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Etiópia liberta inglês condenado à morte

Victor Carvalho

Um cidadão britânico, líder de um dos principais movimentos independentistas, acaba de ser libertado pelas autoridades etíopes , depois de ter sido condenado à morte pelo crime de tentativa de golpe de Estado.

Primeiro-ministro empossado em Fevereiro mostra vontade de levar avante as reformas
Fotografia: DR

Andargachew “Andy” Tsege, assim se chama o activista agora solto, nasceu na Etiópia, mas adquiriu a nacionalidade britânica, depois de nos anos 70 ter pedido asilo político em Inglaterra.
De regresso ao seu país de origem, envolveu-se na política juntando-se a grupos de activistas que lutam pela Independência da região de Oromo através do recurso a manifestações e a algumas acções de sabotagem, muitas delas executadas com o recurso a armas de fogo.
Sentenciado em 2009 à pena de morte por tentativa de golpe de Estado, depois de um julgamento onde ele esteve ausente por se encontrar foragido, viria a ser capturado em 2014 no aeroporto do Iémen e entregue às autoridades etíopes.
Negando sempre o seu envolvimento em qualquer tentativa de golpe de Estado, Andargachew “Andy” Tsege viria a ser perdoado a 19 de Maio, deste ano juntamente com mais 575 detidos.
Andargachew “Andy” Tsege, pai de três crianças, regressou em 2000 ao país e foi secretáriogeral de um movimento político, denominado “15 de Maio”, criado para protestar contra alegadas fraudes cometidas nas eleições de 2005.
Na sequência desses protestos, que começaram na região de Oromo, mas rapidamente se estenderam a quase todo o país, viriam a morrer cerca de 200 pessoas e detidas mais de mil.

A luta continua

Depois de ter sido agora libertado, Andargachew “Andy” Tsege, disse em declarações à imprensa que não espera grandes alterações na vida do país e que, por isso, “a luta irá continuar até que existam efectivas liberdades políticas”. />“Estar quatro anos preso não é um sacrifício demasiado grande, pelo que estou disposto a continuar a lutar para que todos possamos ter um país melhor”, assegurou Andargachew “Andy” Tsege num encontro, depois mantido com centenas de apoiantes.
Para o Procurador-Geral da Etiópia, Berhanu Tsegaye, o perdão agora concedido a Andargachew “Andy” Tsege é parte de uma iniciativa que visa a criação de um “novo espaço político”, onde o debate de ideias se sobreponha ao uso da violência.
Maya Foa, directora de uma organização de direitos humanos que fez campanha para a libertação de Andargachew “Andy” Tsege considera que o novo Governo etíope deu o “passo certo” para o processo de reconciliação em curso.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros de Inglaterra, Boris Johnson, comentou a decisão do Governo etíope considerando-a um “sinal positivo” para o cumprimento da promessa de criação de “reformas que aumentem o espaço de debate político”.
O novo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, empossado em Fevereiro, nas suas intervenções públicas tem garantido o seu empenhamento pessoal e o do Governo na aplicação de um programa de reformas políticas que possam responder aos apelos que a sociedade expressa através da realização de manifestações.
Foram estas manifestações, recorde-se, que levaram à resignação do anterior primeiro-ministro, Hailemariam Desalegn, que entretanto se afastou da vida política activa.

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