Mundo

Fradique de Menezes defende Governo de Jorge Bom Jesus

O ex-Presidente são-tomense Fradique de Menezes disse que “não defende a queda do Governo” do Primeiro-Ministro Jorge Bom Jesus que considera estar a trabalhar com “muita transparência”.

Fotografia: DR

“Eu não defendo a queda do Governo, nós devemos reconhecer que o Governo actual tem-se manifestado pela transparência, sobretudo no que diz respeito ao seu Primeiro-Ministro”, disse Fradique de Menezes aos jornalistas, de acordo com a Lusa, sexta-feira à tarde, no final de mais de duas horas de auscultação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
A CPI foi criada pela Assembleia Nacional para investigar casos que envolveram o golpe de Estado de 2003, particularmente alegadas acusações feitas por Peter Lopes, num vídeo colocado na sua página da rede social Facebook contra o ex-Primeiro-Ministro Patrice Trovoada.
Peter Lopes acusa Patrice Trovoada de ser o financiador do golpe e de ter dado instruções para assassinar três antigos dirigentes do país, designadamente os antigos Presidentes da República, Fradique de Menezes, Manuel Pinto da Costa e o também ex-ministro da defesa e ordem interna, Óscar Sousa.
Fradique de Menezes disse que inicialmente foi bastante crítico do actual Governo, mas que foi apenas contra as mudanças de directores na Administração Pública, mas nunca defendeu a sua queda.
“Eu sei que fui o primeiro a pecar quando demiti um Governo aqui e outro acolá”, reconheceu Fradique de Menezes, mas refere que não concordava com a “substituição de alguns directores por outros, pois muitos deles não tinham conhecimento na matéria”.
“Isso podia levar-nos à estaca zero, e foi, aliás, uma das coisas que discutimos na última reunião do Conselho de Estado”, sublinhou o ex-governante que disse defender a necessidade de “despartidarizar a Administração”.

Processos judiciais arquivados
A Procuradoria-Geral da República (PGR) são-tomense anunciou o “arquivamento parcial” do processo que envolvia um ex-ministro e um ex-assessor do antigo Governo, liderado por Patrice Trovoada, suspeitos de participação económica em negócio e peculato, por falta de provas.
Em comunicado divulgado na sexta-feira, o Procurador-Geral da República, Kelve Nobre de Carvalho, adiantou que o Ministério Público “proferiu o despacho final de arquivamento parcial da instrução preparatória 268/2018, relacionado com informações colocadas na comunicação social e nas redes sociais em Dezembro de 2018”.
Essas informações, adianta a nota da PGR, “davam conta de que os senhores Afonso Varela, ex-ministro da Presidência e do Conselho de Ministros, e Elísio Teixeira, ex-assessor jurídico do gabinete do então Primeiro-Ministro, teriam recebido o equivalente a 60 mil dólares pagos pela Agência Nacional do Petróleo [ANP], numa alegada operação ilegal de prestação de serviços em nome do Estado são-tomense junto da Câmara do Comércio Internacional”.
Segundo a Procuradoria-Geral, “as diligências realizadas não permitiram ao Ministério Público dar como suficientemente indiciados os factos imputados aos senhores Afonso Varela e Elísio Teixeira”, que é actualmente assessor jurídico do Presidente da República são-tomense, Evaristo Carvalho.
“Dos elementos recolhidos não resultou prova suficiente relativamente à verificação do crime de participação económica em negócio, crime de peculato e crime de usurpação de funções, de que vinham indiciados os arguidos, pelo que os autos ficarão a aguardar a melhor prova”, adianta a nota.
Em Dezembro, a PGR anunciou que tinha desencadeado uma investigação sobre a ANP, um caso então denunciado pelo jornal digital “Téla Nón”.
O Governo, chefiado por Jorge Bom Jesus, anunciou na altura o afastamento de Orlando Pontes da administração da ANP.

Tempo

Multimédia