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Candidatos às presidenciais a partir dos 35 anos de idade

Victor Carvalho

Numa decisão que responde a uma reivindicação da juventude, o Presidente Muhammadu Buhari assinou um decreto que reduz o limite mínimo de idade para quem quiser concorrer a eleições para cargos políticos de direcção no aparelho do Estado.

 

Decreto assinado pelo Presidente Muhammadu Buhari responde às exigências da juventude
Fotografia: DR

Muhammadu Buhari, que nos últimos meses tem sido confrontado com organizações de juventude de diferentes quadrantes políticos que reivindicam uma maior participação nos centros de decisão política, considera que com este decreto está aberto o caminho para o rejuvenescimento no comando do aparelho de Estado.
Apesar de ser velha, a reivindicação dessas organizações juvenis chegou a ser dada como condenada ao fracasso, sobretudo depois que o Presidente Buhari anunciou a sua intenção.
Depois desse seu anúncio, muitos foram os que argumentaram que o Presidente nunca iria assinar um decreto que colocava em risco a sua reeleição, uma vez que iria, potencialmente, aumentar o número de concorrentes directos, ainda por cima num país onde a juventude vai ganhando um incontornável peso eleitoral.
Para surpresa e satisfação de muitos, porém, no fim de semana o Presidente Mu-hammadu Buhari, rodeado de um grupo de jovens apoi-antes, anunciou a decisão virando assim uma pági-na importante na vida política da Nigéria onde, a partir de agora, nada volta a ser co-mo dantes.
 
Lei passou pelo Senado

A proposta de lei havia já passado pelo Senado em finais do ano passado e para ter forma de lei necessitava apenas da assinatura do Presidente da República.
Deste modo, os candidatos às eleições presidenciais terão, a partir de agora, de ter o mínimo de 35 anos de idade contra os anteriores 40.
Os aspirantes a dirigirem governos estatais têm o seu limite mínimo de idade reduzido de 35 para 30 anos, enquanto para o Parlamento o mínimo fixado passa a ser de 25 anos, uma redução de também cinco anos.
Como era de esperar, o anúncio feito pelo Presidente da República foi efusivamente recebido por organizações juvenis, sobretudo pelo movimento “Nottooyoungtorun”, que considerou a decisão como  “verdadeiramente histórica”.
Hamza Lawal, membro fundador do grupo, recordou que a juventude nigeriana representa mais de metade da população votante, passando por isso a ser “determinante para definir a futura governação do país”, nas suas diferentes dimensões.
Efectivamente, dados recentemente divulgados, dão conta de que a Nigéria tem a percentagem mais elevada do continente de jovens com idade de votar. Esses mesmos dados, revelam que 60 por cento do total da população nigeriana é composta por jovens com menos de 30 anos de idade.
“Jovens nigerianos, íntegros e competentes, que queiram servir o país podem agora candidatar-se a cargos políticos através de eleições”, afirmou o Presidente Buhari, depois de anunciar a entrada em vigor da lei.
Mas também existem os cépticos, aqueles que acham que Muhammadu Buhari apenas assinou a lei, porque já não tinha outra alternativa, depois das sucessivas críticas feitas por diferentes organizações juvenis do país.
Há duas semanas, o Presidente teceu comentários pouco abonatórios a alguns empresários nacionais que estavam por detrás da criação de programas de apoio à juventude, usando o argumento de que estavam apenas a tentar corrigir aquilo que o Governo fazia de mal.
Na altura, Muhammadu Buhari disse que esses empresários estavam a agir por motivação e intenção política para influenciar a intenção de voto da juventude para as eleições de 2019 e assim elegerem um candidato mais favorável aos seus interesses de grupo.
Esses  empresários dizem agora que o decreto assinado pelo Presidente Buhari visa, precisamente, ganhar o apoio dessa mesma juventude nas eleições de 2019, pois tem a consciência de que um ano é tempo insuficiente para que possa haver um candidato com 35 anos, ou pouco mais, no próximo sufrágio eleitoral.

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