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Governo queniano culpa oportunistas

O Governo queniano negou ontem que haja manifestações e vítimas mortais em diferentes pontos do país e assegurou que foram registados unicamente incidentes violentos isolados provocados por criminosos, que receberam uma resposta “apropriada” da Polícia, na sequência do anúncio dos resultados das eleições de terça-feira.

Forças da ordem quenianas prometem resposta apropriada para travar o caos pós-eleitoral
Fotografia: Carl de Souza | AFP

O ministro do Interior em funções, Fred Matiang'i, garantiu, em conferência de imprensa que tudo não passa de “rumores e mentiras” e reiterou que o país é “seguro”.
Fontes independentes afirmaram que alguns dos principais bairros de Nairobi e importantes cidades como Kisumu vivem desde a noite de sexta-feira violentos protestos contra a reeleição do Presidente Uhuru Kenyatta, tendo sido mortas pelo menos quatro pessoas a tiro.
A este respeito, Fred Matiang'i disse não ter conhecimento de vítimas mortais ou de agentes que tenham disparado contra os manifestantes, já que, na sua opinião, não houve sequer protestos.
Para o dirigente, ocorreram incidentes isolados, como o incêndio de autocarros e casas ou a destruição de lojas e comércio, perpetrados por “criminosos oportunistas”, mas não há protestos organizados.
“A Polícia não usou força desproporcional. Quem diz isso está a mentir e a espalhar boatos”, disse.
Nas palavras de Matiang'i, as pessoas gozam do direito de protestar, mas não é possível “permitir que os cidadãos infrinjam os direitos dos outros”.
As fontes independentes afirmaram que a Polícia queniana dispersou com gás lacrimogéneo e tiros milhares de pessoas que se concentravam na sexta-feira em diversos pontos do Quénia para protestar contra a reeleição do Presidente Uhuru Kennyata. Os confrontos começaram no momento em que a Comissão Eleitoral oficializou a vitória nas urnas do Chefe de Estado cessante, a quem a oposição acusa de ter manipulado os resultados do escrutínio.
Segundo testemunhas citadas pela agência noticiosa Efe, em dois dos subúrbios mais populosos de Nairobi, a situação era caótica, com lançamento de pedras, incêndios de pneus, gás lacrimogéneo e disparos de armas de fogo.
Logo pela manhã de sexta-feira, a Polícia queniana destacou agentes para diferentes zonas do país quando já previa protestos logo após a divulgação dos resultados definitivos das eleições.
Polícias foram destacados para os principais feudos de Odinga, como o bairro de Kibera, na capital, um dos principais focos da violência pós-eleitoral em 2007, com cerca de um milhão de habitantes. O mesmo aconteceu em Mathare, outro subúrbio de Nairobi com uma maioria de apoiantes de Odinga e onde a oposição disse terem sido mortas duas pessoas na quarta-feira devido a tiros da Polícia durante uma manifestação.
Na violência pós-eleitoral de 2007, morreram pelo menos 1.100 pessoas e mais de 600 mil foram obrigadas a abandonar as suas casas. Na sequência, uma mediação conduzida pelo antigo secretário-geral das Nações Unidas Koffi Annan conduziu à uma divisão na cúpula do poder com a figura de Odinga como primeiro-ministro e Mwai Kibaki como presidente.
A Conferência Episcopal do Quénia pediu à coligação opositora Super Aliança Nacional (NASA) que peça “calma e paz” aos seus apoiantes para pôr fim à violência que ocorre em diferentes pontos do país.
A Comissão Eleitoral anunciou que Uhuru Kenyatta foi reeleito para um segundo mandato, tendo obtido 54,27 por cento dos votos nas eleições realizadas na passada terça-feira.
O líder da oposição, Raila Odinga, que não reconhece os resultados oficiais e se autoproclama vencedor, alcançou 44,74 por cento dos sufrágios, segundo o mesmo organismo.

Posição dos observadores


Os observadores eleitorais nacionais do Quénia asseguraram ontem que a sua contagem coincide com os dados fornecidos pela Comissão Eleitoral, que proclamou a reeleição do Presidente cessante, Uhuru Kenyatta.
Os dados do Grupo de Observação de Eleições (ELOG) compreendem os resultados de 1.692 assembleias de voto de um total de 40.883, anunciou numa conferência de imprensa, o ELOG.

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