Mundo

Grupos rivais na RCA assumem compromisso para fazer a paz

Os dois principais grupos opositores na República Centro Africana (RCA) comprometeram-se em Cartum a tudo fazer para restaurar a paz e permitir a livre circulação de pessoas e bens, numa altura em que as Nações Unidas denunciam a fuga de dezenas de populares das suas zonas de origem devido ao aumento da intensidade dos confrontos no leste do país

 

 

Fotografia: DR

Os líderes dos grupos Séléka e anti - Balaka, principais opositores na RCA, estiveram reunidos em Cartum, capital sudanesa, sob mediação da Rússia, prometendo tudo fazer para a efectiva restauração da paz e a criação de condições favoráveis para o restabelecimento da livre circulação de pessoas e bens.

Num comunicado publicado em Bangui, o governo centro-africano disse ter tomado "boa nota da declaração dos líderes dos grupos armados que se mostram preocupados com a segurança das populações".

No final desta reunião, que decorreu neste fim de semana, precisou o comunicado do governo, os grupos armados aprovaram uma "Declaração de Entendimento" onde se comprometem com a paz.

Ainda segundo o comunicado do governo, no mesmo encontro, foi pedido à Rússia e ao governo que tenham em consideração a abordagem da União Africana para a paz na RCA.

Recentemente, durante uma reunião do painel da União Africana com os líderes dos 14 grupos armados reconhecidos, que decorreu na cidade centro-africana de Bouar, os líderes desses movimentos apresentaram reivindicações que o governo não aceitou negociar.

Entretanto, a eclosão de uma nova onda de violentos confrontos mortais entre grupos armados, ocorridos em Bria, leste da República Centro-Africana (RCA), provocaram a fuga de dezenas de pessoas, segundo relatos feitos pela missão das Nações Unidas no país e confirmadas pelo testemunho de várias pessoas.

"Registaram-se, de novo, confrontos violentos entre os anti-Balaka (que afirmam defender os não-muçulmanos) e grupos islamitas com numerosas perdas para ambos os lados", denunciou o porta-voz da MINUSCA, missão da Organização das Nações Unidas (ONU) na República Centro-Africana, Vladimir Monteiro.

REFUGIADOS REGRESSAM DO CONGO BRAZZAVILLE

Apesar destaxs dificudades, o governo centro africano e o do Congo Brazzaville reiniciaram, com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (HCR), o repatriamento voluntário dos cerca de 660 refugiados que viviam nas cidades congolesas de Bétou (norte), Ponta-Negra (oeste) e da capital, noticiou a agência Xinhua.

Esses refugiados vão ser instalados nas cidades centro africanas de Mongoumba e Mbaiki (sudoeste), assim como na capital, Bangui.

Um comunicado do HCR refere que uma primeira coluna de 208 pessoas optaram pelo regresso por terra ao seu país de origem, através da cidade de Mongoumba (fronteiriça com o Congo Brazzaville), antes de seguirem para as aldeias e vilas de onde são originários.

A retomada do repatriamento voluntário dos refugiados centro africanos que vivem em território congolês surge na sequência das suas persistentes solicitações.

"O repatriamento voluntário é a melhor solução duradoura para os problemas dos refugiados, o HCR congratula-se por esse desenvolvimento e a mnossa agência desenvolveu esforços para facilitar essa operação juntamente com os governos centro africanos e congolês\", declarou Buti Kale, representante do HCR na RCA.

O mesmo responsável garantiu que a organização a que pertence continuará a trabalhar com o governo da República Centro Africana para ajudar a trazer para o país todos os refugiados que ainda se encontram no estrangeiro ou que, vivendo no país, estão distantes das suas zonas de origem.

 

Tempo

Multimédia