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