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Facções rivais líbias suspendem o diálogo

As facções rivais líbias, convidadas pela ONU a participar em negociações políticas que estavam marcadas para hoje em Genebra (Suíça), anunciaram, segunda-feira à noite, separadamente, a decisão de suspenderem as respectivas participações no diálogo, alegando motivos diferentes.

Forças de Tripoli e do marechal Khalifa Haftar trocam acusações de violação do cessar-fogo
Fotografia: DR


O Parlamento com sede no Leste da Líbia, onde o marechal Khalifa Haftar é o homem forte, anunciou que não vai comparecer na reunião porque a missão de apoio da ONU na Líbia (UNSMIL) não aprovou a totalidade dos 13 representantes designados.
Já a outra facção na disputa do poder líbio, o Conselho de Estado (equivalente a um Senado), com sede em Tripoli e apoiante do Governo de Acordo Nacional líbio (reconhecido pela ONU), indicou que prefere esperar até que sejam feitos progressos nas negociações militares. “É à luz das conclusões (das discussões militares) que o Alto Conselho de Estado irá decidir se deve ou não participar no diálogo político”, referiu o órgão.
O diálogo inter-líbio, conduzido sob os auspícios da ONU, está a ser desenvolvido em três vertentes: militar, política e económica. Duas reuniões de cariz económico ocorreram nas últimas semanas em Tunes (Tunísia) e no Cairo (Egipto).
As conversações políticas, que estão previstas para arrancar hoje, deviam contar com representantes das duas facções rivais líbias e personalidades convidadas pelo enviado especial da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé.
No que diz respeito à vertente militar, a ONU anunciou que as facções rivais líbias, envolvidas nos últimos dias em conversações militares em Genebra, tinham alcançado um “projecto de acordo de cessar-fogo”. “As duas partes concordaram em apresentar um projecto de acordo aos respectivos líderes para novas consultas e reunirem-se novamente no próximo mês para retomarem as conversações”, disse a UNSMIL.

Monitorização do cessar-fogo
Caso o acordo seja validado pelas duas facções rivais, a UNSMIL será responsável, em parceria com uma comissão militar conjunta, pela monitorização do cessar-fogo. Esta comissão militar conjunta, que se reuniu até domingo, em Genebra, é composta por 10 altos responsáveis militares, cinco oficiais de cada facção.
Questionado pela agência France Press (AFP), um porta-voz da UNSMIL afirmou que a data para o início do diálogo político será mantida. “O diálogo político líbio será mantido como previsto. Muitos dos participantes já chegaram a Genebra e esperamos que todos (os outros) participantes convidados sigam o exemplo”, declarou Jean El Alam. “Se a missão da ONU insistir em organizar a reunião política na data prevista antes de conhecer as conclusões do diálogo militar, o Alto Conselho de Estado não se considera vinculado às conclusões do diálogo político”, declarou, ontem, por sua vez, o presidente do Conselho, Khaled el-Mechri.
A Líbia, que possui as reservas de petróleo mais importantes no continente africano, é um país imerso num caos político e de segurança desde o derrube e assassinato do Presidente Muammar Kadhafi, em 2011. Desde 2015, o Governo de Acordo Nacional líbio, estabelecido em Tripoli e reconhecido pela ONU, e as forças leais ao marechal Khalifa Haftar disputam o poder líbio.
A situação tornou-se ainda mais crítica desde o início da ofensiva militar das forças do marechal Haftar, que avançou em Abril de 2019 contra Tripoli. Um cessar-fogo foi estabelecido em Janeiro passado sob os auspícios da Rússia, que apoia Khalifa Haftar, e da Turquia, aliado do Governo formado em 2015 e liderado por Fayez al-Sarraj, mas a trégua foi sucessivamente violada.
Desde o início da ofensiva das tropas de Haftar sobre Tripoli foram mortas mais de mil pessoas, incluindo mais de duas centenas de civis, e mais de 140 mil líbios estão deslocados, segundo a ONU.

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