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Autoridades bloqueiam Internet contra protestos

A Libéria está a atravessar um período de alguma turbulência social e política com o Presidente George Weah a ser fortemente contestado por casos de roubos e corrupção não resolvidos, tendo as autoridades bloqueado o acesso às redes sociais para evitar a convocação ou minimizar o impacto de uma manifestação que decorreu este fim-de-semana com uma forte participação.

George Weah perde popularidade numa altura em que o seu Governo enfrenta contestação
Fotografia: DR

As autoridades da Libéria bloquearam desde sexta-feira o acesso à Internet depois de perceberem que se estava a preparar uma manifestação em Monróvia para protestar contra o Governo e o Presidente da República, George Weah, revelou a Reuters.
Este bloqueio dificultou o acesso às principais redes sociais onde estava a decorrer uma campanha denominada “Salvar o Estado”, que pretendia convocar uma manifestação, que acabou por ter uma forte participação, durante o fim-de-semana para protestar contra os elevados índices de corrupção e o aumento galopante da inflação.
Nos últimos dias, tinham subido de tom as críticas contra o Presidente George Weah, que ano e meio depois de chegar ao poder tem vindo a sofrer uma acentuada perda de popularidade.
Durante todo o fim-de-semana, de acordo com a Reuters, as principais ruas de Monróvia foram incessantemente patrulhadas pela Polícia de intervenção rápida, havendo notícias da ocorrência de algumas escaramuças com os manifestantes.
Nos últimos dias, algumas organizações da sociedade civil têm desenvolvido esforços para a criação de um denominado “Conselho de Patriotas”, constituído por políticos, professores e estudantes, com vista ao lançamento de um manifesto de alternativa ao Governo e à política que vem sendo seguida por George Weah.
Recentemente, o Presidente da Libéria fez um discurso onde apresentou dados positivos da sua governação em sectores como a saúde, educação e reabilitação de estradas, mas que foram fortemente contestados pelos mentores do movimento “Salvar o Estado”.

As bases para os protestos
Na base dos protestos de rua estão notícias postas a circular e que dão conta do desaparecimento de fundos do Estado avaliados ao equivalente a 104 milhões de dólares em moeda nacional e o desvio dado a um investimento de 25 milhões de dólares que deveria ter sido “injectado” na economia liberiana.
Em Setembro de 2018 a imprensa local dava conta de que haviam desaparecidos nos portos do país, entre 2016 e 2017, vários contentores com novas notas da moeda liberiana avaliadas em 104 milhões de dólares destinadas ao banco mas que acabaram depois por entrar no mercado informal.
O banco central da Libéria desmentiu as acusações de envolvimento neste processo, mas o facto é que as explicações não foram suficientemente convincentes para desfazer as muitas dúvidas que se levantaram.
A partir de Julho de 2017, com a falta de dinheiro em circulação e a desvalorização da moeda nacional, a aquisição de bens essenciais passou a ser substancialmente mais cara o que desagradou à população, com as primeiras críticas a serem directamente dirigidas ao Presidente George Weah.
Para tentar fazer face à situação, entre Julho e Setembro do ano passado, George Weah iniciou uma série de medidas para combater a depreciação da moeda, mas a verdade é que até agora os resultados ainda não se viram.
Para aplacar o descontentamento popular, as autoridades detiveram o antigo governador do banco central e o seu adjunto, para que respondessem perante a Justiça pelas suspeitas de responsabilidade no desaparecimento dos contentores com o dinheiro que deu início à crise financeira.
A oposição política a George Weah acusou-o de ter um plano político por detrás destas detenções, devido ao facto de um dos envolvidos, o antigo vice-governador do banco central ser filho da antiga Presidente Ellen Johnson-Sirleaf, que não o apoiou nas eleições que ele acabou por vencer.
A pergunta que os manifestantes agora fazem é onde foi parar o dinheiro desaparecido e até que ponto é que as pessoas detidas são, efectivamente, as responsáveis pelo seu desaparecimento.

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