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China desmente ter interesse em gerir o porto de Mombaça

Víctor Carvalho

Um artigo publicado há uma semana pelo jornal diário queniano “Nation”, que dizia citar um relatório do auditor-geral do país, revelava que a penhora do porto de Mombaça pode ocorrer a favor de uma instituição bancária chinesa caso o Governo não consiga pagar o empréstimo junto de si contraído para a construção de uma linha férrea de ligação para várias cidades, incluindo Nairobi.

Governo do Quénia beneficiou de financiamento chinês para modernizar as infra-estruturas
Fotografia: DR

Esta notícia, como seria de esperar, teve um forte impacto na imprensa queniana e ocidental, sobretudo nos Estados Unidos da América (EUA), onde se chegou a escrever que se estava perante um “plano chinês” para se apoderar das principais infra-estruturas africanas, pelo facto da maioria dos países do continente não estar em condições de honrar os compromissos assumidos para beneficiar dos respectivos empréstimos.
Face a essas notícias, o Governo chinês entendeu esclarecer que nunca foi sua intenção apoderar-se da gestão dessas infra-estruturas, reafirmando a sua confiança nos parceiros e garantindo que irá continuar a aplicar os planos de ajuda que foram traçados na última cimeira China-África.
Em 2014, o Banco de Exportações e Importações da China concedeu um empréstimo de 90 por cento dos 3.800 milhões de dólares norte-americanos necessários para a realização da referida empreitada, tendo o Quénia obtido, no ano seguinte, um crédito adicional de 1.500 milhões para expandir a rede em mais 120 quilómetros.“Não temos comentários a fazer sobre o assunto, porque qualquer documento divulgado teria de fazer parte de um processo de auditoria interna e nós não comentamos a validade ou autenticidade desses documentos por uma questão de política”, disse o responsável pela comunicação do gabinete do auditor-geral do Quénia, citado pela agência Bloomberg, especializada em assuntos económicos, quando pretendia obter uma confirmação da notícia avançada pelo “Nation”.
Nesse artigo, o “Nation” revelava que caso as dívidas não sejam saldadas dentro dos prazos previstos, as receitas da Autoridade Portuária do Quénia (APQ) serão utilizadas para pagar ao banco asiático. No final do primeiro semestre de 2018, as receitas da APQ cifravam-se em 370 milhões de dólares.
Lançado em 2013 pelo Chefe de Estado chinês, este projecto está inserido num outro, apelidado “nova rota da seda”, que inclui numa fase posterior a construção de portos, aeroportos, auto-estradas, centrais eléctricas ou malhas ferroviárias ao longo da Europa, Ásia Central, África e Sudeste Asiático.

Chacina de elefantes
Pelo menos 26 elefantes morreram nos últimos três meses na reserva natural de Masai Mara, no sudoeste do Quénia, com suspeitas de que alguns tenham sido envenenados, segundo a imprensa local.
Cinco elefantes terão morrido de causas naturais e, ainda que as causas da morte dos restantes 21 sejam desconhecidas, investigações preliminares apontam para que pelo menos onze possam ter sido envenenados.
Uma organização local de defesa do ambiente, MEP, disse recear que os envenenamentos dos elefantes sejam actos de vingança cometidos por agricultores das imediações, uma vez que os animais invadem com frequência as quintas, destruindo as suas plantações.
A organização, centrada na conservação dos elefantes, mostra-se alarmada com os crescentes conflitos entre humanos e espécies animais sobretudo nas áreas de conservação dos condados de Narok, cujo Governo queniano administra a reserva Masai Mara e de Laikipia.
Alguns agricultores, especialmente os localizados nas margens do rio Enkare Narok, tiveram de abandonar as suas actividades agrícolas após a destruição repetida das plantações, segundo o diário local “Daily Nation”.
“Numa área onde suspeitamos que se estava a usar um pesticida forte nas culturas de tomate, a MEP estabeleceu uma unidade de resposta rápida para monitorizar a situação, manter os elefantes fora das quintas, dialogar com os membros das comunidades sobre o uso de pesticidas e supervisionar as fontes de água”, explicou a organização  de defesa dos elefantes.

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