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Cresce a tensão política entre o Governo e a oposição

Deputados da oposição são-tomense boicotaram quinta-feira a nomeação de novos juízes para o Tribunal Constitucional (TC), em protesto contra a presença policial no Parlamento, pedida pelo Governo devido aos ânimos exaltados.

Oposição acusa o primeiro-ministro de ser “ditador”
Fotografia: Yohei Kanasashi| Pool | AFP

No período antes da apresentação da ordem do dia, os ânimos exaltaram-se devido à troca de acusações entre os deputados da oposição, que acusaram o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, de ser “um ditador” e de querer “transformar São Tomé e Príncipe no seu feudo”.
Por seu lado, o chefe do Governo havia acusado a oposição de querer “criar instabilidade e conflito no país” ao ter convocado a manifestação de protesto contra o Executivo, na terça-feira. A oposição, que conseguiu reunir cerca de três mil pessoas na manifestação, contestou o que classifica de “excessos de autoritarismo, abuso de poder e frequentes violações da Constituição da República”, numa referência à recente decisão do Chefe de Estado de promulgar a lei orgânica que cria o Tribunal Constitucional, quando o diploma se encontra no Supremo para fiscalização de constitucionalidade.
Na troca de acusações, Gaudêncio Costa, deputado da oposição, acusou o chefe do Governo de criar “uma milícia que o protege, com uma capacidade bélica superior à das Forças Armadas”.
Com uma posição mais radical, o líder da bancada do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social-Democrata (MLSTP-PSD), Jorge Amado, acusou o Governo de ter “mandado sitiar” o Parlamento com a presença da Polícia, e referiu:
“Estou disposto a morrer, mas esse tribunal não será constituído”. Por seu lado, Delfim Neves, da bancada do Partido da Convergência Democrática (PCD), acusou o primeiro-ministro de “falta de respeito” para com o presidente do Supremo Tribunal e com a Constituição e de “mandar e desmandar” no Presidente da República.

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