Mundo

Camarões tem de incluir anglófonos no diálogo

Desde o dia 1 de Outubro, pelo menos, 17 pessoas podem ter morrido e dezenas ficado feridas e presas na sequência das manifestações que ocorrem em regiões de língua inglesa nos Camarões, denunciou um grupo de relatores que pediu ao Governo que adopte todas as medidas necessárias para acabar com a violência no sudoeste e noroeste do país africano, onde a minoria que fala inglês diz ser alvo de abusos.

Camaroneses falantes de inglês são marginalizados
Fotografia: AFP

As tensões acontecem no sudoeste e noroeste do país africano, com os anglófonos a reclamarem de discriminação e marginalização especialmente no serviço público, onde o francês é exigido e falado pela maioria.
Num comunicado conjunto, o grupo de especialistas em direitos humanos afirma que o Governo camaronês tem que envolver representantes anglófonos num diálogo político que possa levar ao fim do impasse.
Dizem que as autoridades locais devem conter a violência na região, onde as violações de direitos humanos da população de língua inglesa estão a acontecer.
Os peritos instam o Governo a adoptar as medidas necessárias e cabíveis de acordo com a Constituição para acabar com a crise e dizem estar perturbados com notícias de uma série de acções por parte de autoridades nacionais como recolher obrigatório, proibição de reuniões e outras restrições a protestos pacíficos.
A população anglófona também reclama estar a ser alvo de uso excessivo da força, prisões em massa, torturas e maus tratos.
Um bloqueio à internet e ao acesso a plataformas de redes sociais tem isolado os manifestantes, uma medida que já havia sido condenada.
Os especialistas pedem uma investigação imediata das violações cometidas. Desde Dezembro, o grupo tem manifestado preocupação ao Governo dos Camarões sobre o assunto.
Cerca de 30 por cento dos camaroneses falam inglês, ao passo que os restantes 70 falam francês.

Tempo

Multimédia