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Governo pede ajuda para travar a violência

Catorze pessoas morreram entre sábado e ontem na sequência de confrontos entre terroristas e um destacamento militar em Arbinda, na província de Soum, no Sahel burkinabe, revelou ontem a AFP, citando fontes dos serviços de segurança locais.

Ouagadougou lança apelo contra o avanço do extremismo e condena os ataques religiosos
Fotografia: DR

Ainda ontem, na ressaca de mais estes confrontos, o ministro das Relações Exteriores do Burkina Faso, Alpha Barry, pediu “ajuda urgente” à comunidade internacional para travar o avanço dos grupos terroristas e os ataques dos extremistas na região de Sahel, segundo anunciou a Lusa.
“A situação está a degradar-se muito rapidamente. Não podemos esperar e voltar daqui a seis meses para fazer um balanço muito mais dramático”, advertiu o ministro ao discursar no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).
Além dos ataques terroristas, o país tem sido também cenário de violência religiosa, sobretudo formatada por ataques de milícias islâmicas contra alvos católicos, o que ainda no último domingo provocou mais meia dúzia de mortos junto à fronteira com o Níger.
De acordo com as Nações Unidas, a onda crescente de violência no país africano está a provocar uma “crise humanitária dramática”, verificando-se um número de ataques até meados deste ano superior ao de todo o ano de 2018.
Desde Abril de 2015, que aquele país da África Ocidental tem sido fustigado por ataques recorrentes de grupos jihadistas, com um aumento significativo da violência proveniente do vizinho Mali veiculada a grupos como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Em 2017, o Burkina Faso, Tchade, Mali, Mauritânia e o Níger formaram uma força militar conjunta, conhecida como G5, para combater os grupos terroristas, mas a falta de recursos tem sido insuficiente para levar a cabo com êxito a missão.
O ministro das Relações Exteriores pediu ajuda à comunidade internacional, no sentido de ser criada uma coligação que possa garantir a estabilidade do Sahel e um reforço do mandato para que a missão da ONU possa controlar a situação no Mali.
“A guerra contra o terrorismo é um desafio global, uma preocupação que diz respeito a toda a comunidade internacional”, adiantou o governante, defendendo que “todos os dias, em cada palco internacional, é preciso dar o sinal de alarme.”
O director-executivo do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, David Beasley, alertou para a crescente violência no Burkina Faso e o impacto da crise climática que colocaram o país no epicentro de uma “crise humanitária dramática.”
“Cerca de meio milhão de pessoas viram-se obrigadas a abandonar os lares e um terço do país é, agora, uma zona de conflito”, afirmou Beasley.
Os níveis de subnutrição bateram recordes, segundo o PAM, tendo o director acrescentado que “se o mundo leva a sério a tarefa de salvar vidas, agora, é o momento de actuar.”

Exército faz advertência

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Burkina Faso, Moise Miningou, exigiu à França que informe com urgência “o movimento das suas aeronaves para que não sejam consideradas inimigas.” Segundo a imprensa local, citada ontem pela AFP, Moise Miningou exprimia-se numa carta endereçada ao adido de defesa da Embaixada francesa no Burkina Faso, datada de 15 de Novembro.
“De algum tempo a esta parte, é recorrente que aeronaves não identificadas sobrevoem as nossas bases e zonas de operação”, afirma o líder militar na sua mensagem. Após esta observação, o general refere que “doravante, foram dadas instruções às unidades militares para que essas aeronaves sejam consideradas como inimigas e que tenham o devido tratamento.”
Entretanto, o Exército burkinabe anunciou, domingo, ter abatido 32 terroristas na sequência de intensos combates nas províncias do centro-norte e do norte do país. Segundo um comunicado da Direcção da Comunicação do Exército citado pela PANA, uma patrulha do agrupamento das forças armadas para a segurança do norte foi alvo de uma emboscada nos arredores de Yorsala no departamento de Titao.
“A vigorosa reacção da unidade seguida de uma vasta operação de patrulha da floresta de Yorsala provocou intensos combates que duraram várias horas. Durante esses confrontos, 24 terroristas foram neutralizados e diversos materiais recuperados”, segundo a Direcção da Comunicação do Exército.

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