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Cabo Verde intensifica combate à insegurança

Victor Carvalho

O Presidente Jorge Carlos Fonseca apontou como grandes prioridades do seu país para 2019 a consolidação do crescimento económico, o combate ao desemprego e aos efeitos da seca e a intensificação da luta contra a insegurança, um problema que persiste e que terá combate reforçado no ano que agora começa.

 

 

Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, numa foto durante uma visita a Angola
Fotografia: Angop

Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, apontou aquelas que serão as prioridades para a governação do país durante 2019, pedindo o empenhamento de toda a sociedade para que elas possam ser cabalmente cumpridas.

Entre essas prioridades, a principal aponta para o combate à insegurança, um problema que persistiu em 2018 e que, no entender do Chefe de Estado, deve ser “frontalmente encarado com a preocupação que merece”, uma vez que “influencia directamente o desenvolvimento do país”.
A seca, que em 2018 atingiu fortemente Cabo Verde pelo segundo ano consecutivo, o crescimento económico e o desemprego fazem igualmente parte das principais prioridades apontadas por Jorge Carlos Fonseca e que deverão por isso merecer uma especial atenção do Governo.
“Mais uma vez incito as autoridades a prosseguirem com a aplicação de medidas que diminuam os impactos negativos desta realidade recorrente em Cabo Verde, reforçando o seu apoio ao mundo rural, onde vive uma grande parte da nossa população”, sublinhou o Presidente de Cabo Verde na sua mensagem de Ano Novo.
Jorge Carlos Fonseca registou “a continuação da tendência de crescimento da economia cabo-verdianaverificada em 2018”, mas sublinhou que o país pode “enfrentar o grave problema do desemprego, que continua a ser uma das grandes preocupações da população, sobretudo dos mais jovens”. “Há que adoptar políticas activas de fomento do emprego, como as que estão contempladas no Orçamento do Estado para 2019, que acabei de promulgar, e que devem ser concretizadas com muita determinação”, disse.
Mas, o grande problema destacado por Jorge Carlos Fonseca tem mesmo a ver com a insegurança. “Aplaudimos muito vivamente as medidas levadas a cabo e congratulamo-nos com os resultados alcançados, mas temos de ter a noção de que o nível de insegurança, especialmente nos grandes centros urbanos, ainda é bastante elevado”.
Jorge Carlos Fonseca ma-nifestou-se também muito preocupado com o facto de “a violência contra a mulher” assumir “proporções inaceitáveis” e sublinhou que o abuso sexual de menores “continua a manchar a sociedade cabo-verdiana”.

Orçamento aprovado

Antes de falar ao país, Jorge Carlos Fonseca tinha promulgado o Orçamento do Estado para 2019, louvando no despacho que assinou várias das medidas nele contempladas e deixando alguns reparos ao nível dos programas de inserção e de formação profissional.
Numa nota da Presidência da República, é referido que o Orçamento do Estado para o ano económico de 2019 “revela uma consciência do estado social do país e contempla algum esforço que é preciso fazer para corrigir distorções sociais e regionais”.
As transferências directas para os municípios (Fundo do Financiamento Munici-pal, Fundo do Ambiente, Fundo do Turismo e Fundo de Manutenção Rodoviária), bem como a actualização salarial dos pensionistas, revelam um “cuidado do Governo” que o Presidente da República classificou de “encorajador”.
Para Jorge Carlos Fonseca são “louváveis os programas de inserção e de formação profissional previstos no Or-çamento”, mas considera necessária a introdução de alguns acertos de forma a permitir que os jovens das ilhas e concelhos periféricos “tenham igual acesso, não necessariamente em quantidade mas em qualidade”.
Em relação à agricultura, o Chefe de Estado apoia “a decisão de isentar empresas que pretendem investir na dessalinização da água para práticas agrícolas”, por se tratar de “uma iniciativa que reduz a dependência” de Cabo Verde da chuva, “com potencial de transformar áreas de sequeiro em superfícies irrigadas”.
O Orçamento do Estado para 2019, que entrou em vigor na terça-feira, é de o equivalente a 650 milhões de dólares  norte-americanos, mais 92 milhões do que o anterior.

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